Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: HP7

hp7_1 posterHá, basicamente, três coisas a dizer sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part I): a primeira versa sobre o amadurecimento dos personagens, depois sobre a maldade cada vez mais presente na série e, por último, a grande emoção contida na trama. Os três elementos juntos rompem qualquer barreira e preconceito que poderia haver durante esses anos em que os livros de J.K. Rowling vêm sendo adaptados para o Cinema.

Partindo do ponto deixado em O Enigma do Príncipe, o sétimo capítulo da saga mostra o tom soturno desde os créditos iniciais com o símbolo da Warner Bros. se enferrujando, para, em seguida, emocionar pela primeira vez com menos de cinco minutos de projeção. Hermione apaga qualquer menção sua na memória dos próprios pais, numa cena tão rápida quanto tocante. A partir daí, ela se juntará a Harry e Ron para a busca pelas Horcruxes, que poderiam destruir Lorde Voldermort.

Enquanto o vilão deixa claro que a série HP já foi coisa de criança com uma personagem moribunda de olhos virados sendo devorada por uma cobra, a busca dos protagonistas pelas peças se transforma num verdadeiro tormento. Levado inteligentemente pelo diretor David Yates em ritmo lento, ainda que cadenciado, transpondo a tela e mergulhando a plateia na dificuldade daquela missão.

Os poucos momentos de alívio, então, se sobressaem. A exemplo da divertida seqüência da fuga de Potter, que envolve vários personagens tomando a forma do bruxo, mostrados numa panorâmica com ótimos efeitos visuais na transformação dos atores em Daniel Radcliffe. Ou mesmo a belíssima cena em que Harry e Hermione buscam um ao outro para uma dança no intuito de esquecer, por alguns segundos, a dor de sua caminhada – num uso primoroso da música diegética, que cresce ao se aproximarem e desfaz quando são interrompidos.

Hp7_1 picHermione

Ambas as cenas demonstram a confiança que Yates ganhou do público de Harry Potter. Entregando o terceiro longa com sua assinatura, ele não se furta em estabelecer um clima adulto no filme. Primeiro porque o roteiro adaptado se faz maduro. Enquanto os Comensais da Morte ascendem em busca do poder, os chamados trouxas (não-bruxos) são perseguidos e julgados, numa clara referência ao nazismo ou mesmo à Inquisição. O julgamento presidido por Dolores Umbridge, em seu palanque alto e o réu diminuído no meio de uma quase arena, é a demonstração maior disso. Além do mais, as escolhas do cineasta são sempre inteligentes. Num contexto política e pessoalmente tenso, ele filma com a câmera no ombro, nervosa e inquieta, sempre que os personagens estão num momento de preocupação. Além da forma utilizada por dois Comensais para atacarem Harry, Hermione e Ron num restaurante lembrar os atentados de gangsteres e mafiosos em produções como O Poderoso Chefão ou Os Bons Companheiros.

Chegando ao ápice da maturidade/horror numa pesada cena em que projeções de Harry e Hermione se beijam nus e insultam Ron, o filme ainda ganha muitos pontos com a direção de arte criativa e sombria – muitos ambientes lembram as linhas tortas do expressionismo, a exemplo da casa dos Weasley -, o longa adia seu clímax por meio de uma cena inesperadamente emocionante, que segue a ótima animação cuja narrativa explica o título do filme.

Apenas por ser tão adulta e criar um arco de crescimento dos personagens tão pungente, a série Harry Potter merece muito mais respeito do que o reservado a uma mera superprodução. Aqui você é impactado e emocionado como em nenhum outro momento nesses nove anos que separa As Relíquias da Morte – Parte I do infantil A Pedra Filosofal. E esta foi apenas a primeira metade do epílogo.

Nota: 8,5

Hp7_1 picHarrys

7 responses

  1. A primeira parte de As Relíquias da Morte mostrou para um público mais amplo o que os fãs de HP já sabiam há muito tempo: a história é bem mais densa e impactante do que se poderia pensar à primeira vista. Tudo funciou bem neste filme, e a cena do Dobby no final… Genial!

    10 de Dezembro de 2010 às 5:59 PM

    • Um filme que realmente superou todas minhas expectativas! Ótima direção.

      10 de Dezembro de 2010 às 7:49 PM

  2. O filme é realmente bom, o que destaca no contexto geral, é a demonstração de amadurecimento da franquia. J.K. Rowling e os diretores que com ela trabalharam, souberam acompanhar o amadurecimento da história de forma perfeita.
    Um único detalhe que na minha opinião poderiam ter explorado mais, é a despedida de Harry do Tio Valter, Petúnia e do Duda (que nem aparece no início da história). No livro eles se despedem com um pouco de vergonha, mas se despedem. Seria uma ótima cena de redenção.
    Quem sabe eles ganhem destaque no final. Difícil, mas não impossível.

    12 de Dezembro de 2010 às 2:54 PM

    • O amadurecimento visual e temático de HP no Cinema chega ao patamar máximo aqui. Mau, sombrio e triste.

      12 de Dezembro de 2010 às 2:57 PM

  3. Podemos esperar mais obscuridade para HP 7.2 quando Voldemort chegar ao ponto máximo de sua maldade.

    12 de Dezembro de 2010 às 3:04 PM

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