Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Abril, 2011

Pixar says “It Gets Better”

Depois de ter criado um deu seus melhores curtas, Day & Night, que tem uma bela mensagem contra o preconceito, agora a Pixar aderiu ao projeto It Gets Better. O objetivo da organização é evitar o suicídio de homossexuais que sofrem com a perseguição e o preconceito, principalmente nas escolas.

A empresa de animações, então, preparou um vídeo simples, mas de grande profundidade, com relatos de pessoas que pensaram em se suicidar ou simplesmente desistir de viver o que eram ao descobrirem sua homossexualidade e sofrerem o famoso bullying.

Não, o vídeo não vai resolver os problemas de quem passa pelo mesmo problema, contudo traz uma mensagem de força e aceitação. Porém, mais interessante é uma empresa de Cinema se preocupar em particpar de um projeto como o It Gets Better num meio tão conservador quanto o da indústria cinematrográfica amercicana. Por isso, o meu respeito.

Assista ao vídeo:


A Origem em 60 segundos…

… E numa animação muito interessante!

*Não viu o filme? Cuidado com os spoilers


Resumo (18 a 24 abr)

The-Social-Network-movie-posterA Rede Social (The Social Network, 2010). De David Fincher

Digo e repito, A Rede Social tem uma das direções mais inteligentes de 2010, o que transformou uma história que poderia ser apenas interessante –  a criação do Facebook – num dos grandes filmes do ano passado. David Fincher subverte modinhas como a utilização de imagens desfocadas para dar outro sentido à narrativa – a valorização do ego dos personagens, sempre em destaque. Além disso, até onde eu sei, foi o primeiro a usar o tilt shit – técnica que cria imagens em miniatura – num filme. Se fosse apenas pela direção a produção já valeria a pena, mas o roteiro também vai muito bem ao fragmentar a narrativa e ser extremamente coeso. Junte tudo isso numa montagem milimétrica e tempere com as atuações de Jesse Eisenberg, Andrew Garfield e Justin Timberlake (sim, ele), mais a fantástica trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross e taí um dos melhores filmes de um dos melhores diretores da atualidade. Quer um defeito? É um longa frio, analisa muito bem os personagens, mas não chega a aproximá-los muito da plateia, o mínimo necessário. Mas funciona bem. Nota: 8,5


Crítica: 72 Horas

nextthreedays_poster72 Horas (The Next Three Days, EUA/França, 2010) sofre do mesmo mal que Guerra dos Mundos: é um filme intenso, mas de final covarde e que praticamente mina tudo o que foi construído até ali.

Escrito e dirigido pelo vencedor do Oscar Paul Haggis, baseado no francês Pour Elle, o longa segue o drama familiar de John e Lara Brennan. Ela é acusada do assassinato de sua chefe e rapidamente o roteiro expõe as bases para que elementos principais sejam explorados. Lara é presa e condenada em minutos, o que faz com que o John desencadeie um plano obsessivo de tirar sua esposa da penitenciaria.

Tanto o desenvolvimento do plano como o aprofundamento dos personagens são o que há de melhor no longa, explorados de forma cuidadosa por Haggis, na direção e no roteiro. Providenciais para que se possa acreditar na motivação do marido, há vários momentos em que se estabelece o amor dele, a exemplo da intimidade da conversa dos dois na cadeia, quando ela fala que sente falta de visitas íntimas ou na brincadeira que fazem com as fotos da família.

O trabalho de Russell Crowe também está irretocável, repare no olhar que ele lança sobre sua mulher na prisão, misto de indignação e amor. Impressiona também como um ator que cria brucutus como o Maximus de Gladiador se torne um homem tão frágil e comum aqui. Exatamente por isso, cenas que mostram a dificuldade de um plano como o dele se encaixam perfeitamente na trama, seja na surra que toma procurando um passaporte falso ou a pressão de tentar abrir uma porta nos corredores da prisão. A sequência chega ao limite da tensão ao colocá-lo sendo confrontado pela direção do presídio.
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Eis que chega o último terço do longa e as coisas começam a se precipitar. Acreditando cegamente na inocência da esposa, cada vez mais sugada pela condenação, mesmo depois de uma reviravolta corajosa, John segue em frente. Marcado por decisões tão difíceis quanto pôr o plano em funcionamento, mais uma vez a situação se torna limite e aflitiva e a expectativa sobre para onde a narrativa se eleva.

Sem medo de deixar ninguém para atrás para conseguir libertar Lara, John deixa de ser um homem comum, usa uma arma de fogo, chantageia e se torna mau. Entretanto, no auge dessa transformação, as decisões que Haggis toma para a trama são de uma covardia ímpar, procurando redenção para seus protagonistas e incluindo um final no melhor estilo da série televisiva Cold Case, com flashbacks “reveladores”. Um desperdício de construção narrativa cuidadosa e sólida para que a plateia vá para casa com um sentimento mais ameno.

Nota: 6,5

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Resumo (11 a 17 abr)

inglourious-basterds-posterBastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009). De Quentin Tarantino

Enquanto assistia a Bastardos Inglórios pela segunda vez, pensava comigo mesmo que o filme era um festival de cenas antológicas, até o momento do encontro da Operação Kino no porão  cheio de nazistas. Acho a cena legal, não me entendam mal. O problema é a autoindulgência de Tarantino, que faz os diálogos se estenderem até quase o aborrecimento. E ela não está isolada, a exemplo de alguns planos-detalhe (o creme no strudel e o cigarro voando até os filmes de nitrato) usados apenas pela beleza de sua imagem. Mas de resto é sempre bom rever a abertra do longa com Hans Landa e Perrier LaPadite numa conversa tensa e que na minha opinião é a melhor coisa que Quentin já concebeu: beleza, diálogos preciosos, precisão técnica e atuações de outro mundo. O quadro em que Shosanna corre com o batente da porta como moldura é de fazer chorar. E não tenho como negar que o “final alternativo” para o Nazismo é uma ótima sacada. Isso sem contar o bom humor da produção. Nota: 8,5

spirited-awayA Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2003). De Hayao Miyazaki

É chover no molhado, eu sei, mas também simplesmente impossível assistir aos filme de Miyazaki e não ficar embasbacado com o cuidado com cada detalhe, seja no ambiente ou na movimentação de seus personagens: há espelhos com reflexos complexos, há muitos adornos, há ambientes abertos, bem como cada calafrio de Chihiro ou tremular de hesitação são perceptíveis. Fora que a história da garota que tem os pais transformados em porcos e entra num mundo paralelo de espíritos tem ação e contemplação nas mesmas proporções, além de uma riqueza de personagens incrível. O filme segue a jovem Chihiro, que passa de menina insatisfeita e chatinha para uma adolescente mais madura, como num rito de passagem que ainda reserva a descoberta do amor para a pequena. Uma belezura. Detalhista, engraçado, delicado e divertidíssimo. Nota: 9,5



Crítica: Fúria Sobre Rodas

drive_angry 3DJunte uma boa dose de personagens boca suja, violência exagerada e gráfica, personagens durões, uma trama demoníaca e você tem tudo o que Fúria Sobre Rodas (Drive Angry, EUA, 2011) pode oferecer. O diretor Patrick Lussier, então, soube misturar os ingredientes de maneira desencanada e entregou um filme divertido.

Não que ele tenha sido perfeito. É até engraçado constatar que em um longa chamado Fúria Sobre Rodas não há qualquer cena de perseguição das boas, estilo Ronin ou Bullitt. Na verdade, há apenas uma grande cena de ação com carros, que no fim das contas é resolvida à bala. De resto, há sequências mais rápidas e um tanto mais inspiradas que a principal delas, a exemplo daquela na ponte, a qual termina com um capotamento e queda exageradamente legais.

A trama é das mais simples, homem (Nicolas Cage) escapa do Inferno (de carro) em busca de vingança enquanto salva bebê das mãos de um grupo de satanistas, o qual pretende sacrificar o recém-nascido para trazer o fogo infernal à Terra. Nesse meio tempo, a bela Amber Heard se junta ao vingador depois do marido a espancar. Paralelamente, o chamado Contador (William Fichtner) vem direto das profundas para buscar o fugitivo.

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Aí entra o ótimo trabalho de Fichtner. Cheio de maneirismos, tiques e ironia, ele parece se divertir tanto quanto quem o assiste, criando aqueles vilões muito mais interessantes que o próprio protagonista. Já Nicolas Cage se mantém (bem) no automático, com cara de mal, olhar fixo e extremamente contido, o que é raro. E se Amber não é gênio, está razoável no tipo “macha”, à lá Michele Rodriguez, só que ainda mais bonita. Diria que Michael Bay pode ter pensado: “Bem que poderia ter feito Megan Fox assim em Transformers?”.

A utilização do 3D, apesar de parecer gratuita e elevar os ganhos do filme, muitas vezes se mostra interessante, com Lussier procurando explorar a profundidade dos quadros para criar efeito estético, a exemplo da cena em que Cage conversa com a garçonete no restaurante ou no flahsback que surge no para-brisa do carro, que cria várias camadas de imagens sobrepostas. Apesar do diretor insistir em usar uma pequena profundidade de campo, ao desfocar o fundo (algo que não funciona bem no 3D) dá um ar de artificialidade a cenas como a do bar. Além, claro, dele sucumbir ao manjado truque de jogar objetos na cara da plateia.

Cheio de frase de efeito –  “Mirem nos pneus!”, “Só beberei essa cerveja se o caneco for a caveira de Jonah” –, o roteiro converge para o irremediável duelo em que inimigos criam outro em comum. E uma pergunta: por qual motivo sempre que dizem para alguém ficar no carro esta pessoa nunca fica? Para dar algo de errado e a narrativa seguir adiante, claro. Clichê, mas se o filme não se leva à sério e consegue divertir, você levaria por qual motivo?

Nota: 7

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Kurt Leto

Kurt Cobain já foi um personagem não-oficial do filme Last Days, de Gus Van Sant. Um novo longa sobre a vida do músico, esse “oficial”, está em andamento nas mãos de Oren Moverman, reponsável por Não Estou Lá, cinebiografia de Bob Dylan que usa vários atores para ilustrar cada uma das fases do folkman. Courtney Love, viúva de Cobain, colabora na produção. Mas até lá muita água deve passar pela ponte, inclusive um vídeo que o ator/cantor Jared Leto soltou recentemente no canal de sua banda, 30 Seconds to Mars, no YouTube.

Nele, Leto interpreta Kurt em duas músicas. Segundo o artista, a filmagem foi feita depois que ficou sabendo do projeto sobre a vida do vocalista do Nirvana. “Eu o fiz para explorar esse personagem e explorar as possibilidades criativas. Nunca enviei esse material ao estúdio ou a qualquer um, mas achei que deveria fazê-lo agora…”, disse.

Leto já interpretou o assassino de John Lennon, Mark David Chapman, no filme Capítulo 27.