Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: Bruna Surfistinha

brunasurfistinha_cartazA cena de abertura de Bruna Surfistinha (Idem, Brasil, 2011) não poderia ser mais esperta: revela o melhor do filme, a montagem, e ainda dá o tom da personalidade da protagonista, uma menina que obviamente precisa de mais maturidade, mas exala sexualidade. Nela, a ainda Raquel liga a webcam de seu computador e começa a dançar enquanto os montadores Manga Campion e Oswaldo Santana utilizam daquela “travadinha” típica desse tipo câmera em transmissões on line para ressaltar a sensualidade da então adolescente.

Esse é mais ou menos um resumo da história que será contada, baseada no livro O Doce Veneno do Escorpião, o qual narra a trajetória de Raquel Pacheco, uma garota hostilizada na escola por, digamos, ser mais saidinha com relação ao sexo e com dificuldade de relacionamento em casa, algo que a faz buscar na prostituição a saída para seguir sua vida longe desses problemas.

Some a isso a imaturidade da garota e o caminho escolhido não será nada fácil. Algo que ela descobre logo no primeiro programa na casa de prostituição gerida pela sempre excelente Drica Moares. A cena é a única em que a boa montagem acaba se sabotando: mostrando a transa de maneira relativamente crua, ela é cortada perto de atingir o ápice, evitando um desconforto maior à plateia.

O bom trabalho de Deborah Secco, no entanto, leva o longa à frente. Apesar de não convencer muito como menininha, a atriz se revela um furacão quando entra para o mundo adulto. Linda e corajosa, o trabalho não poderia ser mais adequado, uma vez que Deborah não se esquiva das cenas mais ousadas. E o diretor Marcus Baldini não tem medo de criar passagens fortes, mas com o cuidado de não se tornar repugnante. Da mesma forma que há o momento em que a já Bruna encontra um cliente com quem realmente gosta de fazer sexo, tudo filmado com preciosidade por Baldini, com imagens mais próximas dos personagens e de fotografia iluminada, cuja cereja do bolo é o “volta”, dito pela garota de maneira terna.

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Desenvolvendo uma personagem que se gaba de ter mais homens em uma semana que a maior parte das mulheres em uma vida, não é à toa que a quantidade de elipses em Bruna Surfistinha seja tão grande e sempre muito boas. Enquanto o diretor espreme a cabeça para criar planos diferentes para cada uma delas – nem sempre consegue, mas vá lá –, os montadores conseguem ritmar os inúmeros clientes que passam pela alcova da protagonista, apostando no bom humor das situações que o roteiro cria, seja no homem que junta moedas para pagar o programa ou no velhinho que que passa o tempo mudando os móveis de lugar com Bruna.

Apesar disso, o roteiro de José de Carvalho, Homero Olivetto e Antônia Pellegrino não foge muito à regra de ouro do sub-gênero cine-biografia, indo da ascensão à queda de Raquel. Ela se torna a garota de programa mais famosa do país por meio de seu blog – algo mostrado de forma genial com os prédios tomados por comentários e posts –, para depois se chafurdar em drogas e dívidas, algo que nunca é deixado totalmente claro como aconteceu – o roteiro justifica falta de grana apenas com uma conversa entre Bruna e sua assistente.

Apesar de tentar desglamourizar a profissão em mais uma elipse num bordel de 20 reais por programa, regada a muita cocaína, Bruna Surfistinha termina num tipo de final feliz, como se não quisesse mandar o espectador para casa com um sentimento ruim, o que não chega a estragar o programa (sem trocadilho), mas que certamente deixa evidente certo pudor dos realizadores.

Nota: 7,5

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3 responses

  1. É… Mais uma situação corriqueira de filme nacional: biografias de ‘brasileiros notórios’. Anyway, Bruna Surfistinha é massa, mas como todo filme brasileiro deixa a desejar, com este não seria diferente. Tá! Preconceituosa sim, mas nenhuma “Bolsonaro”. rs

    Para ser bastante sincera, não me arrependi de ver nas telonas o que obtive com mais detalhes no livro. Ressalva: Só porque se tratou da Secco (pego fácil rsrs). Aos poucos vou perdendo “essa coisa” com o cinema brasileiro, eu espero…

    Ótima crítica! A escolha das imagens ilustrativas não teria sido melhor! Parabéns pelo texto, parabéns pelo seu dia, Bitiiiim!

    7 de Abril de 2011 às 2:27 PM

    • Não é porque o filme é brasileiro que ele deixou a desejar em alguns aspectos, deixa de preconceito, menina!

      7 de Abril de 2011 às 2:29 PM

  2. Para mim é e Zé Fini! =P

    Não se fala mais nisso! (Não com quem entenda do assunto… Tsk, tsk… hahaha)

    7 de Abril de 2011 às 2:33 PM

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