Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: HP 7.2

harry-potter-deathly-hallows-2Muito além do bom filme que é, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2, EUA/Reino Unido, 2011) é a vitória de um projeto ambicioso e que soube aliar, em 10 anos, vontade mercadológica e artística.

Partindo exatamente de onde a história foi deixada no longa anterior, a narrativa já se inicia sombria, no mesmo tom de  Relíquias da Morte – Parte 1, relembrando a morte de Dobby e a difícil missão de Potter e dos companheiros Hermione e Ron para destruir as horcruxes. E é bastante significativo que a primeira criatura não-humana a aparecer no filme seja um duende nada carismático, com seus dentes afiados e orelhas pontudas. O universo, ainda que mágico, tem pouco espaço para o encanto.

Os minutos iniciais são de silêncios, diálogos esparsos e trilha melancolicamente econômica. É aqui também que o 3D convertido do longa é testado, se mostrando bastante discreto, ainda que deixe uma ou outra paisagem mais interessante. Bem poucas na verdade, como um dementador que passa muito próximo da câmera ou a casa na praia, na qual muitos elementos estão focalizados. Na maior parte do tempo, porém, o castelo de Hogwarts, fotografado de forma escura, acabada tendo detalhes ocultos pelo uso do óculos 3D.

Mostrando que David Yates se tornou um dos pais da saga, mais uma vez ele mostra inteligência na direção de seu quarto filme da série. Para evitar que os inúmeros diálogos, muitas vezes explicativos, se tornem um fardo após as primeiras descobertas, Yates põe seu elenco sempre se movendo, a exemplo da ótima conversa entre os protagonistas sobre as horcruxes: depois de se molharem, a câmera se movimenta ao redor deles enquanto se trocam e as falas vão acontecendo, dando ritmo à cena, para que não se transforme em teatrinho filmado.

Ele também faz rimas visuais. Assim que uma das partes da alma de Voldemort é destruída, tanto Harry, quanto o vilão sentem uma dor no braço. Yates mostra a cena com um travelling na mesma direção, mas em sentidos opostos, deixando clara a ligação entre vilão e mocinho e os propósitos contrários deles. Pena que o cineasta tenha um gosto exagerado em fazer a câmera passar por vidros ou  transparências sempre que pode. Até cansar a plateia.

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Mas que logo é compensada pela formação militar na marcha dos alunos ao serem chamados pelo agora diretor de Hogwarts, Severo Snape, que assim explicita o tipo de regime ditatorial a escola vive. Aliás, é sempre um prazer ver Alan Rickman na pele do mago, com sua voz pausada e ameaçadora. Assim como é muito bom perceber que a criatividade que marcou a série não se perdeu para que as pontas da história sejam amarradas. Seja no feitiço dos gêmeos que duplica tudo que tocado, seja no passeio do carrinho que leva ao cofre do banco.

Essa graciosidade, contudo, já não é a mesma, vide momentos ameaçadores como quando Voldemort pede para que entreguem Harry, que se inicia com gritos de crianças no salão da escola e a voz sibilante do vilão. Momentos esses que poderiam ser ainda mais poderosos caso o filme não desse cabo de alguns personagens de foma tão trivial, apesar de alguns deles serem odiosos vilões.

Enfim usando de maneira adequada a professora Minerva, relegada a quase pontas nos últimos filmes,  Relíquias da Morte – Parte 2 não chega a ser tão pesado como o penúltimo capítulo, contudo tem uma narrativa que cresce em tensão chegando ao ápice num falso final, que guarda, talvez a frase mais emblemática de todos os longas – “The boy who lived… Come to die” –, a qual, incrivelmente, é precedida da cena mais emocionante da produção e pontuada pela trilha mais pesada até aqui.

Fazendo a plateia voltar à mesma sensação de descoberta de uma década atrás, o roteiro de Steve Kloves ainda deixa uma pontinha solta – um possível novo capítulo? –, num mundo que  venceu preconceitos e fez escola. Literalmente. Um mundo que cumpriu sua tarefa e foi ao fim de sua história magicamente. De várias maneiras.

Nota: 8,5

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8 responses

  1. Seon

    Para te coragem de dar a nota que deram, essa deve ser a máxima. Ninguém, muito menos os potterianos, se contentam com um 8,5.

    18 de Julho de 2011 às 7:18 PM

    • Bom, achei que o filme tem alguns problemas, por isso não dei a nota máxima. mas convenhamos, é nota para ótimos filmes.

      18 de Julho de 2011 às 8:47 PM

  2. Um belissimo desfecho para uma saga inesquecível. Um marco para o cinema!

    http://cinelupinha.blogspot.com/

    19 de Julho de 2011 às 7:38 PM

  3. Bru

    Eu adorei a crítica, a nota 8,5 (que para mim foi 10 com certeza) depende da opinião de cada um e eu respeito.
    De todos os filmes da saga esse foi sem dúvida meu preferido, eu sempre preferi o Harry Potter e a Pedra Filosofal porque é o primeiro e tudo é tão novo pro Harry, mas esse foi sensacional!
    As lembranças do Snape, Harry conversando com os pais … eu amei.
    Vai deixar saudades, com certeza!

    26 de Julho de 2011 às 1:22 AM

    • Sabe que eu não curtia a série? Os dois primeiros filmes sempre achei bem fracos, mas do terceiro pra frente eu virei fã🙂 O meu favorito é o primeiro Relíquias da Morte.

      26 de Julho de 2011 às 10:55 AM

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