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Crítica: A Árvore da Vida

thetreeoflife_posterA Árvore da Vida (The Tree of Life, EUA, 2011) é um filme sobre questionamentos e com poucas respostas. Terrence Malick vai fundo na dor dos personagens e além. Ele quer saber que dor é essa que  o homem sente, frente a um Universo tão grande. Qual o significado dela a não ser para nós mesmos?

As primeiras cenas do filme dão conta da morte de um dos filhos do casal vivido por Brad Pitt e Jessica Chastain. Já aqui,  Malick começa sua saga de imagens incrivelmente lindas. Chega a ser um absurdo ver como o diretor consegue extrair beleza de cada um dos fotogramas em meio a tanta lástima. A mãe chora, seus olhos estão vermelhos e inchados, surge a imagem de cabeça pra baixo das sombras de crianças brincando. A sombra da lembrança que seria boa, mas que causa sofrimento e por isso está invertida.

Essa lamúria é captada com closes nos atores, principalmente de Jessica, e imagens fragmentadas, num ritmo que vai dar a linha narrativa do filme. Um excelente trabalho de montagem, que aqui teve cinco profissionais, incluindo o brasileiro Daniel Rezende, de Cidade de Deus e Tropa de Elite.

Em outra frente, Malick mostra Sean Penn, filho crescido do casal, amargo, distante do pai e extremamente angustiado com a educação austera que teve. Para ressaltar tudo isso, entra em ação a impecável direção de arte. No futuro, Penn caminha por ambientes abertos, cheios de vidros e tem uma casa quase totalmente branca. Vazio em oposição ao passado, no que parece ser a década de 50. Há uma boa escolha de locações, por meio da vizinhança simples e de ruas bonitas, além de casas aconchegantes. Ajuda muito a fotografia de Emmanuel Lubezki, sempre iluminada como numa boa recordação.

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Mas é a partir dessa questão particular que o cineasta começa a perguntar se aquilo tudo é realmente significativo dentro de um contexto maior. A tese que ele elabora é que os seres humanos são partículas perdidas numa história muito anterior. São uma parte da Criação e não o Objetivo dela. Aí ele dá o maior salto no tempo desde 2001 – Uma Odisséia no Espaço, vai até a formação da Terra e segue a evolução da vida no planeta. Mas como já foi dito, esse é um filme de perguntas. O cineasta parece não ter tanta certeza da pequenez do ser humano dentro dessa criação, tanto que filma o nascimento do primogênito de Pitt e Jessica como um verdadeiro milagre, vide a incrível imagem do pequeno pé do bebê nas mãos do pai, como se dissesse que cada detalhe daquele ser é sagrado.

A Fé, então, parece ser o porto seguro das pessoas para que se mantenham firmes no pensamento de que o homem é o centro do universo. Uma Fé frágil, abalada na primeira grande provação: a perda do filho que a mãe ofereceu a Deus desde o nascimento. Outra tese contestada pelo próprio Terrence, na busca dos personagens por algo transcendental, que mesmo ao questionar Deus, atestam a existência de algo espiritual, a exemplo da linda e melancólica frase de Penn, “Irmão. Cuide de nós. Guie-nos. Para o fim dos tempos”.

Se não fosse um filme profundo, A Árvore da Vida, ainda continuaria sendo um triunfo estético, com sua câmera fluída, cheia de movimentos leves, mas constantes e a trilha sonora maravilhosa, de Alexandre Desplat, somada a óperas já existentes. As camadas do longa são tantas, que além da discussão transcendental e da forma, ele também é uma densa discussão das relações familiares, com um filho inconformado, um pai cheio de defeitos e que cobra força dos filhos, uma mãe subserviente, mas de amor absoluto e a proximidade inabalável dos irmãos. Mas este é apenas um aspecto do que se pode chamar de obra de arte.

Não se trata de um filme fácil, mas é um trabalho recompensador.

Nota: 9

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7 responses

  1. Pingback: HBLOG - A Árvore da Vida por Vinicius Lemos

  2. Premissa massa, filme chato, mas trilha oooooooda! Deveria ter dado 10, para a trilha. rs

    24 de Setembro de 2011 às 8:19 PM

  3. Aline Monteiro

    Esperei a crítica, e valeu a pena!! Parabéns!!
    Confesso que fiquei esperando aparecer um monolito… Rsrs…
    Esse filme foi demais mesmo!!!

    25 de Setembro de 2011 às 1:50 AM

    • Valeu! Grande filme mesmo, lembrava de 2001 o tempo todo! *rs

      25 de Setembro de 2011 às 2:46 AM

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