Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: As Melhores Coisas do Mundo

As melhores coisas do mundo posterTem algo nos adolescentes que encanta. Ingenuidade, revolta e uma fome incrível por viver fazem dessa fase uma das mais conturbadas da vida de qualquer um – mal sabem que os problemas estão apenas começando. Está certo que a ânsia dos teens muitas vezes se transforma na chamada “aborrescência”, algo que qualquer pai sabe do que se trata – insolência é a principal característica. O cinema adora essa turma, seja propondo produtos de consumo rápido, seja tentando colocá-los na tela. Mas a verdade é que poucos conseguem a façanha de fugir dos estereótipos.

Laís Bodanzky e seu As Melhores Coisas do Mundo (Idem Brasil, 2010) conseguiram. A intimidade com a qual a diretora apresenta seus personagens é o tiro mais certeiro da produção. A câmera da diretora coloca o público sentado no chão em meio à roda de amigos, jantando com a família e também sabe quando deixar o protagonista, Mano (Francisco Miguez), em paz. É a história dele que se segue durante 100 minutos e apesar dos chavões, nada mais natural do que dizer que alegrias, decepções e aprendizados se passam durante esse tempo.

A ligação estabelecida com o núcleo principal da trama é quase pessoal – além de Mano, sua mãe (Denise Fraga), irmão (Fiuk), o pai (Zé Carlos Machado) e a melhor amiga Carol (Gabriela Rocha). A naturalidade de cenas como o papo sobre a primeira vez entre Mano e o irmão ou a informalidade dos assuntos entre os garotos na escola levam a plateia para dentro da narrativa. O longa engrena a partir da separação de Denise e Zé Carlos, cujo motivo irá fazer os dois rapazes da casa se revoltarem, além de criar uma grande ferida na mãe.

OK, há problemas. Personagens por vezes clichê (a loira gostosona), ritmo oscilante (excesso de cenas com a problemática relação de Fiuk e a ex-namorada) e final forçado, que até tenta se justificar, mas não há cena alguma que demonstre o tamanho do problema e a radicalidade da solução encontrada por certo personagem.

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Os temas são fortes, envolvem sexualidade, amor e depressão juvenil. Ainda que falte coesão maior entre esses elementos – principalmente o último – dentro da vida dos personagens, Bodanzky consegue extrair emoção e imprimir na tela a energia de tudo o que é vivido pelos jovens, seja no exagero deles, seja na real intensidade dos sentimentos.

Alguns momentos são marcantes. A abertura é genial, provando que o longa será povoado de meninos e meninas, não de homens e mulheres. Há a garota idealizada, o diálogo difícil com o pai ao saber que ele sairá de casa e a arrepiante e delicada seqüência em que mãe e filho atiram ovos na parede – talvez a melhor de todas.

Não fosse pelos minutos finais, mais parecidos com histórias românticas de Goethe – sem a importância do autor -, ou alguns clichês bobos – a descoberta de que o amor está mais perto do que se imaginava -, As Melhores Coisas do Mundo poderia ser, ele mesmo, uma das melhores coisas do Cinema nacional. Não é, mas do jeito que ficou, trata-se de um belo retrato da juventude de muitos que colocam os olhos no filme. E ainda tem “Something” dos Beatles para embalar. Que tal?

Nota: 7,5

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