Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Janeiro, 2012

Ferris Bueller volta num Honda

Muita gente (inclusive eu) achou que Ferris Bueller estaria de volta quando um teaser foi divulgado na internet com Matthew Broderick questionando como poderia trabalhar num dia ensolarado como aquele?

Tudo bem que era um pouco forçado haver uma continuação de Curtindo a Vida Adoidado sem qualquer notícia preliminar. Contudo, a poeira foi levantada e, no fim das contas, tratava-se do chamado para um comercial da Honda para o novo modelo CR-V.

O anúncio saiu, enfim, relembrando as peripécias de Bueller, mas com Broderick  como Broderick  mesmo. Ele finge para o chefe que está doente, canta em uma parada e até manda a platéia fazer algo mais depois do “fim” do vídeo. A direção é de Todd Phillips, de Se Beber, Não Case!.

 

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Oscar 2012 – Os Indicados

84 academy awardsPois é, mais um Oscar e cá estamos todos discutindo o prêmio da indústria norte-americana, que se não tem muito de artístico, tem demais de divertido. Para esse ano, a incursão de Martin Scorsese no mundo 3D do Cinema, A Invenção Hugo Cabret, sai na frente com 11 indicações, seguido do grande favorito até aqui, O Artista, com 10 indicações. Quantidades que podem não dizer nada, como já aconteceu com Avatar e O Curioso Caso de Banjamin Button, maiores indicados em suas respectivas edições e que saíram da cerimônia sem a estatueta principal.

E, claro, que para cada categoria (ou quase todas) há alguns comentários. Vamos a eles, na 84ª Edição do Academy Awards.

Filme

O Artista
Os Descendentes
Tão Forte e Tão Perto
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Meia-Noite em Paris
O Homem que Mudou o Jogo
A Árvore da Vida
Cavalo de Guerra

Nota: Onde estaria o 10º indicado, como vinha acontecendo desde 2010? Claro, a falta de mais um filme fez muita gente chiar, clamando por longas como Drive, de Nicolas Winding Refn, e Melancolia, de Lars Von Trier – o qual, sejamos sinceros, depois de ser expulso de Cannes por declarações polêmicas sobre nazismo nunca receberia a atenção da Academia, cheia de judeus.

Diretor

Terence Mallick por A Árvore da Vida
Martin Scorsese por A Invenção de Hugo Cabret
Woody Allen por Meia-Noite em Paris
Michel Hazanavicius por O Artista
Alexander Payne por Os Descendentes

Nota: Mallick, Allen e Scorsese num mesmo páreo? Bela briga de pesos pesados. Torço por Mallick, mas torcida não quer dizer nada.

Ator

Demián Bichir por A Better Life
Gary Oldman por O Espião que Sabia Demais
George Clooney por Os Descendentes
Jean Dujardin por O Artista
Brad Pitt por O Homem que Mudou o Jogo

Nota: O questionamento aqui é onde estaria a indicação para Michael Fassbender por Shame, depois de quase 20 lembranças em prêmios pelo mundo?

Atriz

Viola Davis por Histórias Cruzadas
Glenn Close por Albert Nobbs
Rooney Mara por Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
Meryl Streep por A Dama de Ferro
Michelle Williams por Sete Dias com Marilyn

Nota: Meryl Streep e sua 17ª indicação.

Ator Coadjuvante

Max Von Sydow por Tão Forte e Tão Perto
Christopher Plummer por Beginners
Kenneth Branagh por Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte por Guerreiro
Jonah Hill por O Homem que Mudou o Jogo

Nota: Mais um briga de pesos pesadíssimos: Von Sydow, Plummer,  Branagh e Nolte (voltando ao panteão). Jonah Hill é o novato da turma.

Atriz Coadjuvante

Berenice Bejo por O Artista
Jessica Chastain por Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy por Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer por Albert Nobbs
Octavia Spencer por Histórias Cruzadas

Nota: E já que Jessica Chastain não apareceu entre as protagonistas mesmo com o trabalho em Árvore da Vida, aqui está ela entre as coadjuvantes. Detalhe: de todas as nomeadas aqui, a única que tem uma passagem anterior pelo Oscar é Janet McTeer, indicada em 1999, por Livre para Amar.

Roteiro Adaptado

Os Descendentes – Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret – John Logan
Tudo Pelo Poder – George Clooney & Grant Heslov e Beau Willimon
O Homem que Mudou o Jogo – Steven Zaillian e Aaron Sorkin, história de Stan Chervin
O Espião que Sabia Demais – Bridget O’Connor & Peter Straughan

Nota: George Clooney lembrado como ator em Os Descendentes, concorre como roteirista de Tudo Pelo Poder. Tem moral.

Roteiro Original

O Artista – Michel Hazanavicius
Missão Madrinha de Casamento – Annie Mumolo & Kristen Wiig
Margin Call: O Dia Antes do Fim – J.C. Chandor
Meia-Noite em Paris – Woody Allen
A Separação – Asghar Farhadi

Nota: categoria na qual costuma aparecer os filmes injustiçados da noite, quase um prêmio de consolação. Meia-Noite em Paris?

Animação

Um Gato em Paris – Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
Chico & Rita – Fernando Trueba e Javier Mariscal
Kung Fu Panda 2 – Jennifer Yuh Nelson
Gato de Botas – Chris Miller
Rango – Gore Verbinski

Nota: Kung Fu Panda 2 se torna um tipo de Guerra ao Terror em menor escala: foi lançado diretamente para as locadoras no país e agora é indicado ao Oscar. Torço por Rango, mas, você sabe, torcida não quer dizer nada.

Filme Estrangeiro

Bullhead (Bélgica) – Michael R. Roskam
Monsieur Lazhar (Canadá) – Philippe Falardeau
A Separação (Irã) – Asghar Farhadi
Footnote (Israel) – Joseph Cedar
In Darkness (Polônia) – Agnieszka Holland

Nota: A Espanha deixou A Pele que Habito de fora da disputa e mandou Pa Negre como representante. Trocou a originalidade por um filme sobre guerra e crianças. Não deu certo. Mas também não funcionou com o Brasil e seu melhor representante, Tropa de Elite 2.

Fotografia

O Artista – Guillaume Schiffman
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – Jeff Cronenweth
A Invenção de Hugo Cabret – Robert Richardson
A Árvore da Vida – Emmanuel Lubezki
Cavalo de Guerra – Janusz Kaminski

Nota: a ousadia de Guillaume Schiffman em fotografar um filme como na década de 20 (mas em HD!) reconhecida, assim como a beleza da iluminação soberba de Emmanuel Lubezki.

Direção de Arte

O Artista – Laurence Bennett (Design de Produção) e Robert Gould (Decoração de Set)
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Stuart Craig (Design de Produção) e Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Invenção de Hugo Cabret – Dante Ferretti (Design de Produção) e Francesca Lo Schiavo (Decoração de Set)
Cavalo de Guerra – Rick Carter (Design de Produção) e Lee Sandales (Decoração de Set)
Meia Noite em Paris – Anne Seibel (Design de Produção) e Hélène Dubreuil (Decoração de Set)

Figurino

Anônimo – Lisy Christl
O Artista – Mark Bridges
A Invenção de Hugo Cabret – Sandy Powell
Jane Eyre – Michael O’Connor
W.E. – Arianne Phillips

Nota: W.E. é dirigido por Madonna, minha gente. Quem diria que ela chegaria ao Oscar?

Documentário

Hell and Back Again – Danfung Dennis e Mike Lerner
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front – Marshall Curry e Sam Cullman
Paradise Lost 3: Purgatory – Joe Berlinger e Bruce Sinofsky
Pina – Wim Wenders e Gian-Piero Ringel
Undefeated – TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas

Nota: Pina, curiosamente, é um doc. em 3D.

Curta Documentário

The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement – Robin Fryday e Gail Dolgin
God is the Bigger Elvis – Rebecca Cammisa e Julie Anderson
Incident in New Baghdad – James Spione
Saving Face – Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy
The Tsunami and the Cherry Blossom – Lucy Walker e Kira Carstensen

Montagem

O Artista – Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius
Os Descendentes – Kevin Tent
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – Kirk Baxter and Angus Wall
A Invenção de Hugo Cabret – Thelma Schoonmaker
O Homem que Mudou o Jogo – Christopher Tellefsen

Nota: Quer saber quem vai levar o Oscar de Melhor Filme? Muito provavelmente ele estará entre esses indicados. Triste que A Árvore da Vida não esteja por aqui.

Maquiagem

Albert Nobbs – Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin
A Dama de Ferro – Mark Coulier e J. Roy Helland

 Trilha Sonora Original

As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne – John Williams
O Artista – Ludovic Bource
A Invenção de Hugo Cabret – Howard Shore
O Espião que Sabia Demais – Alberto Iglesias
Cavalo de Guerra – John Williams

Nota: Precisava mesmo dar duas indicações para John Williams? Cadê o espaço para a originalidade de artistas como The Chemical Brothers e a excelente trilha de Hanna?

Canção Original

“Man or Muppet” de Os Muppets – Letra e música de Bret McKenzie
“Real in Rio” de Rio – Letra de Siedah Garret, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown

Nota: Mesmo depois de milhares de garrafas d’água, Carlinhos Brown chegou ao Oscar. Surpreende também que sejam apenas duas músicas no páreo.

Curta metragem de Animação

Dimanche/Sunday – Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore – William Joyce e Brandon Oldenburg
La Luna – Enrico Casarosa
A Morning Stroll – Grant Orchard e Sue Goffe
Wild Life – Amanda Forbis e Wendy Tilby

Curta metragem

Pentecost – Peter McDonald e Eimear O’Kane
Raju – Max Zähle e Stefan Gieren
The Shore – Terry George e Oorlagh George
Time Freak – Andrew Bowler e Gigi Causey
Tuba Atlantic – Hallvar Witzø

Montagem de Som

Drive – Lon Bender e Victor Ray Ennis
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – Ren Klyce
A Invenção de Hugo Cabret – Philip Stockton e Eugene Gearty
Transformers: O Lado Oculto da Lua – Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl
Cavalo de Guerra – Richard Hymns e Gary Rydstrom

Nota: onde estaria Super 8?

Mixagem de Som

Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson
A Invenção de Hugo Cabret – Tom Fleischman e John Midgley
O Homem que Mudou o Jogo – Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick
Transformers: O Lado Oculto da Lua – Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin
Cavalo de Guerra – Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

Nota: onde estaria Super 8? [2]

Efeitos Visuais

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson
A Invenção de Hugo Cabret – Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning
Gigantes de Aço – Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg
Planeta dos Macacos: A Origem – Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett
Transformers: O Lado Oculto da Lua – Dan Glass, Brad Friedman, Douglas Trumbull e Michael Fink

Nota: Transformers vs. Gigantes de Aço? De qualquer forma é bacana que um longa de Scorsese chegue também nessa categoria.

Hugo


Posteridade – Homens de Preto 3

Homens de Preto foi um dos filmes mais criativos das últimas três décadas (tô velho!). Não que o segundo longa seja dos melhores, mas há sempre as altamente inspiradas cenas que fecham ambas as produções.

Os cartazes dos filmes também foram referências – o primeiro, então, é vanguardista até onde não dá mais, cheio de estilo. Mas tenho que confessar que os designers se superaram. Ainda que não estejam à frente de ninguém, as centenas de palavras MIB 3 formando o rosto de Will Smith e Tommy Lee Jones são até mais impactantes visualmente que os pôsteres anteriores.

Obviamente os ícones (os agentes J e K) já estão criados e, em tese, seria mais fácil trabalhar as imagens, porém o novo trabalho dá continuidade ao bom desempenho anterior da galera da arte sem ser óbvio. Por isso o Posteridade (duplo) da vez é do esperado Homens de Preto 3.

Para ampliar os cartazes, basta dar aquela clicada neles.

   Will-Smith 3Tommy-Lee-Jones 3


Crítica: Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras

sherlock-holmes-game-of-shadowsNão que Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes – A Game of Shadows, Estados Unidos, 2011) seja um filme de outro planeta, mas se tivesse um roteiro mais cadenciado, estaria, potencialmente, entre os melhores do ano. Do jeito que está, é uma divertida produção que segue bem o rastro do original.

A trama, enfim, inclui o arquinimigo do detetive inglês, Professor James Moriarty, vivido com gosto por Jared Harris (e parecendo mais velho). Enquanto toda a Europa liga atos terroristas a grupos anarquistas, Holmes desconfia do docente que parece estar acima de qualquer suspeita. Enquanto isso, o casamento de Watson parece fadado a não deslanchar.

O tratamento que o diretor Guy Ritchie dá à imagem de seus longas já não é novidade, mas parece que há uma inspiração a mais aqui. Há muita ajuda, claro. A fotografia de Philippe Rousselot é uma beleza, lavada e um tanto escura, e que só eleva o trabalho de direção de arte altamente “rococó”, sob a supervisão de Niall Moroney e Katie Spencer, apostando na profusão de elementos na mobília e nas ruas sujas. Inclua também os figurinos elegantes de Jenny Beavan, um tipo de especialista no estilo, vide Vestígios do Dia e O Discurso do Rei.

Mas voltando a Ritchie, a direção moderna parece ter retomado os áureos tempos de Snatch – Porcos e Diamantes, quando estabeleceu seu estilo. Como a boa exploração da cabine de um trem com ângulos baixos, médios, plongée e até usando uma elegante grua virtual, quando Holmes deixa a cabine antes de uma explosão e se pendura de fora do veículo com Watson.

sherlockholmesgameofshadows

Contudo, é a montagem de James Herbert é o que dá o toque final à técnica estilosa de O Jogo de Sombras. Alternando cortes ultrarrápidos com inúmeros momentos em slow motion, a narrativa se desenvolve quase que uniformemente, sempre com momentos visualmente interessantes, a exemplo da ótima cena da fuga no bosque, na qual a câmera lenta dá ainda mais força ao balaço de um tal canhão Hansen, bem como reforça os planos-detalhes picotados quem compõem a carga desse mesmo canhão com rapidez incrível.

O que faz desse Sherlock Holmes um filme apenas simpático é seu roteiro, escrito por Michele e Kieran Mulroney, que simplesmente não conseguem manter o ritmo da história. Começando em alta rotação, voltando a enfocar o personagem-título junto ao seu fiel amigo Watson de maneira intensa, relembrando a excelente dinâmica entre Robert Downey Jr. e Jude Law, mais à frente, a trama pesa sobre eles. Nesse momento, o desenvolvimento ganha corpo, mas o melhor do filme perde espaço para que a história caminhe, o que baixa (e muito) o compasso. Isso sem contar no total desperdício de Noomi Rapace, que até parece não ser uma mocinha a ser salva, mas que revela ser apenas um atalho para a trama seguir adiante, sendo irmã de alguém importante para tal.

Excetuando pequenos flashbacks que mostram ações de Holmes para conter os inimigos, como a obstrução das armas no trem, o roteiro não vai muito longe com uma história que deveria ser complexa ao ponto das conexões do Professor Moriarty cobrirem toda a Europa – como bem mostra a teia elaborada por Holmes sobre uma mapa europeu.

Estilo de sobra, trama apenas OK.

Nota: 7,5


Resumo (9 a 15 jan)

Burlesque-poster

Burlesque* (Idem, 2010). De Steve Antin

Em momento algum o filme esconde que se trata de um veículo para Christina Aguilera, mas sinceridade não é tudo. Aliás, no caso de Burlesque não significa nada, pois o longa é uma colagem de outros musicais de sucesso recente, especificamente Moulin Rouge e Chicago. Não que seja um plágio, mas é fácil perceber elementos emulando os “oscarizados supracitados”. Veja bem, a protagonista é uma ingênua menina que quer ser uma estrela das apresentações musicais de um clube reconhecido na cidade grande. Renée Zellweger também queria ser no musical de Rob Marshall. Contudo, ela tem que passar por cima de dificuldades como a estrela venenosa da casa. Catherine Zeta-Jones levou um Oscar interpretando uma personagem malvadamente parecida. E adivinhe qual a música usada para apresentar a tal estrela? “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”, a mesma que Nicole Kidman interpreta ao aparecer em Moulin Rouge. Coincidência ambas evocarem Marilyn Monroe para brilharem? E não é preciso nem comentar a aproximação da casa que dá nome ao filme com o próprio clube francês homônimo à produção dirigida por Baz Luhrmann em 2001. Pior ainda foi perceber o quanto a abertura de Burlesque, com Aguilera deixando a terra natal de ônibus e procurando um lugar em Los Angeles, me lembrou os primeiros momentos de Lua de Cristal (sim, o da Xuxa). Não é possível, porém, negar o fato de que Christina tem talento para a dança e para os vocais, e se o filme quer é mostrar isso, oferece muitos andamentos com a moça soltando a voz. Não que todos eles sejam momentos inspirados, contudo a boa fotografia e a beleza das moças em cena ajudam muito. Até mesmo Cher tem seu bom momento, logo na primeira aparição em cena – tão bacana que deixa a descartável segunda canção interpretada por ela ainda mais deslocada, afinal, quem iria querer ouvir lamentações numa boate agitada? Talvez o diretor e roteirista Steve Antin, que abusa de clichês, como a casa que se afunda em dívidas e precisa de uma salvação ou o ricaço que quer comprar o clube e construir um prédio comercial. E se não há como negar que você já viu a mesma situação numa dúzia de outros filmes, pelo menos a repetição da excelente atuação de Stanley Tucci joga a favor de Burlesque. Nota: 6

*Filme visto pela primeira vez


Gato de Botas de verdade

Encontraram!

gato

 


Crítica: A Pele que Habito

cartazes-lapielquehabitoDoentio é uma boa maneira de se definir A Pele que Habito (La Piel que Habito, Espanha, 2011), contudo é pouco para um filme que conta uma história bizarra sim, mas que, assim como O Segredo dos seus Olhos, fala de obsessões e vingança.

A narrativa é sobre Robert Ledgard (Antonio Banderas), um dos médicos de maior expressão no mundo, tendo participado da maioria dos transplantes de rosto do mundo e que criou um tipo de pele resistente ao fogo e a picadas de insetos. A cobaia do dermatologista é Vera (Elena Anaya), uma frágil e bela mulher literalmente talhada para receber o tegumento batizado de GAL.

A história envolve uma quantidade razoável de mistérios, revelados aos poucos pelo roteiro de Pedro Almodóvar, baseado no romance de Thierry Jonquet. Talvez por isso os pontos de viradas do roteiro sejam tão impactantes. Há dois deles, que marcam o início do segundo e terceiro atos da trama, sempre precedidos de ações fortes dos personagens. Seria impossível comentar a história sem revelar detalhes importantes.

Entretanto é impressionante a construção dos personagens que passam por A Pele que Habito. Seja na forma como cria um tipo de vilão vestido de Tigre, saindo do quase pueril ao delinquente completo, ou mesmo na trágica personagem que vai dar nome à pele artificial desenvolvida. Já no sentido mais óbvio do longa, a determinação obsessiva de Robert é o que chama mais a atenção, sempre agindo para se livrar de algo do passado de alguma forma, ele é capaz de tudo, até mesmo isolar uma pessoa para pôr em prática um plano secreto.

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Trabalhando também o distanciamento social, a produção mostra a solidão de várias formas, seja causada por um terrível caso envolvendo queimaduras, seja por meio da depressão da filha do médico e, por fim, no confinamento de Vera. Repare no momento em que o personagem de Banderas vai entrar no quarto onde ela vive: ele abre uma fresta tão pequena da porta que mal consegue passar.

Tendo ainda a ótima trilha sonora de Alberto Iglesias, misturando sons eletrônicos com cordas dramáticas, Almodóvar dirige de formas opostas, criando momentos de pesadelo gráfico, como um estupro, e outros que suavizam a realidade dura que se revela, a exemplo do lindo plano que msotra uma pessoa queimada através do balançar de uma cadeira.

Apesar do final não parecer original ou mesmo inesperado, a cena que fecha a trama e tudo aquilo que já se passou tem força o bastante para que esse seja um dos melhores longas do cineasta espanhol em muitos anos.

Nota: 9

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