Go ahead, punk. Make my day.

O Leão Rei

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Era uma tardezinha de 1994, tipo 15h, não me lembro muito bem o horário. Eu já havia lido algumas coisas sobre o filme – incrível para os meus 10 anos e pela quantidade de informações sobre Cinema voltadas para meninos daquela idade na época. OK, confesso que muito do que sabia da animação vinha das figurinhas que chicletes traziam como brinde. Tinha quase a coleção completa, acho que umas 100 delas. Mas voltando à sala 3 do cinema de Uberlândia, eu estava ansioso para saber do que tanto falavam sobre o tal de O Rei Leão.

Eu já tinha visto dois longas anteriormente na sala escura, mais exatamente Princesa Xuxa e os Trapalhões e Lua de Cristal – dêem um desconto, tinha apenas 5 e 6 anos, respectivamente. Contudo posso dizer que, pela primeira vez, vi um filme de verdade ao pôr os olhos naquele horizonte avermelhado enquanto a música de Elthon John e Hans Zimmer ecoava pela sala.

O filme tinha feito um sucesso estrondoso e a Disney tinha se superado, mas foi por pouco que não acabo assistindo à produção na minha TV de 20 polegadas ligada ao videocassete de duas cabeças – o qual tremia o som com qualquer probleminha na fita. O Rei Leão ficou sei lá quantas semanas em cartaz, mas teve que sair também sei lá por que razão. A sessão que peguei foi especial, seria apenas uma exibição em um único dia. Acho que era voltada para escolas que tinham interesse em levar seus alunos a preços módicos, por isso me lembro da molecada de camiseta branca em massa na sala. Eu entrei por fora desse esquema. Liberaram a venda para o público. Lá estavam mamãe e eu.

Cara, preciso mesmo dizer, eu tinha apenas uma década de vida, mas conhecer uma história “shakespereana”, como gostam de rotular o filme, daquela forma foi um pé na porta do que hoje conheço como paixão: a Sétima Arte. Eu ria com as palhaçadas e sentia uma incômoda tristeza ao ouvir Simba dizer “Alguém aí? Me ajude!”, com o corpo de Mufasa ao fundo. Pô! O irmão dele o havia matado e pôs as hienas para atacar o filhote! “Matem”, disse Scar. Consegue imaginar minha cabeça em 1994 vendo aquilo?

De qualquer forma, em seguida, eu iria rir com Timão e Pumba, arrotar junto com Simba após “Hakuna Matata”, saber que “se o mundo vira as costas pra você, você vira as costas para o mundo”, mas que a responsabilidade é algo da qual não se pode fugir. E convenhamos, só mesmo presenciando Pumba dizer “Tá falando comigo? Tá falando comigo? Tem que me chamar de Sr. Porco!” para ter contato com o mundo de Taxi Driver no cinema naquele momento.

Fiquei vidrado, era o filme da minha vida até ali. E daí se era apenas o terceiro longa ao qual assistira no cinema? E aquela quantidade de sessões da tarde na Globo, não contavam? O Rei Leão era demais, ainda é. Saí do cinema empolgado, poderia comentar com os amigos no dia seguinte, poderia entender totalmente aquelas malditas figurinhas que me fizeram mascar chiclete até doer a mandíbula, poderia gostar de Cinema de verdade, agora havia parâmetro.

Ainda voltaria à sala escura naquele ano – Street Fighter, com Van Damme e Raul Julia, que me ensinaram o que é trash -, e de lá pra cá muitas outras vezes. Poderia dizer que já vi milhares de filmes, muitos nem sei onde foram parar na minha memória. O Rei Leão, entretanto, está num cantinho muito especial, não se perdeu em minha cabeça, está instalado no meu coração, da mesma forma que muitos que leem agora este texto.

Dizem por aí que o clássico será relançado em versão 3D nos cinemas. Pode ser que neste exato momento ele já esteja em cartaz. Obviamente eu irei rever, mas terei uma inveja gigante do garotinho de 10 anos que se sentar ao meu lado e sentir o que eu senti na primeira vez que pus os olhos em O Rei Leão.

*Texto originalmente publicado na Resvista Meio & Midia CULT (ed. 74) – Agosto de 2011

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6 responses

  1. O marco da infância de muita gente! Belinho! Belinho! Belinho! E precisa falar que o artigo é ótimo? Ok. Tá falado! Nos faz retornar a mente ao tempo e relembrar o antigo cinema do Center Shopping de Uberlândia, os primeiros filmes assistidos e, claro, O Rei Leão para quem teve a oportunidade. Morria de inveja de quem dizia que foi ao cinema assisti-lo e da minha mãe que retrucava: “você ainda é muito nova para ir ao cinema.”
    Eu? Era realmente muito novinha e só lembro dele no meu VHS verde, época em que assistia 9247387284091342147 vezes na semana, em companhia a Mogli, Branca de Neve e os Sete Anões e A Bela e a Fera. Valeu a pena! E ainda sim vou poder dizer às gerações futuras: “Assisti ao clássico da Disney no cinema! E em 3D digital!”

    Um VIVA para quem vivenciou a última infância!!! #NostalgiaAnos90

    7 de Setembro de 2011 às 7:14 PM

    • Comentário utlraempolgado! 😀 Curti

      7 de Setembro de 2011 às 7:19 PM

  2. Irei rever no cinema neste final de semana. Muito ansioso pra assistir na tela grande *_*

    http://cinelupinha.blogspot.com/

    7 de Setembro de 2011 às 7:27 PM

  3. Sarah Gimenes

    Mto boooom seu texto…amei!!! Rei leão foi meu segundo filme no cinema…aquele cinema no primeiro piso do shopping…tb chorei com a morte do Mufasa e ri mto com o Timão e o Pumba!!!! Compartilho esses sentimentos com vc… e PARABÉNS PELO TEXTO!!!!

    8 de Setembro de 2011 às 1:31 AM

    • Muito obrigado Sarah! Contei exatamente o que sinto pelo filme atualmente 😀

      8 de Setembro de 2011 às 8:01 PM

  4. Pingback: Mufasa e Simba de verdade « Cinefilia

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