Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: Assalto ao Banco Central

assaltoaobancocentral-cartazÉ claro que todo diretor de TV tem sua porção cineasta. Porém,  é claro que para pular de uma mídia para outra é preciso entender do riscado. O que funciona na telinha, quase sempre não dá certo na telona. Exemplo:  close no rosto de Hermila Guedes após ela ser contrariada. A cara de má e o movimento de câmera, diz o clichê, demonstram que algo vilanesco virá por aí. OK, ver isso na TV já é literal demais, no Cinema, então, com uma tela gigante, se transforma em comédia involuntária.

E antes fosse apenas esse o problema de Assalto ao Banco Central (Idem, Brasil, 2011), primeiro longa-metragem dirigido por Marcos Paulo. Investindo num roteiro pífio que tenta ser complexo, o filme é pobre e muitas vezes de gosto duvidoso. O tempo gasto para criar personagens é inversamente proporcional à enrolação para que o túnel cavado para o maior assalto feito no país. Não há muitos elementos que definem os ladrões, apenas que eles exercem determinada função dentro do bando – um é o engenheiro, outro é o tesoureiro, o recrutador, o chefe, enfim -, mas que no fim das contas nem todos conseguem uma designação certa. O desleixo para que a trama  simplesmente caminhe chega ao ponto de Tonico Ferreira, um comunista deslocado no tempo, soltar mais uma de suas frases óbvias sobre o Marxismo e um companheiro dizer: “Entendi, a gente não pode deixar ser explorado por ninguém”, de forma tão ingênua e idiota que é inacreditável que tal cena tenha sido mantida no corte final.

Mas isso não é totalmente culpa de Marcos Paulo. O que ele realmente faz é dirigir o longa burocraticamente e com uma falta de criatividade latente. Primeiro que não há muita ação, algo estranho para um filme sobre roubos. Quando ela acontece chega a ser vergonhosa, vide a sequência da carreta cheia de carros. Depois vem o mal gosto estético. Logo na abertura há uma cena de sexo exibida em paralelo a uma ferramenta se enfiando e destruindo concreto. Um comparativo machista e que não leva a nada. Contudo, o maior exemplo da falta de traquejo de Paulo é Milhem Cortaz. Tirando leite de pedra com o material que fora entregue a ele, a boa atuação é sabotada pelo diretor ao sempre incluir algo que o faria ainda mais mal. Seja a fumaça do cigarro que o envolve “misteriosamente” ou uma entrada para terminar uma briga pontuada pela trilha ao estilo western.

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A trilha sonora, por sinal, é outra que seria cômica se não fosse trágica. Quando não investe em temas absurdos, lembra os piores trabalhos de produções de baixo orçamento. Durante a elipse de vistoria à casa e ao túnel, o compositor André Moraes saca um tema de estilo celta (sabe-se lá o porquê) e calma, quando o filme demanda uma música com energia. Fora os temas para as cenas mais picantes parecerem saídos de soft porns.

A única boa ideia do filme é narrativa que leva o assalto ao mesmo tempo que mostra a investigação conduzida pela Polícia Federal após o fato. O problema é que mesmo tendo mais tempo para desenvolver a investigação, ela é superficial e não evita o anticlímax que seria a extensão para além do roubo em si. Fora que a montagem não é das mais elegantes em fazer os saltos temporais.

Pena que um dos casos mais intrigantes da história policial brasileira tenha dado origem a um filme tão mal acabado. Se há algo que segura a história é a curiosidade sobre pra onde o roteiro vai levar a trama, que chega ao final tentando ser um Zodíaco, propondo um desfecho para o que nunca foi explicado com precisão e ainda tentando ter algum estilo na cena final. Tentando.

Nota: 4,5

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