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Crítica: Tron – O Legado

Tron-Legacy-PosterÉ simplesmente impossível começar qualquer texto sobre Tron – O Legado (Tron – Legacy, EUA, 2010) sem comentar o seu antecessor. O longa, Tron – Um Odisséia Eletrônica, de 1982, foi pioneiro no uso de efeitos visuais criados em computadores em larga escala, algo tão à frente de seu tempo que a Academia não o premiou com o devido Oscar dizendo que aquilo era um tipo trapaça. Mal sabiam o que o futuro reservava.

Pois, separada quase três décadas do original, essa continuação começa justamente assim, relembrando ao público neófito do que se tratou a primeira trama dentro do game em que Jeff Bridges foi se torna herói com suas motos de luz. E logo de saída o filme de Joseph Kosinski se exibe pondo na tela o ator sem as rugas que adquiriu nos últimos 28 anos, contando a aventura high tech oitentista ao filho. O que de certa forma dá uma sensação ruim, já que a maquiagem digital não convence, fazendo do rosto de Bridges um tipo borracha pouco expressiva.

Kevin Flynn (Jeff) desaparece e por anos o filho, Sam (o sem sal Garrett Hedlund) irá procurá-lo até descobrir que o pai voltou a  Tron, o jogo criado por ele e que o abduziu. Sam o acompanhará na Grade, como é conhecido aquele mundo.

Tudo meio que acidentalmente e apressado. Afinal, o calcanhar de aquiles de O Legado é justamente o fraco roteiro de Edward Kitsis e Adam Horowitz. Expandindo o “universo trônico”, os autores criam um tom religioso ao longa, no qual Deus e o Diabo tem seus representantes, inclusive com um Criador (Flynn) e um tipo de Anjo Caído (Clu), que irá guiar uma rebelião. Entretanto os acontecimentos se sucedem sem muitos porquês. Por exemplo, existe um plano de invasão do mundo real por parte dos programas de Tron, mas não há qualquer menção de como eles irão fazer isso: se materializarão entre os humanos? Invadirão mentes ou computadores? Talvez seja melhor nem pensar nisso, pois a trama teria de dar uma volta muito grande para se justificar.

Tron Legacy pic1_Flynn_Renzler
Fora que o ritmo do filme é dos mais arrastados para quem capricha nas cenas de ação. Se a empolgação é elevada exponencialmente na ótima corrida de motos 2.0, mais à frente o expectador tem de segurar os bocejos nos inúmeros diálogos expositivos os quais, lá pela quarta ou quinta explicação sem pé nem cabeça (de onde Flynn tira a identidade secreta de Renzler?), não servem para muita coisa.

Sobra, então, para o visual fantástico a missão de conduzir Tron – O Legado até o último dos longos 127 minutos. E no quesito “encher os olhos”, a produção merece 10. Usando a mesma lógica cor/P&B de O Mágico de Oz, enquanto os personagens estão no mundo real, o longa é um 2D comum. Já quando Sam chega à Grade, o 3D é acionado, ajudando a criar um mundo que leva à frente os ambientes neons da década de 1980. A direção de arte é belíssima e complexa, mesclando transparências e luzes, muitas luzes. O que justifica o uso constante do slow motion na montagem, o qual ressalta cada fotograma. Só não é melhor por que a fotografia escura é prejudicada pelo uso dos óculos 3D.

O capricho nos detalhes também está no som do filme. Não bastando ter uma edição milimétrica  (repare na luta com discos), intricados efeitos sonoros são utilizados. Quando o antigo computador é ligado no Flynn’s, antes de Sam ir para Grade, o ruído da máquina é daqueles que computadores de 15 anos atrás faziam processando.

Com os aspectos técnicos completados pela ótima trilha eletrônica do duo Daft Punk – tão boa que faz todo o trabalho de criar tensão no anticlimático resgate de Quorra -, Tron – O Legado ainda tem tempo de pôr no mundo (ainda que virtual) um David Bowie do séc. XXI com jeitão do Charada de Jim Carrey, vivido por Michael Sheen. Pena que tanto cuidado estético não seja capaz de levar o longa ao patamar de importância que o universo de Tron teve há alguns anos.

Nota: 7

Tron Legacy pic2_Flynn_Quorra

4 responses

  1. Novo modelito Fashion, esse tem q ir pras criticas da Re Tavares kkkkk .. Infelizmente esse filme nao me chamou a atenção não… mas sua crítica como sempre ta impecável. Ainda teremos uma última crítica do ano??? bjoos

    30 de Dezembro de 2010 às 4:13 PM

    • Se der certo ainda haverá mais algumas críticas amanhã… Não sei. Será?

      30 de Dezembro de 2010 às 8:31 PM

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