Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: Incontrolável

Unstoppable posterEm 1994, um filme de ação chamou atenção e recebeu elogios pela criatividade e intensidade. Velocidade Máxima não era uma obra-prima, mas como filme de ação era exemplar ao contar a história de um ônibus que não podia diminuir a velocidade enquanto rodava no trânsito de Los Angeles. Ganhou várias cópias.

Cartilha Jan de Bont aprendida, Tony Scott, inspirado por um episódio real, criou o equivalente para o início da segunda década de 2000. Em Incontrolável (Unstoppable, EUA, 2010) o veículo é um trem que dispara pelas linhas férreas norte-americanas.

O cineasta não tenta criar um novo clássico e os indícios disso estão na quantidade de clichês espalhados pelo roteiro. Algo que o diretor abraça sem muita culpa, seja no descuido de um gordinho desleixado (dos piores clichês) que causa toda a situação, seja na figura do chefe estúpido que só parece ser míope para as melhores soluções (o chefe é sempre tapado). Isso sem contar na dupla que irá salvar o dia.

O novato vivido por Chris Pine chega para o primeiro dia na ferrovia cheio de problemas com a esposa. O calejado Denzel Washington não só irá dar lições no trabalho como na vida para o jovem, numa atuação segura, tranquila e carismática. Pine também não vai mal, misturando a insegurança do primeiro dia e sua verdadeira preocupação, a família. Caso não tivesse dois bons trabalhos de seus atores, Tony (o irmão de Ridley) poderia perder a linha do filme (e vale uma desculpa para o trocadilho). Afinal, a relação mestre/aluno não é nenhuma novidade.

O que ganha o espectador de verdade é quantidade de provações e a maneira na qual elas se encadeiam (leia-se: uma atrás da outra). A situações são limites e a ação simplesmente não te deixa respirar, dirigida com maestria. As forçações de barra, claro, estão lá, mas no fim das contas irão apenas aumentar a diversão.

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Diversão que é estragada pela insistência da inclusão da imprensa como uma espécie de narradora de Incontrolável. Invariavelmente óbvios, os repórteres só entram em cena para sublinhar o que o filme acabou de jogar na cara da plateia. O maior exemplo talvez seja a fala de um jornalista sobre o plano de tentar descarrilar o trem 777. Todos sabem que o veículo está abarrotado de carga combustível, o que não evita que o repórter apareça para dizer o que vai acontecer e pode ser perigoso pois “há vários vagões” com o tal material.

Se irrita a quantidade “breaking news” na tela, a repetição de movimentos de câmera de Tony Scott quase desanda de vez o programa. Repare na lógica da cena em que Denzel e Pine correm para buscar o 777 dando ré na locomotiva onde estão. Em quase todos os diálogos de Washington a câmera faz um travelling da esquerda para a direita acompanhando o movimento de cabeça do ator, que em seguida é enquadrado de frente.

Falta de criatividade que só pode ser perdoada pela maneira como o diretor filma o 777. Em muitos momentos o trem parece humanizado, sempre ameaçador quandoo mostrado de longe e rompendo uma curva rapidamente nos momentos de maior perigo. Ou como na cena em que precisa ser domado para não sair dos trilhos e destruir uma bairro inteiro.

Eletrizante e com desfecho altamente realista, sem planos mirabolantes. Mas que não deixa de lado os travellings e gruas adorados por Tony Scott.

Nota: 7

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