Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Junho, 2011

Resumo (20 a 26 jun)

reservoir-dogs-posterCães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992). De Quentin Tarantino

Falar bem de Cães de Aluguel é meio que chover no molhado, afinal, o filme tem um roteiro complexo, atuações absurdamente boas e direção criativa ao extremo, cheia de estilo. Tudo já dito em outros comentários sobre o filme. Contudo chama a atenção, paradoxalmente, a simplicidade de toda a trama e como Tarantino vai trilhando caminhos incomuns para que ela seja contada, conseguindo guardar pequenas reviravoltas apenas na maneira como constroi a narrativa: ele “esconde” detalhes da trama conhecidos, mas mostrados em momentos posteriores, o que leva ao impacto da revelção. Quer um exemplo? Logo no início do filme, Mr. Orange aparece se esvaindo em sangue, quando descobre-se a estupidez que levou àquilo é quase frustrante. Quase, afinal, o cineasta segurou a sua curiosidade até o limite para ai sim revelar o que se passou. Fora o final quase trágico envolvendo a figura de Mr. White. E como não podia deixar de citar: que cena aquela da tortura ao policial, não? Nota: 8,5


Há alguns anos…

HP 7.2 está para chegar aos cinemas, mas quem se lembra disso?

HP1_TrioEmma Watson, Daniel Radcliffe e Rupert Grint em foto para Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001)


Crítica: Se Beber, Não Case! Parte II

hangover2_posterO original de 2009 é realmente um filme fantástico, de força tamanha que só assim se explica (sarcasticamente, claro) que uma continuação como Se Beber, Não Case! Parte II (The Hangover Parte II, EUA, 2011) exista.

Claro que a bilheteria monstruosamente inesperada do primeiro é o fator principal para a volta do grupo de amigos que surtou em Las vegas há dois anos, contudo é sintomático que boa parte das  piadas dessa continuação seja repetição. É aquele velho problema das segundas partes feitas a toque de caixa: pegar o que deu certo antes, misturar com algumas novidades, trocar o cenário e inflar tudo para que as coisas pareçam melhores por serem maiores.

Dessa vez, o casório é de Stu (Ed Helms), que está noivo de uma tailandesa e com um pavor terrível de que a bebedeira/ressaca volte a acontecer, evitando, inclusive uma despedida de solteiro ao chamar os amigos para um inocente café da manhã. O casamento, porém, terá que acontecer e os companheiros irão á cerimônia, até mesmo Alan (Zach Galifianakis), que vinha sendo preterido pelo noivo. Obviamente, tanto cuidado não servirá de nada e o filme levará o “wolfpack” para a sarjeta de novo.

O problema é a quantidade de repetecos. A trama é a mesma, basicamente, com alguém desaparecido (Ted, o irmão da noiva vivido por Mason Lee) e um casamento ameaçado. Muitas das boas piadas são contadas novamente: alguém voltará a se envolver com uma prostituta, Sr. Chow (Ken Jeong) pulará pelado de um recipiente em cima de alguém e, sem querer estragar a “surpresa”, as famosas fotos da noitada estarão nos créditos. De novo. O que diferenciaria as circunstâncias seria gravidade das coisas, a exemplo da tatuagem de Stu, que é algo permanente, diferentemente do dente arrancado em Vegas.

hangover 2-2

Bom, pelo menos o programa não é de todo um desperdício. Todd Phillips é um diretor estiloso e dá liga para o filme, em movimentações de câmera e de cenas das boas. Repare nos giros ao redor dos atores quando da ressaca ou no enquadramento de Alan e Ted ao chegarem na Tailândia, no qual o gordinho olha perigosamente tenso para o jovem. Chegando ao ápice no momento em que Phil é agredido por um motociclista repentinamente, o qual estava escondido em segundo plano, desfocado. O que causa a real sensação do personagem agredido.

A montagem também é competente na utilização das câmeras lentas ou na documentação do trabalho de tráfico do macaco, cheia de cortes e efeitos para que o estilo seja mantido.

Todavia, nem o bem-vindo clima de parceria e intimidade com os personagens, que garante (aí sim) boas piadas com elementos do Se Beber, Não Case! original, como as fotos que viram papel de parede no quarto de Alan, ajuda a salvar o filme. E olha que as cenas ultrajantes estão lá (um porco explodido, pênis e travestis nus), bem como a boa utilização de Johnny Cash no despertar dos rapazes (ele canta, adequadamante, “The Beast in Me”). O cheiro de caça-níqueis é mais forte que a bebedeira. Mas a ressaca e a sensação de ter entrado numa fria são parecidas.

Nota: 6

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Resumo (13 a 19 jun)

scott pilgrim_posterScott Pilgrim Contra o Mundo* (Scott Pilgrim vs. the World, 2010). De Edgar Wright

Quem me conhece sabe que tive muito, mas muito receio quando soube do enredo deste. “Como é? Um menino sai na mão com sete ex-namorados da mina que ele tá apaixonado?”. Hoje me envergonho disso. Scott Pilgrim é um dos filmes que melhor traduz a linguagem dos quadrinhos no Cinema, pra começar. Talvez apenas a montagem fantástica de Hulk, de Ang Lee, esteja próxima do longa de Edgar Wright, baseado na HQ de Bryan Lee O’Malley. O trabalho do montadores Jonathan Amos e Paul Machliss é simplesmente irretocável, criando uma narrativa fluída ainda que salte no tempo e no espaço da história de maneira quase frenética. Claro que eles contam com a direção segura e ultracriativa de Wright para isso, afinal, as transições de cena dependem de elementos filmados, além do roteiro, obviamente, que deve prever boa parte das loucuras cênicas. No mais o filme é diversão total, incluindo onomatopeias, ação, sátiras e ótimas piadas, além de um visual absolutamente incrível que se aproxima a todo tempo dos videogames 8 bits. Ah! E ainda tem o elenco muito bom. Para não dizer que tudo são flores, algumas batalhas não terminam de maneira muito climática,  a exemplo do fim de Chris Evans e dos gêmeos asiáticos. Mas não vai estragar o longa, garanto. Nota: 8,5

The NeverEnding StoryA História Sem Fim (The NeverEnding Story, 1984). De Wolfgang Petersen

Já aqui está um filme que desde a primeira vez que o vi não fomos mutuamente simpáticos. A prova está tirada. Realmente acho a narrativa do longa pedante e que vai na descendente ao invés de crescer. Os primeiros minutos são ótimos, principalmente no momento em que Fantasia, o mundo dentro do livro, nos é apresentado via animatronics de primeiríssima, mesmo mais de 27 anos desde sua concepção. A direção de Wolfgang Petersen nesse momento é delicada e cuidadosa. Contudo, se por um lado a direção de arte vistosa ainda é um dos poucos bons atrativos da produção, a história se torna esquemática, forçada e com buracos – se o cavalo afunda no pântano por tristeza, por qual motivo Atreyu não? Fora que não há como negar que um dos grandes atrativos de A História Sem Fim, os voos do dragão (com cara de cachorro) Falkor envelheceram muito mal após encantar na década de 1980. Os efeitos visuais não convencem mais. Mesmo que as atuações do elenco mirim sejam muito simpáticas, o todo, comprovadamente, não é dos mais interessantes. Nota: 5,5

*Filme assistido pela primeira vez


Clipando

Michael Moore é o rei da polêmica nos Estados Unidos e uma das personalidades mais odiadas/amadas do Cinema com seus documentários, a exemplo de Tiros em Columbine e Fahrenheit 11 de Setembro.

Mas ele também fez das suas no mundo dos videoclipes. Em 1992, Moore pôs a banda Rage Against the Machine para fazer fazer barulho em plena Wall Street. Eles estavam proibidos de fazer aquilo, o que não impediu banda e cineasta de estarem lá. O resultado é o clipe de ‘Sleep Now in the Fire’, um dos melhores hits do grupo.

Tirando uma certa ingenuidade do programa de TV falso que ele cria, a ironia e desobediência fazem bem o serviço.

Confira.


Resumo

Despicable-Me-PosterMeu Malvado Favorito* (Despicable Me, 2010). De Pierre Coffin e Chris Renaud
 
Ter um bom personagem, direção e motangens bacanas e uma animação pra lá de eficiente não é suficiente quando o roteito não ajuda. Meu Malvado Favorito é dos mais graciosos e realmente prende a atenção, entretanto, a história a ser contada é capenga e maniqueísta. Pena, pois ao mesmo tempo que cria um protagonista tridimensional, quase o sabota devido à falta de criatividade em pôr no mundo um arco narrativo. Assim, o malvadão Gru (em ótima dublagem de Steve Carell) pena não só na mão das crianças que adota, como também do roteirista Cinco Paul e Ken Daurio, que criam o velho processo de “desvilinização” por meio da redenção. Se Gru é um vilão que quer roubar a lua, logo deixará seus os planos malévolos pelo amor de suas três filhas. Claro que se fosse bem explorada, a guinada poderia ser muito boa. Não é o caso, pois assim que convém, alguém vai estragar a brincadeira de qualquer maneira, apenas para dar motivação para a narrativa continuar. A montagem faz transições fabulosas (como a negação de Gru para o balé das garotas), o que ajuda, assim como a direção que busca não ser óbvia (gostei bastante dos enquadramentos mais abertos). O que salva o dia é o personagem principal, movido pela vontade de ser alguém para a mãe o que, incrivelmente, dá um bom background para ele e vai justificar sua megalomania. As crianças são umas fofuras, mas quase são alvo de pieguice num filme que se equilibra por meio de sua frágil história versus um bom personagem, este sim escrito de maneira mais decente. Nota: 7
 
* Filme visto pela primeira vez

It goes to show you never can tell

 

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Via @jessblock e @poisonouss