Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (11 a 24 jul)

rioRio* (Idem, 2011). De Carlos Saldanha

De imagem simplesmente maravilhosa, Rio, no entanto, não se esforça muito para ter uma história original, focando no velho peixe fora d’água – OK, o animal aqui é outro, uma ararinha azul que não sabe voar. Blu foi raptado quando filhote e levado para os Estados Unidos, onde acabou sendo cuidado em cativeiro por uma garota. Mas eis que ele terá que voltar para o Brasil por se tratar de um dos últimos de sua espécie. Ver ele sofrendo por não saber voar e se perdendo num lugar que não conhece é o que se espera, e o diretor Carlos Saldanha (também roteirista com mais pessoas) não vai um passo sequer além disso, focando nas belezas do Rio de Janeiro como maior arma para ganhar o público. Belezas? Mude isso. Na realidade, a produção não se afasta muito do Pão de Açúcar e do Corcovado na hora de mostrar a capital carioca. Tirando uma ou outra tomada fora desse ambiente, o Rio fica nisso. Os hábitos cariocas são irregulares em sua demonstração de “brasilidade”: se os macacos trombadinhas são uma forma de amenizar a realidade, comparar crianças infratoras com símios beira um desserviço, mas o culto ao futebol, samba e até ao rodízio nas churrascarias são bem divertidos. Assim como o próprio protagonista, que recebe uma ajuda providencial dos coadjuvantes, ótimos. Só não dá pra entender o porquê de um plano malévolo de fuga ter que passar pela Sapucaí. Dá sim, para americano ver, claro. Nota: 7,5

amadeus_ver1Amadeus (Idem, 1984). De Milos Forman

Devo confessar que a primeira vez que assisti ao filme o achei bem chato, assim como o personagem-título, de risada bizarra e mimado. Como é bom descobrir estar errado anos depois. Tudo no filme é grandioso, desde a encenação das óperas ao capricho de figurinos e direção de arte, além, claro, do talento dos envolvidos. F. Murray Abraham na pele de Salieri vai de um lado para o outro com sua atuação entre o amor e o ódio, enquanto o Mozart de Tom Hulce é simplesmente uma criança grande de talento descomunal. Essa grandiosidade é reflexo das escolhas do próprio Milos Forman, que filma tudo como se fosse uma ópera cinematográfica cheia de sentimentos rasgados, mas que não deixa de guardar sutileza em sua montagem em flashback, a qual quase não se deixa perceber nas transições entre o relato de Salieri e o passado que acompanhamos. As palavras finais de Salieri – “Medíocres de todos os cantos, eu os absolvo” -, então,  trazem uma redenção torta e a visão final do autor sobre tudo o que fez. Impressionante pela forma e pela ironia empregadas por Forman. Nota: 9

buried-poster2Enterrado Vivo* (Buried, 2010). De Rodrigo Cortés

Esse é um filme que leva a experiência de 127 Horas e até aquela famosa cena de Kill Bill ao extremo. Cortés, incrivelmente, mantém suas câmeras, durante 1h30, dentro do caixão no qual Ryan Reynolds foi enterrado. Mostrando criatividade para fazer composições dentro daquele espaço ultra limitado: seja na câmera que se afasta enquanto as paredes do caixão são alongadas pra cima para mostrar a aflição do personagem, seja nos vários enquadramentos “grudados” no rosto de Ryan para aumentar a sensação de claustrofobia. Aliás, tal sensação é muito bem trabalhada pelo diretor, que sabe enfatizá-la nos momentos certos, afinal, se fosse 100% agonizante quem conseguiria assistir ao filme? Por isso o desfecho mau do longa é exemplar, ao se tornar o momento mais crítico, seguindo a velha e boa cartilha de que o clímax deve fechar um filme. A experiência só não é completa por haver, várias vezes, aquelas talas escuras que delimitam um arco da história, mostrando que pode haver elipses e não a ação em tempo real como parece fazer a plateia crer. Nota: 8,5

leonO Profissional (Léon, 1994). De Luc Besson

Outro filme cuja direção é inspirada, criando enquadramentos geniais logo na abertura do longa, usando as sombras como ótimo elemento para esconder Léon – uma faca chega por trás no pescoço da vítima –, ou mostrar o perigo trazido por ele – uma sombra cobre um porteiro. Fora que o roteiro do próprio Besson é inteligente o bastante para evitar a ação desenfreada e focar na relação entre o matador (Jean Reno) e Mathilda (Natalie Portman). Veja, por exemplo, a passagem na qual ela descobre o fim que levou sua família: parada na porta dele, parece que uma grande sequência de ação para salvá-la virá por aí, mas não, as lágrimas da garotinha e a decisão de Léon são mais importantes que alguns tiros. Fantástico. Aliás, que grande canalha é Luc Besson ao nos fazer apaixonar por uma garotinaha de 12 anos? Um grande trabalho de Natalie. Se você não ficar com cara de bobo quando ela começar a interpretar personagens como Carlitos e ser Marilyn Monroe num jogo de adivinhações não tem a obrigação de gostar do filme. Nota: 9

*Filme assistido pela primeira vez

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