Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Novembro, 2011

Crítica: O Palhaço

opalhaco_cartazA história do palhaço triste, que, em oposição, faz a alegria das plateias circenses não é exatamente original. O fato do filme O Palhaço (Idem, Brasil, 2011) seguir esse rumo, mas ter Selton Mello à frente ajuda muito para que as coisas não descambem para o lugar comum.

Dirigindo apenas seu segundo filme, mas com uma bagagem gigantesca na frente e por trás das câmeras (diretor de clipes, programas de TV, roteirista e produtor), o ator (se é possível rotulá-lo apenas assim) consegue um trabalho agridoce, meio comédia/meio drama com a história de Benjamim, que no picadeiro se transforma em Pangaré, ao lado do pai, Valdemar, o palhaço Puro Sangue. Indo a fundo no questionamento do artista que sabe fazer rir, mas não tem ninguém que faça o mesmo por ele, a trama segue o caminho do pequeno circo do qual Benjamim faz parte.

Obcecado pela compra de um ventilador, o protagonista divide a narrativa com o olhar da pequena Guilhermina, a qual assiste a tudo o que se passa com a trupe atentamente. Ela ainda será responsável por um dos momentos mais belos do longa, demonstrando a inteligência do roteiro, também de Mello, junto a Marcelo Vindicato: ao dar força para a garota, certamente ela enriquecerá o filme no momento certo.

Aliás, a construção da “fauna” de personagens é muito esperta, salpicada de gente interessantíssima e, por vezes, bizarra. Os coadjuvantes se destacam. Moacyr Franco surge num monólogo absurdamente hilário como um delegado louco por seu gato, enquanto a prostituta vivida por Fabiana Carla brinca com a persona da comediante ao ser extremamente doce e manter a fala num tom baixo e meigo, o contrário do que a plateia está acostumada. Contudo, talvez o mais importante desses coadjuvantes seja Jackson Antunes, que entra em cena (muito bem) rapidamente para dar à narrativa a linha seguir: “O gato bebe leite, o rato come queijo e eu…”. As reticências são completadas por todos os minutos que compõe a história de O Palhaço.

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A direção de Selton é primorosa e quase peca pelo excesso de esmero. Quase, afinal, os belos enquadramentos simétricos (em que elementos são dispostos igualmente nos dois lados da imagem) são irretocáveis. Principalmente com os atores atuando de frente para câmera, numa ótima sacada do diretor, já que eles estão, em última análise, num picadeiro, voltados para o público. Para rivalizar em talento, apenas o próprio Mello atuando cheio de energia sob a lona, mas com ombros caídos e fala fraca fora dali, deixando clara a descrença que o abate.

Fechando o filme com um plano-sequência impecável, o filme ainda conta com a presença do “monstro cênico” Paulo José, o qual, mesmo com sinais do Mal de Parkinson, é mais ator que 98% do elenco de qualquer filme a chegar esse ano nos cinemas. Não à toa, a ele é reservado o papel do palhaço Puro Sangue.

Nota: 9

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A Música dA Origem

Que Hans Zimmer é um dos maiores compositopres de trilhas sonoras da atualidade e que as músicas de A Origem são pontos altos da carreira dele nem é preciso ficar citando. Mas que tal ouvir parte dela ao vivo? Com o próprio Zimmer no palco? Então, taí.

*O concerto mesmo começa após 7’30”

Se não teve o tema principal, a imagem no final fecha bem demais a apresentação.


Resumo (14 a 20 nov)

diary_of_a_wimpy_kid_ver6Diário de um Banana* (Diary of a Wimpy Kid. 2010). De Thor Freudenthal

O grande trunfo dessa adaptação do ótimo livro de Jeff Kinney é evitar o tom episódico da obra original, a qual tinha motivo para tal, pois simulava o diário do protagonista Greg Heffley. Começa com a utilização da trilha sonora como forma de explorar a linguagem cinematográfica, a exemplo do momento em que Greg finaliza um teste cantando “Total Eclipse of the Heart”, de Bonnie Tyler, ou o momento em que Rowley dança com a mãe ao som de “Intergalatic”, do Beastie Boys. Depois, a trama se agarra ao fato do Banana querer se tornar um dos mais populares da turma, interessando-se apenas pelos momentos que refletem algo dentro desse contexto, seja praticando esportes, seja tentando se tornar o cartunista do jornal escolar. Entretanto, o fato do filme inserir alguns dos desenhos de Greg (que estão no livro) vai contra o trabalho de identificação do ator Zachary Gordon com a plateia. Afinal, a primeira boa lembrança que se tem é a do menino magricela com cabelo de três fios desenhado a lápis nas páginas de Kinney. Quem não leu o livro, então, pode se sentir perdido. Se Gordon, ainda que carismático, oferece uma atuação regular, as piadas são boas e a produção é das mais leves, chegando ao fim sem muitos problemas. Nota: 7

seraphim-falls-posterÀ Procura da Vingança* (Seraphim Falls, 2006). De David Von Ancken

De início eletrizante, desenvolvimento interessante e final xué, À Procura da Vingança tem como boa característica, que permeia todo o longa, a brutalidade. É ela, aliada às boas atuações de Pierce Brosnan e Liam Neeson que salvam o dia. O longa é sobre a perseguição árdua de Neeson a Brosnan, cuja motivação, sabiamente, é deixada para os momentos finais da trama. Nada sutis em suas investidas, ambos são violentos e lutam contra o próprio ambiente, que reflete os momentos pelo quais passam. Saindo de uma paisagem gélida e montanhosa, aqui está a apresentação do personagem do perseguidor, que não quer matar o oponente de forma rápida. E este sofre, contudo se mostra um genuíno sobrevivente usando técnicas para tal que também têm relação  com o gelo, afinal, sem frieza ele poderia simplesmente minguar ante à pressão. Dali, eles vão chegar locais cada vez mais desérticos, mostrando o vazio da violência que Neeson acaba infligindo e com a qual Brosnan responde na mesma intensidade. O problema é que quando chega a explicação para tudo aquilo, a película já começou a perder ritmo e o flashback que se passa no fim da Guerra Civil Americana não tem o peso que deveria ter, filmada e montada sem a mesma veia forte do resto da produção. O final, então, chega esvaziado, nem a personagem de Anjelica Huston, que escancara de vez a falta de propósito daquele homens, consegue dar peso à cena que fecha a trama. Parece até mesmo que David Von Ancken e Abby Everett Jaques não sabiam que fim dar aos homens. Ganha pontos por ser ambicioso e dar conta dessa condição nos primeiros terços da narrativa. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez


The Films of Kees van Dijkhuizen jr.

O editor holandês Kees van Dijkhuizen jr. tem um trabalho muito interessante intitulado The Films of, no qual faz um rápido (mas belo) apanhado da carreira de vários diretores. Obviamente ele ganha força com as imagens de gente boa como Tim Burton e Danny Boyle. Entretanto, as boas trilhas sonoras, normalmente tiradas dos próprios filmes ou vindas de grupos como Muse  e UNKLE, além de um bom ritmo de corte e escolhas de imagens eleva o nível dos vídeos.

Para exemplificar o talento do cara na mesa de edição, aqui vai o vídeo do meu diretor favorito entre os contemplados por Kees van Dijkhuizen jr.

The Films of David Fincher


Posteridade – Os Vingadores

Para a divulgação do potencial maior (em tamanho, pelo menos) filme baseado em Histórias em Quadrinhos até aqui, Os Vingadores, a Marvel soltou vários cartazes dos personagens do longa-metragem.

Contudo, entretanto, todavia o essencial é aquele que traz Scarlett Johansson no colant preto da Viúva Negra sob a quase imperceptível logo do grupo de heróis.

Resumindo o assunto, a beleza hors concours da loira-agora-ruíva é, sem mais palavras, o Posteridade da vez.

De nada.

Banner-Viuva-Negra


Resumo (7 a 13 nov)

close-encounters-posterContatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977). De Steven Spielberg

Se você é o diretor de Tubarão, um dos maiores filmes de verão de todos os tempos, e logo em seguida trabalha numa produção como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, merece respeito. O motivo é só um: ambição. O longa de Steven Spielberg, apesar de todo verniz de blockcuster, mexe com conceitos ufológicos nunca antes explorados pelo Cinema. Os encontros do título são mostrados logo no início da produção, o que desencadeia uma mudança na vida de Richard Dreyfuss, que surta e acaba afastando a família. Enquanto isso, o cineasta François Truffaut é um pesquisador que vai atrás de evidências que provam a existência de vida alienígena. Contatos Imediatos é um dos filmes que mais merecem a alcunha de produção cinematográfica, pois pouquíssimas trabalham som e imagem de forma tão intensa, variada e redonda. Seja nos efeitos visuais iluminados e perfeitos, mesmo 34 anos depois. Seja na trilha sonora com as clássicas notas que estabelecem a comunicação entre homens e aliens. E quer melhor exemplo da inteligência do design de som do que os indianos entoando cânticos baseados nessas notas? Mais: uma linda fotografia que cria clima, aliada aos belos planos gerais de Spielberg que insistem em pôr o céu em evidência. Nota: 9

thelouThelma & Louise (Idem, 1991). De Ridley Scott

Thelma & Louise é um interessante caso em que um diretor de características pouco sensíveis, ainda que bom de serviço, está à frente de um material que consegue bons resultados com temática feminista e de relacionamento intimista. Ridley Scott, às vezes pesa a mão, é verdade, levando acontecimentos a verdadeiros espetáculos ou à violência exagerada, vide a explosão de um caminhão ou o sangue que não para de correr do rosto de uma quase estuprada Geena Davis. Na primeira, a situação parece exagerada e a segunda se mostra forçada na dramaticidade já grande por si. Contudo, é ótimo que o roteiro mantenha o possível abuso sofrido por Susan Sarandon envolto de mistério e que o policial vivido por Harvey Keitel seja humanizado, fazendo seu trabalho, mas procurando entender o que motiva as duas mulheres. Geena e Susan saem pelas estradas americanas de forma errante depois de matarem um estuprador. De qualquer forma, Scott filma paisagens cada vez mais desérticas de acordo com que a situação das duas se complica e cria uma das tomadas mais famosas da década de 1990, a qual fecha de forma poética o longa. Nota: 8,5


Há alguns anos…

O olhar de quem tinha O olhar.

Keaton Buster

Buster Keaton nos bastidores de College (1927)