Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (20 a 26 set)

Esta é uma área do Cinefilia na qual escrevo sobre todos os filmes que assisti fora dos cinemas durante a semana. É o mesmo Resumo da Semana da fase antiga do blog. 

Three O'Clock HighTe Pego Lá Fora (Three O’Clock High, EUA, 1987). De Phil Joanou

A insistente presença de relógios em vários momentos de Te Pego Lá fora é uma boa sacada do diretor Phil Joanou. Ele lembra a todo instante do desespero de Jerry Mitchell, o nerd que arrumou confusão com Bud Revell, o bad boy da escola. Mas para que o filme funcione é preciso que a tensão vá aumentando com o passar dos minutos apontados pelos relógios. Assim, é de se aplaudir as situações tragicômicas pelas quais Jerry passa para fugir da briga com Bud. Há até um momento em que se pensa que ele conseguiu se livrar do valentão. Mas como o longa é produzido nos anos 80, a honra do fracote fala mais alto e a luta continua de pé. Não que haja grandes surpresas, mas a trama envolve quem a acompanha na busca por uma saída daquele pesadelo de qualquer pessoa que um dia esteve na escola pôde passar, em menor ou maior grau. Clássico das sessões da tarde. Nota: 8 

The RoadA Estrada* (The Road, EUA, 2009). De John Hillcoat

Se O Livro de Eli consegue unir certa dose de drama, uma pitada de crítica social e muito espetáculo, A Estrada quer saber até onde se consegue manter a humanidade. Para isso usa de uma situação limite: um mundo arruinado por algum tipo de cataclisma no qual sobreviver é o único motivo de continuar de pé. Para o personagem de Viggo Mortensen, entretanto, a vida ainda tem algum sentido a não ser o instintivo, seu filho vivido por Kodi Smit-McPhee. Ele já perdeu as esperanças há tempo, assim como a esposa, que não agüentou a situação pela qual tiveram de passar. As provações são colocadas quase que sem descanso: fome e violência são as piores delas, o que amargurou aquele homem que os flashbacks mostram ter sido bem mais cândido. E durante essa luta para dar algum tipo de futuro ao filho, ele é confrontado a todo momento pelas lições de humanidade que ensinou ao garoto. Duas cenas são exemplares: o velho que recebe a atenção do menino e o ladrão humilhado pelo adulto enquanto o filho assiste a tudo incrédulo, vendo o mesmo desespero pelo qual passa naquela pessoa. A Estrada é um filme mal, não poupa seus personagens, ainda que saiba falar da alma do homem como poucos. Nota: 8,5 

Angel HeartCoração Satânico* (Angel Heart, EUA/Canadá/Reino Unido, 1987). De Alan Parker

Coração Satânico fala sobre a perdição eterna. É um filme sombrio e desperançado, que também aborda a alma humana, mas de como ela pode ser corrompida e que esse é um caminho sem qualquer chance de redenção. Robert De Niro tem dois diálogos reveladores nesse sentido com Mickey Rourke. Um acontece logo quando se conhecem,  De Niro deixa claro o motivo pelos quais contrata os serviços do investigador Rourke ao dizer que não é empresário do artista com o qual tem um contrato. Repare como o detetive se sente desconfortável ao falar com o contratante. Depois vem o momento em que De Niro come um ovo cozido, sugerindo muito mais do que um simples encontro para atualização da investigação. As sugestões são o forte do longa, que é violento de várias formas, seja graficamente ou na própria busca de Rourke, que em si é uma absurda tortura quando se descobre o motivo de tudo aquilo. Não há inocentes e são poucas as narrativas em que o Inferno ascende à Terra como neste longa de Alan Parker. Nota: 8,5 

The X-files - Fight the FutureArquivo X – O Filme (The X-Files – Fight the Future, EUA, 1998). De Rob Bowman

Eu era fã incondicional da série que marcou a década de 1990. O melhor da primeira inserção dos mundo X-er nos cinemas, ainda em 1998, é que ele funciona tanto para quem acompanhava temporada por temporada, como para quem fazia contato pela primeira vez com os dramas de Mulder e Scully na busca pela verdade. Claro que os admiradores tiveram mais motivos para comemorar. Primeiro porque o filme serviu de ponte entre temporadas da série (não me lembro exatamente quais), depois por proporcionar um dos momentos mais tensos sexualmente entre os protagonistas – algo inédito até então -, além de explorar com inteligência a conspiração entre homens e extraterrestres ao inserir vários elementos desta no enredo do longa, que é sempre adjacente ao mote principal da série. Os não-iniciados, entretanto, podem ver um bom thriller, cheio de intrigas e movimentado, revelando segredos aos poucos sem ser pedante. Ainda que tenha achado alguns elementos mais fracos do que quando os assisti pela primeira vez – a exemplo do desfecho apoteótico, quando Mulder vai até o Pólo Sul como se pegasse um vôo comercial, e toda a seqüência dentro do QG inimigo. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

2 responses

  1. A Estrada? oO

    Um dos melhores livros que já li, vou assistir ao filme esta semana!
    Só espero que ele supere minhas expectativas assim como o livro, o que geralmente não acontece. rs

    28 de Setembro de 2010 às 9:14 PM

    • Mídias diferentes. Livro e filme. É um filme belíssimo e complexo, eu adorei.

      28 de Setembro de 2010 às 11:20 PM

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