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Crítica: [REC] 2 – Possuídos

[REC] 2 PosterA continuação do sucesso [REC] era inevitável, ainda que desnecessária. Perderam os fãs de um excelente terror, que se não foi revolucionário, deixou muita gente grudada na cadeira.

O longa de Jaume Balagueró e Paco Plaza seguia bem a lição que Extermínio ensinou: menos zumbis lerdos e mais seres raivosos, numa junção muito feliz com a estética de A Bruxa de Blair, copiada até mesmo pelo papa dos filmes do gênero, George Romero, no criticado Diário dos Mortos. Os ataques das criaturas nunca foram tão reais quanto na lente de Ângela Vidal e companhia. Uma verdadeira descida ao inferno captada com a tensão máxima por meio da câmera subjetiva, que jogava a platéia no meio da ação.

Entretanto [REC] 2 – Possuídos ([REC] 2, Espanha, 2009) desfaz tudo o que foi construído. Se no original a infecção tinha explicações superficiais, mas suficientes para a aceitação do público – pesquisas mal sucedidas com crianças –, aqui se revela uma trama que envolve possessão demoníaca e religião de maneira profunda, o que não tem qualquer ligação lógica com os eventos vistos em 2007. Em certo momento, um personagem diz que aquele não é um vírus comum, o que é evidente, ainda que sem sentido, uma vez que o infectado não fica doente, mas possuído por uma entidade diabólica.

Algumas soluções são inteligentes, os diretores evitam a repetição da primeira trama ao enviar uma equipe de policiais para o prédio infestado com outra missão, ao lado de um representante do governo espanhol. Para manterem a estética YouTube, seguem os acontecimentos através das câmeras dos capacetes do grupo tático, regras estabelecidas logo na primeira cena. Assim, é triste perceber que Balagueró e Plaza se sabotam ao incluírem créditos entrecortando a ação inicial – vaidade ou questão mercadológica? –, o que lembra ao espectador que se trata apenas de um filme.

[REC] 2

E esse não é um problema isolado. Alguns cortes que deveriam ser ocultos estão evidentes, em dois ou três momentos há trilha sonora não diegética e Rosso, policial que carrega a câmera principal, mesmo nas cenas mais movimentadas, sabe enquadrar com perfeição os personagens que dialogam. E pior: ele pouco interage, quando o faz e larga a câmera é o exato instante que convém ao roteiro, momento em que se passa a acompanhar três adolescentes entrarem no prédio. Tudo isso mata a principal ferramenta de tensão do longa, a simulação de que aquilo é real.

Todavia o que mais irrita é perceber o quanto o plot da franquia foi deturpado. De que adianta manter a qualidade dos ataques das criaturas – a cena do duto de ar é medonha e claustrofóbica -, se no fim das contas a justificativa para a trama lembra o ridículo filme da série Sexta-Feira 13, Jason Vai para o Inferno? Em uma palavra: verme. Se Medeiros continua bizarra, a volta de outro personagem torna as coisas ainda mais sem rumo.

Não que mais um filme de zumbis fosse necessário há três anos, mas os espanhóis souberam fazer de [REC] relevante – em seu desfecho, criaram uma das cenas mais apavorantes da história do Cinema e surfaram na onda do terror mundial. O molde, pelo visto, foi perdido, já que os próprios criadores não souberam reeditar o sucesso. Não que eles precisassem voltar ao prédio em Barcelona. A história já estava contada.

Nota: 5

[REC] 2

3 responses

  1. Cássio Guedes

    Excelente crítica… bons argumentos, bem fundamentado… um pablinho já… huauhahuahua
    Parabéns pelo trabalho…

    24 de Setembro de 2010 às 3:10 AM

    • Pablinho? *rs Valeu!

      24 de Setembro de 2010 às 12:03 PM

  2. Muita gente detestou, mas eu acabei gostando, apesar dos exageros nas explicações (demônios? aff). Conseguiu me deixar tenso e assustar em diversas partes.

    http://avozdocinefilo.blogspot.com.br

    16 de Julho de 2012 às 10:10 AM

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