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Crítica: Robin Hood

robinhood_posterAs chamadas histórias de origem, aquelas que dão conta do passado de um personagem famoso, sempre foram contadas pelo Cinema. Seja em bons longas como O Enigma da Pirâmide (como Sherlock Holmes conheceu Watson) ou em besteiras como Ringu Zero (a origem de Sadako). Mas foi Batman Begins que se tornou a maior referência nos últimos anos ao reiniciar exemplarmente a história de Bruce Wayne na grande tela.

Robin Hood (Idem, EUA/Reino Unido, 2010) bebe da fonte e volta alguns anos para contar a história antes do mito das florestas de Sherwood. Assim como o Homem-Morcego do longa de Chris Nolan, o arqueiro Robin está mais sério e sisudo, o que talvez seja a mudança mais radical no personagem gaiato que povoa as consciências mundo afora. Há pouco espaço para o humor, que surge aqui e ali, mas nem de longe lembra aquele homem afetuoso e brincalhão de outrora, cujo charme advinha justamente dessas características. Para o personagem proposto, então, a escolha de Russel Crowe, acostumado com o tipo, caiu como uma luva. O que não garante o sucesso da empreitada. Essa descaracterização, apesar de correta para a proposta, cria um personagem completamente novo.

Esse Robin Hood inicia o longa com o sobrenome Longstride, lutando ao lado do Rei Ricardo (Danny Huston). É a morte do monarca que precipita toda a trama e fará Robin mudar o nome, conhecer Lady Marion (Cate Blanchett) e combater a nova coroa, que subjuga os aldeões.

Ainda que invista numa narrativa que tem personalidade, o cineasta Ridley Scott não está na melhor forma e não consegue criar cenas de batalhas como fez em Gladiador. Alguns momentos chegam a ser constrangedores. A batalha na praia, já quase no final do longa, é uma versão medieval do desembarque na Normandia de O Resgate do Soldado Ryan. Nem o clichê dos clichês, a câmera subjetiva que viaja como se fosse uma flecha, é evitado. O que não tira totalmente o mérito de Scott. No que se propõe ele executa bem e cria belos planos – os closes em Hood e seu arco são impecáveis plasticamente.

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Ao mesmo, Brian Helgeland consegue ser habilidoso em suas justificativas para quase todos os eventos, mas sofre para criar um romance verdadeiro entre Robin e Marion. Por outro lado sabe tirar ternura real da relação entre o protagonista e o pai de Marion, vivido esplendidamente por Max Von Sidow. Assim como as famosas intrigas políticas em nenhum momento quebram o ritmo de um filme obviamente calcado na grandiosidade das cenas de ação e em seu personagem-título. Pena que transformar o Xerife de Nottingham (Matthew Macfadyen) em um palerma faça parte das escolhas de Helgeland.

Ainda que esse Robin Hood para as novas gerações esteja anos-luz à frente de sua versão com Kevin Costner de 1991 (O Príncipe dos Ladrões), não se pode dizer que houve um crescimento da lenda. Se levar em conta que idéia inicial, Nottingham, contava uma história muito mais ousada, com Robin vilão e o xerife mocinho, terem dado à luz a mais uma versão apenas correta da história em detrimento de um projeto ambicioso, chega a ser um pecado.

Nota: 7

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