Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Outubro, 2011

Trashmente controverso

Você não sabe o que é uma cena controversa até assistir a dezenas de crianças sendo baleadas, esfaqueadas, degoladas e estripadas por adultos em Beware: Children at Play, de 1989. Mas a polêmica também está em outro ponto: a “tosquidão” da tal cena. Pior que ver crianças mortas, é a forma como isso acontece em cena.

Um show do sub-gênero trash com uma criatividade incrível para a aniquilação, mas sempre com orçamento apertadíssimo.

Mais um presente da produtora Troma, grande criadora de filmes de segunda que trazem diversão de primeira. Vide o clássico dos clássicos, O Vingador Tóxico.

Mas vamos à cena…

Vi aqui

Anúncios

Resumo (17 a 23 out)

MPW-21593A Voz do meu Coração* (Grace of my Heart), 1996). De Allison Anders

Apesar do título piegas, o filme tem muito mais a oferecer do que parece. Principalmente na primeira metade, quando acompanha a ascensão da cantora Edna Buxton (Illeana Douglas), que, na verdade, consegue um lugar ao sol na indústria fonográfica da década de 60 se transformando na compositora Denise Waverly. O processo de criação e os meandros da máquina da música é o mais interessante da produção, cuja narrativa até aqui não precisa de grandes dramas ou superações homéricas para aliar a vida pessoal e profissional de Denise/Edna. Ela faz sucesso, se apaixona, se casa, se transforma numa letrista polêmica e ainda tem que lutar para manter seu lugar na empresa do ótimo Joel Millner, vivido pelo ótimo John Turturro. Se Illeana é a base do longa, ele é a escada. Grande personagem e atuação espetacular de Turturro. A direção até aqui é cuidadosa para criar quadros que vão além da imagem, como no momento em que Denise e a outra compositora, Cheryl, são convidadas a trabalharem juntas e elas estão sentadas afastadas no sofá, para, em seguida, John se sentar entre elas e uni-las. Perna que na segunda metade, A Voz do meu Coração se concentre na relação tumultuadamente pedante entre a compositora e o novo namorado, Jay Phillips, na pele de Matt Dillon. Ele é a mistura de músicis psicodélicos da década de 60 e 70, ao estilo de Bryan Wilson e Jim Morrison. Instável e infantil, ele leva não só a personagem de Illeana para o buraco, mas quase põe o filme abaixo, já que a trama concentrada na relação perde ritmo. De qualquer maneira, o longa tem uma boa trilha sonora, além da protagonista segurar bem a barra. Curiosidade: a produção executiva é de Martin Scorsese. Nota: 7

* Filme assistido pela primeira vez


Crítica: Os Três Mosqueteiros

threemusketeers_posterA enésima adaptação do romance de Alexandre Dumas tem aquele gosto do pior que as produções norte-americanas podem proporcionar: muito espetáculo vazio e sem graça como um belo bolo gigante de isopor. O confeiteiro do novo Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers, Alemanha/França/Reino Unido/EUA, 2011) é Paul W. S. Anderson e se ele tem algum mérito é o de escalar a esposa, Milla Jovovich, apertada em decotes e vestidos, que limita-se à limitada capacidade de atuação da mesma.

A história é a de sempre, os três mosqueteiros que, na verdade, são quatro, contra as armações do Cardeal Richelieu (Christoph Waltz). Mas com uma pequena grande diferença: e não há como ser injusto e não aplaudir a ideia de juntar a estética steampunk à côrte  francesa de Luis 13. Pelo menos de antemão, pois durante o filme as máquinas retrofuturistas baseadas em vapor e metal são tão extraordinárias, que fica realmente difícil de acreditar que aquilo poderia existir.

E olha que esta é uma produção cuja força está na estética, já que figurinos e direção de arte são espetaculares. Ponto para a roupa de combate usada por Milla ao invadir os aposentos reais em Paris, a qual valoriza a bela atriz sem se esquecer do período no qual está inserido e no anacronismo da cena, no melhor estilo Missão: Impossível.

the-three-musketeers-pic

Aliás, a pobreza de repertório de Anderson no momento de conceber uma cena já copiou Matrix em Resident Evil e aqui é mantida. Vide o primeiro embate de Athos (Matthew Macfadyen), Porthos (Ray Stevenson), Aramis (Luke Evans) e D’Artagnan (Logan Lerman) contra a guarda do Cardeal. Enquanto a cena não foge do comum e põe os quatros sentando a mão em dezenas de homens, o longa não escapa da cópia pura e simples dos combates de 300, com o quadro sendo alternado entre closes e planos abertos em travelling enquanto a ação se desenvolve em slow motion. Mas uma versão meio precária se comparada às originais do Rei Leônidas e companhia.

E se o diretor é tão descuidado ao ponto de criar um duelo que se desenrola e termina debaixo de uma tempestade para no take seguinte ter uma panorâmica diante de um sol radiante, o 3D utilizado por ele é bem explorado em alguns momentos, como uma torre que entra no casco da nau voadora ou objetos que passam “entre” o espectador e a cena em si.

Mesmo com o nome de Orlando Bloom se destacando no elenco, são os próprios mosqueteiros que tomam conta do filme quando investem na gaiatice, enquanto Waltz, grande expectativa, não passa do trivial. Já Freddie Fox tira leite de pedra ao tornar o imensamente caricato Rei Luis 13 em alguém agradável. Não custando voltar a citar Milla Jovovich com cara de sapeca, que no fim das contas (e das curvas) é o resumo do que Os Três Mosqueteiros tem a oferecer, visual.

Nota: 5,5

the-three-musketeers-pic mila


Vingadores suecados

Quem assistiu a Rebobine, Por Favor sabe o que é um filme suecado. Quem não viu o longa de Michel Gondry pode descobrir por si do que se trata esse verbo, suecar, ao pôr os olhos na paródia do trailer de Os Vingadores.

Suecar é o ato de refazer de maneira tosca um grande sucesso do Cinema, como os personagens de Mos Def e Jack Black fazem para salvar uma locadora no longa de 2008.


Resumo (10 a 16 out)

minority_reportMinority Report – A Nova Lei (Minority Report, 2002). De Steven Spielberg

Uma curiosidade: este foi o primeiro DVD de minha coleção. Mas vamos ao filme. Depois de ter mandado muito bem com A.I. – Inteligência Artificial, Spielberg ousa novamente neste filme não tão pretensioso quanto seu antecessor, mas extremamente feliz na seriedade da discussão da falta de privacidade para a qual caminhamos. No longa, a polícia consegue prender “assassinos” antes mesmo deles se tornarem criminosos. A ajuda vem dos chamados PreCogs, seres humanos de DNA manipulado que conseguem prever homicídios. De roteiro dinâmico, inteligente e com reviravoltas das boas, o filme falha quando acrescenta alguma comicidade, desnecessária, ainda que bizarra. A fotografia do longa é outro trunfo. Fria, ela dá a real sensação de um outro mundo, mas que vai até branco estourado para cenas absolutamente emocionantes como o momento em que Agatha fala da vida que o filho de Tom Cruise poderia ter tido. Fora que como filme de ação é empolgante, seja na correria do protagonista, seja na excelente sequência em que Agatha (novamente ela), prevendo o futuro-próximo, coordena a fuga dentro de um shopping. Mais uma grande ficção-científica baseada na obra de Philip K. Dick, de Blade Runner e O Agente Duplo. Nota: 8,5

invisible-manO Homem Invisível* (The Invisible Man, 1933). De James Whale

Era para ser um filme quase irretocável, mas o fato do diretor James Whale não mantê-lo nos limites do terror, faz com que o longa enfraqueça. Apesar dos bons personagens cômicos, eles estão um tanto desconectados com os demais elementos do longa, que conta a história de um homem que se faz invisível e perde a sanidade devido ao que esse poder lhe traz. Num primeiro momento, a produção tem piadas e estrionismos demais enquanto o protagonista está numa pensão. Assim que ele sai dali, as coisas engrenam e o filme se contrabalanceia entre o drama e terror propriamente dito, e aí sim se torna mais palatável. Chama a atenção pelos efeitos especiais que mesmo depois de 78 anos são eficazes em 99% das vezes em que são usados. A atuação grandiloquente de Claude Rains na (falta de) pele do homem invisível pode até estar datada, contudo é muito boa e prende a atenção. Ainda que o roteiro seja uma tanto previsível, este é o tipo de filme que tem fôlego para ser uma boa diversão durante décadas. A curiosidade fica por conta de Gloria Stuart, a velhinha de Titanic e que aqui é o interesse amoroso do protagonista. Nota: 7,5

*Filme assistido pela primeira vez


Hobbits sem CGI

Tudo é perspectiva.

Vi Aqui


Os Vingadores, um dono e um desafio

Nessa semana saiu o primeiro trailer de um projeto monstruosamente novo no Cinema, juntar os universos de vários personagens em um único blockbuster. Os Vingadores traz Hulk, Homem de Ferro, Thor, Capitão América e outros notáveis da Marvel numa aventura que vem sendo construída desde o lançamento do primeiro Homem de Ferro, em 2008.

Pelo menos por enquanto, Os Vingadores prova minha tese do ano passado: Tony Stark, na pele do excelente Robert Downey Jr., é o cabeça natural do projeto, mas que está tão acima dos colegas que vai ser difícil nivelar a todos no longa.

Eu escrevi na minha crítica a Homem de Ferro 2, em junho de 2010:

“A série de filmes que a Marvel prepara, Os Vingadores, tem um dono e ao mesmo tempo um desafio: Tony Stark. Dono porque a fábrica de quadrinhos/estúdio usou a marca Homem de Ferro como o pontapé inicial para a entrada de vez no mercado hollywoodiano e ele é quem mais leva à frente a preparação do terreno para o longa que reunirá vários heróis sob as asas da chamada S.H.I.E.L.D. Desafio devido à grandeza que Robert Downey Jr. vem imprimindo ao papel de sua vida. Algo que pode sombrear um projeto que, em tese, seria maior que ele

(…)

“Como inseri-lo no grupo com o brutamontes Hulk, o hiperpatriota Capitão América mais o semideus deus Thor, se desses apenas o primeiro pode rivalizar em popularidade com Tony? E olha que Hulk vem sofrendo para emplacar nas telonas…”

O teaser sinaliza que não estou errado, reservando a maior parte das boas falas para Stark e as imagens de voo dele na armadura ganham destaque. E olha que o vilão será Loki, o irmão de Thor, e Mark Ruffalo já é o terceiro intérprete de Bruce Banner nos últimos oito anos.

De qualquer forma, torcemos para que Scarlett Johansson e a Viúva Negra ganhem espaço.