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Crítica: Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles

battle_los_angeles_posterFalcão Negro em Perigo, de 2001, apesar de sua mensagem política distorcida, foi um filme exemplar na ação ao recriar um conflito urbano de maneira realista e incessante. Ponto para a direção de Ridley Scott que tem poucos concorrentes à altura (Fogo Contra Fogo, alguém mais?). Pois Jonathan Liebesman tentou fazer seu próprio filme de guerra urbana com Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles, EUA, 2011). Ficou no quase.

Intensa e nervosa, a produção tem vários pontos em comum com o longa de Scott, só que dessa vez as coisas são um pouco mais simplificadas, pois há um inimigo bem definido e questões éticas não precisam ser discutidas, afinal, é o dos humanos que está na reta contra uma colonização alienígena, algo que facilitaria a vida de Liebesman e do roteiritsa Christopher Bertolini (do horroroso A Filha do General).

De fato, quando focado na ação,  Batalha de Los Angeles é interessante. Sério, tem toda a narrativa voltada para a ação militar, procurando situar o espectador em cada movimento, mesmo que nem sempre funcione da melhor maneira – às vezes parece ser necessário um conhecimento prévio do mapa da cidade.

O filme já começa no meio da guerra, com a trama se desenrolando nas 24 horas anteriores ao conflito, depois de uma rápida e tensa abertura mostrando o tamanho do caos no mundo para depois focar na luta do título. “Não podemos perder Los Angeles”, diz um oficial, deixando claro qual é o último refúgio estadunidense. A câmera está sempre em movimento e a busca do realismo é incansável. Para isso, imagens feitas no ombro e muitas inserções jornalísticas, seja para tentar mostrar o que acontece no resto do mundo enquanto o exército americano luta em casa, seja para dar as primeiras pistas de que se trata de uma invasão. Pena que a urgência buscada na primeira aparição dos aliens via televisão não cause o impacto desejado, terminado, inclusive, com a inevitável  morte da equipe de reportagem.

Battle-Los-Angeles-2
E eis que a originalidade do longa acabe sendo também seu ponto mais fraco: evitando os dramas de “gente comum” para estar 100% dentro da guerra, Invasão do Mundo tinha como material humano soldados num conflito nunca visto antes, algo para o qual nada os preparou, mas falha miseravelmente ao pôr na tela mais do mesmo: draminhas com gente ficando para trás e pedindo para que o amigo entregue a carta de despedida para a mulher. Até uma criança surge lá pelas tantas paras ser alvo da compaixão dos soldados.

Sorte do filme que conta com um ator como Aaron Eckhart. Numa atuação séria e minimalista – repare na mão tremendo depois da explosão de um posto e uma nave –, o ator imprime credibilidade no único personagem que ganha profundidade em meio a um leque de pessoas que não consegue ganhar a plateia. E olha que o roteiro até tenta dar background aos fuzileiros, apresentados rapidamente por meio de letreiros e uma cena que os definiria – surge o engraçadinho, o marido, o enlutado, o futuro pai, etc. Mas não vai dar certo por simplesmente não haver como estabelecer uma ligação –  quando algo acontecer ninguém se importará com o personagem.

Cheio de cenas chorosas e trilha sonora incessante/cansativa no terceiro ato,  Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles ainda dá gancho para continuações (Batalha de Nova York? De Dallas? De Orlando?), as quais dependerão da quantidade de pessoas que procurarão ver o mundo em risco e sendo salvo mais um vez nos cinemas (leia-se: bilheteria), mas que já de saída poderiam ter assistido a um filme que busca uma visão diferente a tantos outros que trataram de invasões alienígenas à Terra. Nessa missão, os realizadores falharam.

Nota: 6

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3 responses

  1. Só tenho uma coisa a dizer: Não se fazem mais filmes de invasão alienígena como antigamente, digo, como Independence Day. Ah, Sinais, claro!

    Ok, ok… Acho que a partir de então sempre que assistir filmes do gênero sairei frustrada da sala de cinema. Nem perderei meu tempo!

    A crítica ficou massa, a nota me surpreendeu. rs

    #filmechato

    24 de Março de 2011 às 7:25 PM

    • Não foi você que chorou vendo esse filme?

      24 de Março de 2011 às 8:14 PM

  2. @aleishow

    Oooorr… Falei zoando, garoto! ¬¬’

    rs

    24 de Março de 2011 às 11:01 PM

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