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Filmes chegam aos 30 anos e eu dei pitacos

CINEMA-Amadeus-by-DIVULGAÇÃO

A pedido dos companheiros de trabalho, o cinéfilo aqui deu alguns pitacos.

A reportagem do CORREIO de Uberlândia, “Filmes chegam aos 30 anos, cultuados e alvos de saudosismo” (17 de agosto), fala sobre produções lançadas em 1984 e como se tornaram cults para trintões e plateias atuais. Discutimos ainda sobre falta de criatividade e remakes. Entre os filmes citados estão Amadeus, Gremlins, Karatê Kid – A Hora da Verdade, Os Caça-Fantasmas, Era Uma Vez na América e Paris, Texas.

Para ler a matéria completa escrita por Pablo Pacheco e editada por Adreana Oliveira, basta clicar aqui.

Críticos… 2

Pois as continuações são inevitáveis.

críticos 2

Robin Williams morreu

Robin Williams

Pensei muito antes de escrever esse texto, uma vez que a morte de Robin Williams foi algo que me afetou mais do que poderia imaginar. Mas uma coisa não me saía da cabeça. Explico.

Essa existência é mesmo irônica. E triste. Não basta perdermos um dos maiores talentos do Cinema de todos os tempos, é preciso que ela repita algo triste que um dos maiores trabalhos desse Ator (sim, com letra maiúscula) havia mostrado: o suicídio.

Sociedade dos Poetas Mortos é um daqueles filmes inesquecíveis que marcam uma geração com seus questionamentos e reflexões sobre padrões de uma época. É o que faz o professor John Keating, vivido por Williams, que incentiva seus alunos a serem mais do que a escola e o final da década de 1950 exigem deles como seres humanos. Se por um lado aquilo se torna uma janela mais ampla para os olhos dos alunos, há a pressão social contra eles. O suicídio de um desses jovens mostra o peso sobre eles.

Pois Robin Williams, encontrado morto nessa segunda-feira, aparentemente sucumbiu ao peso de sua depressão. Ele teria se enforcado aos 63 anos. Não o julgo, não acho justo que se faça isso. Mas, obviamente, preferia que o talento do artista estivesse conosco. As lições de Sociedade dos Poetas Mortos podem não ter servido para o veterano ator, mas gostaria que ele pudesse aproveitar mais o dia, pois assim nós mesmos seríamos premiados como plateia. A vontade é subir em uma carteira velha e gritar “Ó capitão, meu capitão!” e evitar que Williams saia pela porta, expulso da vida como seu personagem de outrora. Não dá mais. Ele quis de outra forma.

O gênio de Aladdin está livre, como a Academia o homenageou. Da mesma maneira que Peter Pan voou para encontrar os garotos perdidos. Da mesma maneira que Alan Parrish voltou para sua casa ao fim da partida de Jumanji. Mas até que isso acontecesse, Robin foi um dos Sean Maguire que mostraram um bom caminho por entre o tortuoso mundo do Cinema, exatamente como fez a Will Hunting. Aliás, ele sim era um Gênio Indomável, mas que sempre teve um pé no mundo real, ainda que colorido. Do mesmo jeito que Mrs. Doubtfire acaba descobrindo que é apenas uma babá-personagem em um mundo onde as separações são inevitáveis.

É nessa hora que queríamos que Robin Williams fosse bicentenário e sua história não fosse de fim triste como a existência dos poucos anti-heróis vividos por ele. Pena que a solidão experimentada por Robin tenha sido tão grande quanto a Seymour Parish.

Gênio - Aladdin

Um personagem, uma frase – Rocky Balboa

Rocky

(Mão direita levantada)

“Você não vai acreditar, mas você cabia bem aqui. Eu te levantava para dizer para sua mãe: ‘esse garoto vai ser o melhor filho do mundo. Esse garoto será alguém melhor do que qualquer um que eu já conheci’. E você cresceu bom e maravilhoso. Foi ótimo assistir, todo dia era como um privilégio. Então, o tempo chegou para você ser seu próprio homem e enfrentar o mundo e você fez. Mas em algum lugar ao longo da linha você mudou. Você deixou de ser você. Você deixa as pessoas colocarem o dedo na sua cara e dizerem que não é bom. E quando as coisas ficaram difíceis, você começou a procurar algo para culpar, como uma grande sombra. Deixe-me dizer algo que você já sabe. O mundo não é todo sol e arco-íris. É um lugar muito malvado e desagradável e não importa o quão duro você é, ele vai deixá-lo de joelhos e mantê-lo lá se deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão forte quanto a vida. Mas isso não é sobre quão duro você bate. É sobre o quão forte você pode ser atingido e continuar seguindo em frente. Quanto você pode aguentar e seguir em frente. Isso é do que a vitória é feita! Agora, se você sabe o que vale a pena, então saia e consiga o que você merece. Mas tem que estar disposto a tomar as pancadas e não apontar o dedo dizendo que você não está onde você quer por causa dele, dela ou qualquer um! Covardes fazem isso e você não é! Você é melhor que isso! Eu sempre vou te amar, não importa o quê. Não importa o que acontecer. Você é meu filho e é o meu sangue. Você é a melhor coisa na minha vida. Mas até que comece a acreditar em si mesmo, não vai ter uma vida. Não se esqueça de visitar sua mãe…”

(Rocky, Sylvester Stallone – Rocky Balboa, 2006)

Há alguns anos… 2001 – Uma Odisseia no Espaço

“I’m afraid, Dave”

2001Kubrick e Keir Dullea em intervalo da criação da maior viagem cinematográfica, 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)

Crítica: Planeta dos Macacos – O Confronto

dawn_of_the_planet_of_the_apes_posterFilmes sobre conflitos normalmente buscam levar o espectador a tomar partido de algum dos lados. Há o bandido e o herói. O mais interessante em Planeta dos Macacos – O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, EUA, 2014) é justamente dar um pouco mais de profundidade a esse tipo de dicotomia. A tensão gerada na primeira hora do longa somada ao fato de que vilões e mocinhos existam em ambos os lados da guerra humanos versus símios faz do filme um grande salto em termos de qualidade se comparado a seu antecessor.

Há equilíbrio nos elementos do roteiro de Mark Bomback, Rick Jaff e Amanda Silver. Assim como essa ponderação gera rimas na trama. O filme começa com belas cenas de diálogos falados quase inexistentes nas quais pode-se observar o desenvolvimento da sociedade liderada por César (Andy Serkis), o símio que desencadeou a revolta dos primatas. Eles querem viver na floresta sem a intervenção humana. Por outro lado, homens e mulheres sobrevivem à epidemia do vírus criado em laboratório visto em Planeta dos Macacos – A Origem. Passados alguns anos desde os eventos do longa anterior, os sobreviventes da doença nem sabem da existência de uma sociedade de macacos inteligentes. Os interesses de ambos vão se esbarrar quando os homens andam pela floresta para reativarem uma usina hidrelétrica, o último recurso de energia em São Francisco.

Há uma tensão muito grande entre os grupos e o que é mais bacana é que há preconceitos e respeito de ambas as partes. Existem humanos que culpam os macacos pela morte em larga escala de pessoas, da mesma forma que existem símios que veem todos os humanos como carrascos ambiciosos. No meio disso tudo, há a ponderação de César e de Malcolm (Jason Clarke). Eles são os responsáveis pela diplomacia que falta a boa parte dos companheiros de seus respectivos grupos. Mas o filme se chama O Confronto, o quer dizer que a convivência pacífica logo será quebrada – e isso toma proporção exatamente pela boa construção da paz temporária e tênue vista antes da guerra eclodir.

Dawn of the Planet of the Apes

As rimas surgem em momentos como aquele em que um macaco ataca humanos com uma arma e, mais à frente, um humano aponta um dos fuzis para seus companheiros no intuito de dar tempo a uma possível resolução do tal conflito. Ou no melancólico momento em que o filho de César fica horrorizado com a guerra, o qual faz menção indireta à fala de Malcolm sobre seu filho e como ele viu coisas cruéis demais para sua idade.

Por outro lado é bom perceber que em termos visuais essa continuação também supera o trabalho anterior. Seja nas figuras dos macacos, em especial o trabalho de Serkis e dos efeitos que dão textura ao líder a dos demais primatas, seja na fotografia acinzentada da floresta – o que dá o contraste de tons ideal ao fogo do ataque à base humana. A cidade de São Francisco tomada por plantas e com construções em ruínas é outro detalhe importante para reforçar a briga entre humanidade e natureza por espaço – um reflexo da luta entre as espécies.

Prejudicado por ter no confronto armado seu verdadeiro clímax muitos minutos antes do término do longa, o que quebra bastante o ritmo da narrativa, esse novo Planeta dos Macacos pode até escorregar ainda em detalhes como colocar uma família confraternizando na varanda de uma casa em meio ao ataque símio. De qualquer forma tem um diretor (Matt Reeves, de Cloverfield) que sabe aproveitar bem seus personagens e tem senso estético – repare na câmera acoplada ao canhão de um tanque e na razoavelmente longa tomada em que é usada. Além disso, consegue abrir e fechar arcos dramáticos principais e deixar algumas pontas soltas para uma inevitável continuação.

Nota: 8

dawn-of-planet-of-the-apes-malcolm

Resumo (28 jul a 3 ago)

american_hauntingMaldição* (An American Haunting, 2005). De Courtney Solomon

Não vou nem comentar a pobreza dos efeitos visuais dessa produção, que lembram muito alguns de TV feitos a toque de caixa. Mesmo porque os mais eficientes para a narrativa são relativamente bem acabados – e falta de orçamento não impediu que filmes como Evil Dead fossem bons. Mas com um orçamento de US$ 14 milhões era de se esperar algo melhor. O fato é que o roteiro de Maldição está entre a enganação e a falta de qualidade em si. O filme trata do caso da Bruxa dos Bell, caso famoso dos Estados Unidos. Diz que é o único tomado como um assassinato causado por um espírito. Mas no final das contas um letreiro deixa claro que aquilo tudo não passa de especulação a partir da história original. Depois temos que a trama com pouco mais de 80 minutos é apressada como se tivesse muita história para contar. Mas só parece. Se prestar atenção perceberá que a trama fica entre um ataque ou outro do poltegeist contra a Betsy (a linda Rachel Hurd-Wood) e nesse meio tempo mostra a família fazendo suposições sobre o caso sem tomar muitas providências – o pai da garota junto e amigos da família confraternizam enquanto o espírito vagueia pela casa. Chega a ser ridículo ver o personagem de James D’Arcy tentando explicar racionalmente uma menina suspensa no ar e sendo esbofeteada – talvez alguém no escuro a segurando, ele diz. Se algumas câmeras voando trazem alguma curiosidade ao filme, a exemplo daquela que vai ao encontro de uma carruagem, o uso excessivo de steady cams mostra que o apuro visual do filme também não é original e falta estofo para a produção – Possuídos fez muito melhor uso do recurso de tomadas errantes para representar um espírito. Cansativo ainda que curto, é bestinha ao incluir uma trama paralela nos dias atuais que não faz o menor sentido (afinal, por qual motivo ainda haveria uma foto conservada da família Bell na casa, pendurada na parede?). Espanta pelo elenco conseguido pela produção, com Donald Sutherland e Sissy Spacek. Nota: 3

*Filme assistido pela primeira vez

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