Go ahead, punk. Make my day.

Hail! Hail! Rock ‘n’ Roll

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Justin Bieber não é rockeiro, fato. E já que vou tratar de um tema que acho tão particular, pensei que seria uma boa ideia começar falando de algo que é consenso. O tema? Bem, se o mancebo canadense que vira a cabeça de muitas garotinhas e garotinhos resolveu atacar também no Cinema, resolvi relembrar alguns documentários rockers  de conteúdo parecido com o de Never Say Never, que traz o rapaz de franjinha contando como superou suas dificuldades até chegar ao estrelado.

Como é? Ele cortou o cabelo? Sem problemas…

Quais seriam as dificuldades enfrentadas, só vendo o filme para saber – se é que elas existem. Mas fato também é que, antes do 17 anos, Bieber conseguiu algo que o The Band só realizou depois  de mais de uma década de estrada: um documentário sobre vida e obra. Para quem não sabe, o The Band foi um influente grupo de folk rock que acompanhou Bob Dylan durante algum tempo e lançou músicas como “The Weight” considerada uma das 50 melhores de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Comparar o peso dos também canadenses com Bieber é o mesmo que comparar as carreiras dos cineastas que filmaram os documentários de ambos. Enquanto Never Say Never é dirigido por Jon Chu, de Ela Danço, Eu Danço 2 e 3, O Último Concerto de Rock (ou The Last Waltz) é assinado por ninguém menos que Martin Scorsese, sim aquele carinha que já dirigiu Os Infiltrados, Os Bons Companheiros e Taxi Driver. A arquitetura de ambos é parecida: enquanto acontece um show, imagens de arquivo e/ou entrevistas também são mostrados, revelando mais sobre os artistas. A diferença básica é que O Último Concerto de Rock registra o fechar das cortinas de um dos grupos mais importantes do Rock, enquanto Never Say Never trata da chega no topo de Justin Bieber.

OK, a comparação pode ser injusta, mas é notório que o astro teen ganhe um filme com status de blockbuster sobre a carreira. Sinal dos tempos, já que hoje a música não vive sem a imagem e, convenhamos, Bieber é tão imagem quanto, dança e música.

Mas cada um tem o astro das massas que merece. Na década de 60 quem arrastava multidões insanas era o The Beatles. O fab four foi um verdadeiro fenômeno entre as adolescentes da época e justamente por isso existe o falso documentário Os Reis do Iê-Iê-Iê. Nele acompanhamos a rotina de fugir das fãs e ser quem são, além de um sem-número de apresentações dos rapazes de Liverpool. A meninada amou, a crítica também – Roger Ebert, um dos maiores críticos ainda vivos, relacionou o filme em seu Top 100 – e os Beatles ainda continuariam a fazer Cinema no não tão amado assim Help! e no psicodélico Yellow Submarine.

Os Rolling Stones também já foram protagonistas de alguns documentários, um deles nas lentes de Jean-Luc Godard. One Plus One (ou Sympathy for the Devil) mostra o grupo em gravações enquanto discute temas com forte apelo à época e papos sobre arte. Não focado exatamente no grupo, mas cuja história mais pungente trata dos Rolling Stones, ainda há Gimme Shelter. O filme ficou famoso pela sequência em que Mick Jagger e companhia assistem a uma grande briga na qual a gangue Hell’s Angel’s, que fazia a segurança para os Stones, e o público saem no braço resultando na morte de quatro pessoas.

Continuando no pique dos Stones e voltando a falar de Scorsese, o diretor captou um grande show dos caras há alguns anos e soltou outro doc., Shine a Light, este sim, buscando obsessiva e lindamente capturar os melhores momentos da banda no palco. Antes disso, Martin ainda tinha feito um filme sobre Bob Dylan, No Direction Home.

E já que você não viu nenhum desses filmes-documento e está anotando todos para depois assistir – assim espero –, acrescente às suas anotações aquele que dá título a esse texto: Hail! Hail! Rock ‘n’ Roll. É Chuck Berry mostrando porque é um dos maiorais com a guitarra na mão. Um documentário divertidíssimo que termina numa apresentação do inventor do passo do pato (ou “duck walk”) ao lado de Keith Richards.

Bom, mas alguém deve ter percebido que eu escrevi no primeiro parágrafo que falaria de docs com “conteúdo parecido com o de Never Say Never”. O que a vida de Lennon, Jagger, Robertson, Dylan e Berry têm a ver com Bieber? Na verdade nada, a não ser o fato de eu querer ter vivido nas décadas de 60 ou 70 para poder berrar ao som de um medalhão do Rock nos cinemas e não ter que ouvir “Baby, baby, baby oooh!”.

*Texto originalmente publicado na Resvista Meio & Midia CULT (ed. 70) – Março de 2011

last waltz

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