Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Setembro, 2010

Crítica: Kick Ass – Quebrando Tudo

Kick Ass cartaz“What the F*ck?”. Não são poucos os diálogos em Kick Ass – Quebrando Tudo (Kick Ass, EUA/Reino Unido, 2010) que trazem a nada lisonjeira expressão acima. O que também não deixa de ser a reação de quem assiste ao longa de Matthew Vaughn, inspirado na graphic novel de John Romita Jr. e Mark Millar.

Que os quadrinhos hoje são uma das grandes minas de dinheiro descobertas por Hollywood, qualquer cinéfilo sabe. A busca pelo realismo dentro de um mundo pensado com balões e super-heróis também não é novidade, está ai Cavaleiro das Trevas para provar a teoria. O que Kick Ass traz, no entanto, é um realismo sujo, violento que se contrapõe de forma perfeita ao colorido do mundo das HQ’s.

Um mundo, aliás, perfeitamente reproduzido durante o longa. As roupas de cores berrantes estão lá, os ambientes iluminados também, assim como as identidades secretas. Mas que cena a cena, Matthew Vaughn vai mostrando ser muito mais perigoso do que parece. Os bandidos são reais, eles usam armas diversas, sejam brancas ou de fogo, e não há espaço para super poderes.

É o que descobre rapidamente Dave Lizewski (Aaron Johnson), um garoto comum, viciado em quadrinhos e cansado de ser apenas mais um nerd. Inspirado pelas histórias que lê e potencializado pela vontade de ser alguém (ou apenas impressionar a garota de quem é afim), ele compra uma roupa de mergulho qualquer, treina desastradamente com dois bastões e se intitula Kick Ass, o novo combatente do crime. Logo no primeiro dia de “trabalho” ele é esfaqueado e atropelado ao tentar impedir um roubo. Algo mostrado de forma gráfica e com violência que ninguém esperaria de um filme tão colorido.

Da mesma forma que assusta quando Damon Macready (Nicolas Cage) aponta uma arma e delicadamente diz à filha que irá disparar duas vezes contra ela. A jovem Mindy (Chloë Grace Moretz) é baleada, cai e logo se levanta amparada pelo pai, que explica a importante função de um colete à prova de balas quando eles estiverem nas ruas para combater o crime e assumirem as identidades de Big Daddy e Hit Girl. Em seguida, saem para tomar um sorvete.

Kick Ass pic1

Ambas as seqüências são geniais e deixam claro o tom do filme: uma mistura instigante de realismo e cartoon, chegando ao ápice dessa combinação no flashback que conta o passado de Macready por meio de uma história em quadrinhos.

Dave voltará à ativa e se transformará num astro na Internet depois de filmado surrando alguns encrenqueiros, mas se tornará alvo de um verdadeiro vilão, Frank D’Amico, chefão do crime vivido com intensidade por Mark Strong. Mal sabe ele que o moleque não é ninguém e que há outros heróis querendo derrubá-lo.

Absolutamente tudo no longa é surpreendente. Se do Batman de Chris Nolan se espera truculência, ninguém aposta que uma garota de 10 anos possa ser ao mesmo tempo encantadora, violenta e boca suja. Ou que um pai ensine a filha a bater e matar como se lhe desse conselhos sobre como escovar os dentes. Até a história do “Zé Mané” que sai de seu mundo chato para se tornar alguém, aqui tem um detalhe interessante: ele continua a ser ninguém, apenas se envolve com as pessoas certas e conta com uma ajuda do acaso.

Mas além da temática, Kick Ass tem a inteligência do diretor para criar belíssimas cenas. Aqui está a parte do espetáculo que se espera de um longa como esse, que se não dá um nó na cabeça do espectador, sabe ser empolgante e por vezes tenso. Destaque para a descoberta do autor da destruição da fábrica de D’Amico: além de ser ação de primeira com explosões e sopapos, causa o mesmo choque na platéia e no vilão com um recurso simples, ambos vêem as gravações de segurança do prédio pela primeira vez.

Dotado de um humor marcante, que serve de refresco para a violência e manter a ironia subversiva que permeia a produção, Kick Ass além de tudo mostra que ainda há espaço para olhares diferentes dentro do cinema de ação. Um olhar que, inicialmente pode até não parecer tratar de algo sério, mas que de toda forma, cria um filme divertidíssimo e que brinca com as expectativas de quem quer ver apenas mais uma adaptação de HQ’s.

Nota: 8,5

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This is your life… in 1810

E se Clube da Luta fosse baseado numa obra de Jane Austen?

*Sempre indico assistir ao vídeo em tela cheia


Resumo (20 a 26 set)

Esta é uma área do Cinefilia na qual escrevo sobre todos os filmes que assisti fora dos cinemas durante a semana. É o mesmo Resumo da Semana da fase antiga do blog. 

Three O'Clock HighTe Pego Lá Fora (Three O’Clock High, EUA, 1987). De Phil Joanou

A insistente presença de relógios em vários momentos de Te Pego Lá fora é uma boa sacada do diretor Phil Joanou. Ele lembra a todo instante do desespero de Jerry Mitchell, o nerd que arrumou confusão com Bud Revell, o bad boy da escola. Mas para que o filme funcione é preciso que a tensão vá aumentando com o passar dos minutos apontados pelos relógios. Assim, é de se aplaudir as situações tragicômicas pelas quais Jerry passa para fugir da briga com Bud. Há até um momento em que se pensa que ele conseguiu se livrar do valentão. Mas como o longa é produzido nos anos 80, a honra do fracote fala mais alto e a luta continua de pé. Não que haja grandes surpresas, mas a trama envolve quem a acompanha na busca por uma saída daquele pesadelo de qualquer pessoa que um dia esteve na escola pôde passar, em menor ou maior grau. Clássico das sessões da tarde. Nota: 8 

The RoadA Estrada* (The Road, EUA, 2009). De John Hillcoat

Se O Livro de Eli consegue unir certa dose de drama, uma pitada de crítica social e muito espetáculo, A Estrada quer saber até onde se consegue manter a humanidade. Para isso usa de uma situação limite: um mundo arruinado por algum tipo de cataclisma no qual sobreviver é o único motivo de continuar de pé. Para o personagem de Viggo Mortensen, entretanto, a vida ainda tem algum sentido a não ser o instintivo, seu filho vivido por Kodi Smit-McPhee. Ele já perdeu as esperanças há tempo, assim como a esposa, que não agüentou a situação pela qual tiveram de passar. As provações são colocadas quase que sem descanso: fome e violência são as piores delas, o que amargurou aquele homem que os flashbacks mostram ter sido bem mais cândido. E durante essa luta para dar algum tipo de futuro ao filho, ele é confrontado a todo momento pelas lições de humanidade que ensinou ao garoto. Duas cenas são exemplares: o velho que recebe a atenção do menino e o ladrão humilhado pelo adulto enquanto o filho assiste a tudo incrédulo, vendo o mesmo desespero pelo qual passa naquela pessoa. A Estrada é um filme mal, não poupa seus personagens, ainda que saiba falar da alma do homem como poucos. Nota: 8,5 

Angel HeartCoração Satânico* (Angel Heart, EUA/Canadá/Reino Unido, 1987). De Alan Parker

Coração Satânico fala sobre a perdição eterna. É um filme sombrio e desperançado, que também aborda a alma humana, mas de como ela pode ser corrompida e que esse é um caminho sem qualquer chance de redenção. Robert De Niro tem dois diálogos reveladores nesse sentido com Mickey Rourke. Um acontece logo quando se conhecem,  De Niro deixa claro o motivo pelos quais contrata os serviços do investigador Rourke ao dizer que não é empresário do artista com o qual tem um contrato. Repare como o detetive se sente desconfortável ao falar com o contratante. Depois vem o momento em que De Niro come um ovo cozido, sugerindo muito mais do que um simples encontro para atualização da investigação. As sugestões são o forte do longa, que é violento de várias formas, seja graficamente ou na própria busca de Rourke, que em si é uma absurda tortura quando se descobre o motivo de tudo aquilo. Não há inocentes e são poucas as narrativas em que o Inferno ascende à Terra como neste longa de Alan Parker. Nota: 8,5 

The X-files - Fight the FutureArquivo X – O Filme (The X-Files – Fight the Future, EUA, 1998). De Rob Bowman

Eu era fã incondicional da série que marcou a década de 1990. O melhor da primeira inserção dos mundo X-er nos cinemas, ainda em 1998, é que ele funciona tanto para quem acompanhava temporada por temporada, como para quem fazia contato pela primeira vez com os dramas de Mulder e Scully na busca pela verdade. Claro que os admiradores tiveram mais motivos para comemorar. Primeiro porque o filme serviu de ponte entre temporadas da série (não me lembro exatamente quais), depois por proporcionar um dos momentos mais tensos sexualmente entre os protagonistas – algo inédito até então -, além de explorar com inteligência a conspiração entre homens e extraterrestres ao inserir vários elementos desta no enredo do longa, que é sempre adjacente ao mote principal da série. Os não-iniciados, entretanto, podem ver um bom thriller, cheio de intrigas e movimentado, revelando segredos aos poucos sem ser pedante. Ainda que tenha achado alguns elementos mais fracos do que quando os assisti pela primeira vez – a exemplo do desfecho apoteótico, quando Mulder vai até o Pólo Sul como se pegasse um vôo comercial, e toda a seqüência dentro do QG inimigo. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez


Crítica: [REC] 2 – Possuídos

[REC] 2 PosterA continuação do sucesso [REC] era inevitável, ainda que desnecessária. Perderam os fãs de um excelente terror, que se não foi revolucionário, deixou muita gente grudada na cadeira.

O longa de Jaume Balagueró e Paco Plaza seguia bem a lição que Extermínio ensinou: menos zumbis lerdos e mais seres raivosos, numa junção muito feliz com a estética de A Bruxa de Blair, copiada até mesmo pelo papa dos filmes do gênero, George Romero, no criticado Diário dos Mortos. Os ataques das criaturas nunca foram tão reais quanto na lente de Ângela Vidal e companhia. Uma verdadeira descida ao inferno captada com a tensão máxima por meio da câmera subjetiva, que jogava a platéia no meio da ação.

Entretanto [REC] 2 – Possuídos ([REC] 2, Espanha, 2009) desfaz tudo o que foi construído. Se no original a infecção tinha explicações superficiais, mas suficientes para a aceitação do público – pesquisas mal sucedidas com crianças –, aqui se revela uma trama que envolve possessão demoníaca e religião de maneira profunda, o que não tem qualquer ligação lógica com os eventos vistos em 2007. Em certo momento, um personagem diz que aquele não é um vírus comum, o que é evidente, ainda que sem sentido, uma vez que o infectado não fica doente, mas possuído por uma entidade diabólica.

Algumas soluções são inteligentes, os diretores evitam a repetição da primeira trama ao enviar uma equipe de policiais para o prédio infestado com outra missão, ao lado de um representante do governo espanhol. Para manterem a estética YouTube, seguem os acontecimentos através das câmeras dos capacetes do grupo tático, regras estabelecidas logo na primeira cena. Assim, é triste perceber que Balagueró e Plaza se sabotam ao incluírem créditos entrecortando a ação inicial – vaidade ou questão mercadológica? –, o que lembra ao espectador que se trata apenas de um filme.

[REC] 2

E esse não é um problema isolado. Alguns cortes que deveriam ser ocultos estão evidentes, em dois ou três momentos há trilha sonora não diegética e Rosso, policial que carrega a câmera principal, mesmo nas cenas mais movimentadas, sabe enquadrar com perfeição os personagens que dialogam. E pior: ele pouco interage, quando o faz e larga a câmera é o exato instante que convém ao roteiro, momento em que se passa a acompanhar três adolescentes entrarem no prédio. Tudo isso mata a principal ferramenta de tensão do longa, a simulação de que aquilo é real.

Todavia o que mais irrita é perceber o quanto o plot da franquia foi deturpado. De que adianta manter a qualidade dos ataques das criaturas – a cena do duto de ar é medonha e claustrofóbica -, se no fim das contas a justificativa para a trama lembra o ridículo filme da série Sexta-Feira 13, Jason Vai para o Inferno? Em uma palavra: verme. Se Medeiros continua bizarra, a volta de outro personagem torna as coisas ainda mais sem rumo.

Não que mais um filme de zumbis fosse necessário há três anos, mas os espanhóis souberam fazer de [REC] relevante – em seu desfecho, criaram uma das cenas mais apavorantes da história do Cinema e surfaram na onda do terror mundial. O molde, pelo visto, foi perdido, já que os próprios criadores não souberam reeditar o sucesso. Não que eles precisassem voltar ao prédio em Barcelona. A história já estava contada.

Nota: 5

[REC] 2


Clipando

Comecei o Clipando para mostrar como muitos diretores de talento vieram do mundo dos videoclipes, mas há gente que dá uma escapada do meio cinematográfico para variar as atividades. Caso de Johnny Depp. Um dos melhores atores atualmente dirigiu um filme em 1997, O Bravo, com Marlon Brando, recebido com certa frieza pela crítica. Também atuou atrás das câmeras no clipe de ‘Unloveable’, da banda Babybird

Esteticamente é belíssimo, com fotografia predominantente em P&B, faz uso de uma paleta de cores limitada, mais vivas de acordo com que o protagonista se aproxima de sua família ao fugir da execução. 

Assim, Johnny Depp é quem estréia o Clipando na nova fase do Cinefilia, depois de David Fincher, Michel Gondry, Rob Zombie, John Landis e Mark Romanek.


Resumo

Esta é uma área do Cinefilia na qual escrevo sobre todos os filmes que assisti fora dos cinemas durante a semana. É o mesmo Resumo da Semana da fase antiga do blog. 

Sympathy for Mr. VengeanceSr. Vingança * (Boksuneun naui geot, Coréia do Sul, 2002). De Chan-wook Park

O primeiro filme da Trilogia da Vingança de Chan-wook Park surpreende pelo ritmo arrastado de uma história que deveria passar bem mais angústia e violência do que procurar ser contemplativa. A impressão é a de que a narrativa está sendo esticada até o momento de virada, quando, aí sim, o filme deslancha em sua metade final. O problema é a insistência do roteiro em plantar pequenos segredos na primeira metade e simplesmente não explicar nada, o que tira o norte do espectador e causa certo desconforto quando tudo é desencadeado se mostrando bem mais simples do que parecia. Fora a presença de um personagem – que entra em cena com mais de uma hora de filme – cuja função é puramente catalisadora, ganhando atenção desnecessária e características marcantes, mas sem por quê. Dos 120 minutos, tem 60 de excelente qualidade, mas até eles é preciso paciência para suportar a arrastadíssima primeira hora. Nota: 6,5

The 4th KindContatos de 4º Grau * (The Fourth Kind, EUA/Reino Unido, 2009). De Olatunde Osunsanmi

Sinceramente não vi nenhum mal na tentativa dos realizadores em ludibriar a platéia de Contatos de 4º Grau ao afirmarem que as imagens que iriam acompanhar seriam verdadeiras. Holocausto Canibal, A Bruxa de Blair, Mar Aberto e Atividade Paranormal também estavam nesse time e ninguém reclamou. Não posso condenar um produtor e seu diretor de quererem criar uma aura à sua realização. O problema do longa é o próprio longa. Criando tensão e até assustando em determinados momentos, aos poucos você percebe que a fita não tem muito o quê mostrar e se transforma num grande anticlímax com dramas fajutos. A paranóia que poderia se esperar de uma fita com a temática extraterrestre simplesmente não existe, temos um depoimento e algumas imagens impactantes, mais nada. Fora que se podemos até crer na figura da Dra. Abbey Tyler, profundamente marcada pelos acontecimentos que relata, a idéia de filmar os acontecimentos e montar paralelamente o “real” e o “ficcional” dilui o drama da personagem, uma vez que o espectador é lembrado a todo o tempo que aquela cena que passa ao lado da original é uma “mentirinha” e não há quem se identifique com aquilo. A pergunta que fica é: Por que não produzir como um mockumentary? Nota: 5,5

OnceApenas Uma Vez * (Once, Irlanda, 2006). De John Carney

Apenas Uma Vez é antes de tudo é uma declaração de amor à música. É a partir dela que os protagonistas se encontram e começam seu belo relacionamento, é por ela que suas vidas começam a mudar e é ela quem guia os sentimentos postos na tela. Cada uma das músicas reflete o momento pelo qual eles passam. E o mais certeiro do longa: todos são músicos de verdade. Quando cantam, a sinceridade é elevada à décima potência, vide a cena em que Glen Hansard canta sozinho, já à noite, e Markéta Irglová o observa e se aproxima, num movimento de câmera ao mesmo tempo simples e revelador de como ela está encantada por aquele cara. A forma com que ele toca o violão e exprime a dor na música “Say it to me Now” é único e o casal já ganha o espectador com 15 minutos de filme. Trilha sonora altamente recomendável. Nota: 8

 

No Country For Old MenOnde Os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, EUA, 2007). De Ethan e Joel Coen

Qual o maior mal da sociedade? Violência poderia ser a conclusão tirada ao término de Onde Os Fracos Não Têm Vez. Mas o filme vai além e elabora algumas teses a respeito desse mal. A mais explícita: ganância materializada no dinheiro. Toda a trama é desencadeada por causa dele. Uma negociação de drogas que deu errado e virou massacre, uma mala de dinheiro que rende uma perseguição em que o mal encarnado Chigurh desata um banho de sangue, um homem comum que destrói a própria vida e um xerife que triste, mas ironicamente acorda de um sonho esperançoso e desfaz a imagem corajosa do pai. Tudo elaborado com momentos tensos, personagens inteligentes e um clima de instabilidade incrível. Nota: 8,5

 

 

* Filme assistido pela primeira vez


Sexta no Cinema

Pessoal, vocês conhecem Sexta no Cinema? É a minha coluna sobre os filmes de destaque que semanalmente chegam às salas brazucas. Lá não há críticas, elas estarão aqui no Cinefilia.

Sabe aquela primeira impressão que se tem a respeito de um filme? Pois é dela que falo! Seja essa impressão causada pelas notícias, pelos atores e diretores envolvidos no projeto, pela paixão que o longa desperta a priori ou até mesmo pelo cartaz que soltaram na Internet. Tudo isso são expectativas e toda sexta-feira tem muitas delas por lá.

Ah! E não sejam tímidos, comentem o que acharem da minha opinião. Afinal, mesmo baseado em fatos, é uma coluna, coisa pessoal. Eu levanto a bola, você vai ao Cinema e bate para o gol!

Conheça do Sexta no Cinema.

De cinéfilo para cinéfilos,

Vinícius Lemos