Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: 72 Horas

nextthreedays_poster72 Horas (The Next Three Days, EUA/França, 2010) sofre do mesmo mal que Guerra dos Mundos: é um filme intenso, mas de final covarde e que praticamente mina tudo o que foi construído até ali.

Escrito e dirigido pelo vencedor do Oscar Paul Haggis, baseado no francês Pour Elle, o longa segue o drama familiar de John e Lara Brennan. Ela é acusada do assassinato de sua chefe e rapidamente o roteiro expõe as bases para que elementos principais sejam explorados. Lara é presa e condenada em minutos, o que faz com que o John desencadeie um plano obsessivo de tirar sua esposa da penitenciaria.

Tanto o desenvolvimento do plano como o aprofundamento dos personagens são o que há de melhor no longa, explorados de forma cuidadosa por Haggis, na direção e no roteiro. Providenciais para que se possa acreditar na motivação do marido, há vários momentos em que se estabelece o amor dele, a exemplo da intimidade da conversa dos dois na cadeia, quando ela fala que sente falta de visitas íntimas ou na brincadeira que fazem com as fotos da família.

O trabalho de Russell Crowe também está irretocável, repare no olhar que ele lança sobre sua mulher na prisão, misto de indignação e amor. Impressiona também como um ator que cria brucutus como o Maximus de Gladiador se torne um homem tão frágil e comum aqui. Exatamente por isso, cenas que mostram a dificuldade de um plano como o dele se encaixam perfeitamente na trama, seja na surra que toma procurando um passaporte falso ou a pressão de tentar abrir uma porta nos corredores da prisão. A sequência chega ao limite da tensão ao colocá-lo sendo confrontado pela direção do presídio.
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Eis que chega o último terço do longa e as coisas começam a se precipitar. Acreditando cegamente na inocência da esposa, cada vez mais sugada pela condenação, mesmo depois de uma reviravolta corajosa, John segue em frente. Marcado por decisões tão difíceis quanto pôr o plano em funcionamento, mais uma vez a situação se torna limite e aflitiva e a expectativa sobre para onde a narrativa se eleva.

Sem medo de deixar ninguém para atrás para conseguir libertar Lara, John deixa de ser um homem comum, usa uma arma de fogo, chantageia e se torna mau. Entretanto, no auge dessa transformação, as decisões que Haggis toma para a trama são de uma covardia ímpar, procurando redenção para seus protagonistas e incluindo um final no melhor estilo da série televisiva Cold Case, com flashbacks “reveladores”. Um desperdício de construção narrativa cuidadosa e sólida para que a plateia vá para casa com um sentimento mais ameno.

Nota: 6,5

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