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Crítica: Ilha do Medo

Shutter Island posterHá quem diga que Michael Mann é o “diretor dos diretores” devido sua técnica. Martin Scorsese, no entanto, poderia muito bem ter tal título, não só pelas homenagens que faz aos clássicos em Ilha do Medo (Shutter Island, EUA, 2010), mas por ser um estudioso e amante do Cinema tão fervoroso.

No projeto mais recente do ítalo-americano, aquele clima de filme anos 50 está lá, pesado e alinhado a uma elegância de cenas como a que abre o filme, que faria um Sergio Leone sorrir orgulhoso, isso enquanto Scorsese mostra toda sua personalidade ao criar um clima de loucura que em cinco minutos você pode identificar sua assinatura sem ter visto os letreiros: planos milimetricamente postos e ensaiados, ângulos inusitados e ação próxima da plateia como nenhum 3D ainda conseguiu fazer. Além da presença de Leonardo DiCaprio, atual parceiro e talento polido pelo cineasta.

Desde a primeira cena, Leo mostra o quanto cresceu como ator nos últimos trabalhos, sendo três, além deste, ao lado de Martin. Sempre com a testa franzida e olhar aguçado, demonstrando preocupação, ele é o investigador da polícia federal Teddy Daniels, que vai a um manicômio junto ao parceiro Chuck (Mark Ruffalo) para tentar descobrir o que aconteceu a uma paciente desaparecida na tal Shutther Island. Sem se entregar ao óbvio, nem aderir à onda de violência pela qual o cinema norte-americano passa, Scorsese mergulha o personagem num clima denso de conspiração e tensão, de onde quanto mais se sabe, mais as coisas parecem não fazer sentido. Ao mesmo tempo em que Daniels tem de lidar com a recém perda da esposa.

Shutter Island pic1

Ilha do Medo tem muito mais de paranoia do que realmente de medonho, ainda que a fotografia fria do longa faça com que tudo, mas absolutamente tudo, pareça opressivo e, de certa forma, amedrontador, vide a verdadeira masmorra onde se encontra Jackie Earle Haley e, mais uma vez, a  enevoada cena de abertura. Mais uma ligação do diretor com produções de décadas atrás a exemplo de A Tortura do Medo ou Horas de Desespero, as quais assustavam pela maldade humana pura e simples, indo além de produções recentes que investem no fio de facas e outros objetos cortantes.

Aliás, o roteiro Laeta Kalogridis (adaptado de Dennis Lehane) é uma verdadeira viagem do mal, não perdoando qualquer personagem, mas que Scorsese filma com tal porte, com tal elegância – a composição da cena entre DiCaprio e Michelle Williams no lago é belíssima, ainda que triste -, que chega a ser incrível perceber beleza numa história tão trágica.

Nota: 9

Shutter Island pic2

8 responses

  1. Vanuza Nobre

    O filme realmente é tudo isso e muito mais. Fiquei hipnotizada com as cenas, tanto que fui pega de surpresa com o desfecho no final do filme. Sabe aqueles filmes que fica na sua cabeça por uma semana, fazendo você pensar e repensar? Esse é um deles.

    7 de Outubro de 2010 às 1:39 PM

    • Roteiro redondo, fechado e, como você disse, hipnotizante!

      7 de Outubro de 2010 às 1:50 PM

  2. Shutter Island, o tipo de filme que não tira nem põe, mas é exatamente igual à literatura. O que é o máximo! Quanto ao galeguinho DiCaprio, precisa nem dizer, né?! rs

    Vai para os meus favoritos do ator e faz jus à nota 9. Massa sua crítica! Lindo o DiCaprio. ^^

    Rs

    7 de Outubro de 2010 às 1:44 PM

    • Leonardo DiCaprio teve uma ano fantástico! Além desse, A Origem!

      7 de Outubro de 2010 às 2:07 PM

  3. Como sempre: textos que nos fazem fik interessadisimooos nos filmes…
    Mas tá me faltando tempo de ir ao cinema.. mas to devendo essa pro DiCaprio.. uahauhahua
    Ahh podiamos marcar depois… sessão cinema.. críticas pesadas e notas baixas..ahauhhauahuahu
    Adoreiii!!!
    bjos

    7 de Outubro de 2010 às 2:13 PM

    • Veja Ilha do Medo hoje! Já chegou nas locadoras… Só demorei a publicar o texto! *rs

      7 de Outubro de 2010 às 2:21 PM

  4. O Texto tá bacana! Ilha do medo é um filme muito bom. Não é o filme da vida do Scorcese, mas tem uma dinâmica legal. Especialmente no final!

    7 de Outubro de 2010 às 10:38 PM

    • Pode não é o melhor de Scorsese, mas da parceria entre ele e DiCaprio é o mais certeiro. De qualquer forma está entre os grandes filmes do diretor.

      7 de Outubro de 2010 às 11:12 PM

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