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Crítica: Thor

thor_posterUma história em quadrinhos baseada na Mitologia Nórdica com deuses e batalhas épicas. Uma adaptação cujo diretor é conhecido pelo trabalho shakesperiano. Quando Kenneth Branagh foi contratado, não era estranho pensar em como Thor (Idem, EUA, 2011) poderia ter um tom solene e se transformar num programa chato para quem está acostumado ao ritmo acelerado das histórias Marvel no Cinema. Que bom que ele teve bom senso.

Sem um pingo de empáfia, o cineasta abraçou a aventura juvenil e criou um longa divertido e de bom ritmo. Começa com a eficiente montagem em paralelo entre os acontecimentos em Asgard, onde nasceu e será coroado o personagem-título, e na Terra, para onde ele é mandado após desobedecer o pai por causa de uma tramoia do um dos vilões do longa-metragem. O ritmo estabelecido é bom, evitando a demora para se fazer o salto entre as duas realidades, o que poderia comprometer a narrativa.

O protagonista também é divertido, construído como um verdadeiro peixe fora d’água quando exilado e de maneirismos perdidos no tempo e espaço. Isso mais a personalidade intempestiva que dá origem a uma das melhores cenas de ação do longa, quando ele vai até terra dos Gigantes de Gelo tirar satisfações. E diga-se de passagem, tudo interpretado com tranquilidade pelo novato Chris Hemsworth.

Por falar em elenco, a escolha de Natalie Portman para o papel de Jane Foster é um luxo quase desnecessário, já que mesmo lindinha e simpática, a moça tem pouco background. E o que dizer da escalação de Rene Russo? Como é, você não se lembra de vê-la em cena? Pois ela está lá, é a mãe de Thor, a Rainha Frigga, que praticamente não tem o que fazer na trama. Já o Odin de Anthony Hopkins é esperadamente muito bom, altivo e de nobreza inegáveis, ainda que o ator esteja no automático.

Thor_Chris-Hemsworth

Equilibrando uma direção ágil com momentos dignos de seus filmes mais solenes, Kenneth Branagh abusa dos efeitos visuais – exibidos com movimentos de câmera largos, em panorâmicas ou em gruas virtuais que dão sensação de grandeza –, e mescla cenas que exigem da veia dramática dos atores, a exemplo da “morte” de Odin, que mesmo estúpida, garante o momento Shakespeare inevitável. O porém fica por conta do uso em excesso dos ângulos oblíquos de Branagh. Criando enquadramentos um pouco tortos em momentos em que algo está errado ou quando Thor chega à Terra, ele quer acentuar a sensação de estranheza, mas mesmo quando o protagonista já se adaptou ao novo lugar, lá está o enquadramento em 25, 30 ou 45 graus.

Isso sem contar nos pequenos deslizes do diretor, como o carro que sai da pista mas que segundos antes, na janela, não há qualquer movimento que indique que o veículo vai escapando ou a falta de seguranças armados que cheguem perto de Thor na invasão à base para buscar seu martelo. Detalhes que tiram o espectador da trama, lembrando de que há só um filme ali.

Tudo contrabalanceado por uma dose de bons figurinos e direção de arte muito bonita, além da fotografia iluminada e dourada que realmente faz com que haja saudade do reino de Asgard quando não se está nele –  e entender a agonia do Deus do Trovão longe de casa. Além, claro, das inúmeras referências aos Vingadores (Jeremy Renner como Gavião Arqueiro, citações a Tony Stark e Bruce Banner), projeto no qual está o futuro de Thor.

Nota: 7,5

Thor_Hemsworth-Hopkins*Atenção, há uma cena após os créditos, aguente firme depois da exibição do filme em si.

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9 responses

  1. A crítica tá massa, o filme nem se fala, né?! Só esqueceu de dizer que o Chris Hemsworth (pesquisei no Wikipédia) arranca suspiros femininos (e por que não masculinos) fácil, fácil… rs

    E aumenta essa nota aí, garoto! =P

    12 de Maio de 2011 às 2:40 AM

    • Sem suspiros para Hemsworth, digo que 7,5 está bom 😉

      12 de Maio de 2011 às 2:45 AM

  2. Esta impecável em suas críticas, Lemons. Que bom que tem melhorado e buscado aperfeiçoar. De fato a forma com que colocou o filme me deixou instigado, pois em minha concepção, Thor é um dos heróis mais ‘fodásticos’ que a Marvel possui, seguido de Homem de Ferro e os clássicos seguidos sob a alcunha “Vingadores”. Pretendo agora apreciar esta película no lastimável cinestriste. abs.,

    12 de Maio de 2011 às 2:41 AM

    • Thor, o filme, é bacana, não se trata da melhor produção da Marvel, mas diverte.

      12 de Maio de 2011 às 2:44 AM

  3. P.S. Ouçam “Walk” do Foo Fighters. É linda e está na trilha!!! o/

    http://bit.ly/iRq7po

    12 de Maio de 2011 às 2:51 AM

  4. Grande crítica, Vinícius. Só senti falta da sua opinião sobre Tom Hiddleston, o Loki. Achei a melhor interpretação do filme, apesar de que suas motivações poderiam ser exploradas mais profundamente.

    12 de Maio de 2011 às 3:32 AM

  5. Lemos a sua crítica está simplesmente divina. Você deveria só ter falado um pouco mais de Loki…

    12 de Maio de 2011 às 11:53 AM

    • Realemnte, seria necessário, mas acho que se falasse demais sobre ele poderia estragar a “surpresa” do tipo de personagem que ele é… Se é que você me entende.

      12 de Maio de 2011 às 12:57 PM

  6. Pingback: Resumo (16 a 22 mai) « Cinefilia

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