Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (24 a 30 jan)

running scared posterNo Rastro da Bala* (Running Scared, 2006). De Wayne Kramer

Um belo exemplo de montagem estilosa que dá dinamismo e eleva o interesse pela a trama. Wayne Kramer também ganha muitos pontos com uma direção complexa, cheia de movimento e na mise-en-scène das cenas. A trama é bem inventiva e lembra bastante o estilo de Guy Ritchie. Com ação incessante, o longa cria situações cada vez mais embaraçosas para o personagem de Paul Walker, que precisa correr para encontrar uma bala disparada (assista e entenda) e a arma que a cuspiu. Por vezes cômico, por vezes violento (tanto grafica quanto psicologicamente, vide a ótima sequência com pedófilos), a grande sacada de No Rastro da Bala é não ser previsível e ter ritmo acelerado sem ser vertiginoso. Bem, quase sempre sem ser vertiginoso, a luz neon nas cenas finais, apesar de original, é usada sem moderação. A retina cansada vai acusar o abuso. Entretanto, um filme que consegue dar algum carisma ao aspirante a galã Walker já merece respeito. Nota: 7,5

I Saw The Devil PosterI Saw the Devil* (Akmareul Boatda, 2010). De Ji-woon Kim

Dono de uma filmografia diversificada, indo da comédia de ação das mais divertidas Os Invencíveis até ao terror típico asiático em Medo, o sul-coreano Ji-woon Kim consegue aqui mais um excelente resultado trabalhando suspense e terror literalmente no fio da navalha e ainda criando uma trama sólida e inteligente. E mais: por incrível que pareça, dramática. A história gira em torno de um assassino serial vivido por Min-sik Choi (o mesmo de Oldboy) e de seu nêmesis recentemente conquistado, Byung-hun Lee (o Mal de Os Invencíveis), cuja namorada foi morta pelo psicopata. O longa é plasticamente um primor e mesmo com violência das mais sujas, Kim filma tudo com uma paleta de cores contrastantes entre a brancura fria do inverno e o vermelho do sangue dos corpos. Para os amantes do cinema extremo, I Saw The Devil é cheio de cenas cruéis e/ou pesadas, não tem pudores em mostrar feridas, sexo e tortura (física e mental). Mas tudo muitíssimo bem amarrado com um roteiro que cria uma caçada desenvolvida com cuidado e, mais uma vez, de maldade ímpar. A construção dos personagens merece destaque. O policial de Lee aos poucos vai ao inferno em busca de vingança, numa descida que o colocará lado a lado do inimigo. Este personificado com intensidade tão grande quanto o Oh Dea-su de Oldboy, mas dessa vez sem qualquer remorso e ainda aliado a inteligência só menor que seu impulso de psicopatia. Ao final dos 140 minutos, o cansaço é natural – ainda que não desejado – e muito bem refletido nas lágrimas do personagem que finaliza o filme caminhando aos prantos. Nota: 8,5

The Karate Kid posterKaratê Kid* (The Karate Kid, 2010). De Harald Zwart

Usar o mesmo título para esta refilmagem do clássico juvenil de 1984 é uma verdadeira piada. Afinal, aqui está um atestado de ignorância por parte dos produtores (incluindo papai Will Smith e mamãe Jada Pinkett-Smith) quanto ao conteúdo do filme que vão lançar. Mercadologicamente é necessário, afinal, esta é uma “grife” dos filmes de artes marciais nos Estados Unidos que já rendeu quatro longas – méritos apenas ao original. Contudo, os passos seguidos na trama desse novo Karatê Kid são praticamente os mesmos da fita de quase três décadas atrás. Se você conseguir lidar com o fato de que a luta em questão é o kung fu, pode até sentir simpatia pelo garotinho vivido por Jaden Smith. Apesar de imitar muitos do tics de Will Smith (repare no “uhhh!” de alívio que solta em certo momento), o moleque é carismático, faz cara de choro como poucos e ainda convence no trainamento ao lado de Jackie Chan. O astro de Hong Kong ajuda muito: o personagem é misterioso sem um peso exagerado e lhe é reservado, de longe, o momento mais tocante do filme. O instante culmina a fita e dá lugar ao famoso torneio pelo qual o jovem Jaden terá que passar invariavelmente. Sem o famoso golpe da garça, porém, esses são os minutos mais fracos do filme – e olha que até ali apenas a tal cena com Chan vai  além do simpático. Algo que transforma o que deveria ser o ápice da história, num final dos mais anti-climáticos e forçados – inimigo dando troféu a protagonista e alunos de rival cumprimentando mestre alheio? Isso é muito 1984. Nota: 6

*Filme visto pela primeira vez

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