Go ahead, punk. Make my day.

Resumo de Início de Ano

Resumo é uma área do Cinefilia na qual escrevo sobre todos os filmes que assisti fora dos cinemas durante a semana.

rango_movie_posterRango* (Idem, 2011). De Gore Verbinski

Depois de sair de um filme família (Um Ratinho Encrenqueiro), passar por uma refilmagem estilo J-Horror (O Chamado) e fazer toda uma trilogia de aventura extremamente bem sucedida financeiramente (Piratas do Caribe), o diretor Gore Verbinski chega com este longa animado inteligente e que surpreende. Primeiro porque é a única a rivalizar com a Pixar em qualidade de animação propriamente dita, criando um ambiente complexo e seres tangíveis. Depois, pela quantidade de referências que faz ao mundo western e de demais gêneros, chegando ao ápice num ataque aéreo ao som de “A Cavalgada das Valquírias” tirada de um banjo, como nem Coppola poderia imaginar. Fora que ver o Estranho Sem Nome de Clint Eastwood altamente estilizado é um deleite para os cinéfilos mais ávidos. Some a isso uma direção esperta, que ressalta o sol escaldante da terra árida aonde vai parar o pequeno camaleão Rango por meio de planos baixos e um roteiro que, se não é exatamente original, sabe criar um belo clímax (exatamente quando surge “Clint”) e bons personagens a exemplo da lagarto Feijão, da roedora Priscilla e, claro, do protagonista ator/diretor solitário que pode, enfim, elaborar sua fantasia mais complexa e perigosa. Nota: 8,5

a_team_posterEsquadrão Classe A* (The A-Team, 2010). De Joe Carnahan

Em determinado momento de Esquadrão Classe A, o esperto Hannibal, vivido por Liam Neeson, elabora um plano para o roubo de uma prensa de dólares. Tudo é feito às pressas, mas cada passo é parte de uma coreografia de ação complexa, executada com a ajuda de muitos materiais improvisados no acampamento onde estão. Contudo, a ação envolve aeronaves e tirolesas que nunca são citadas e surgem do nada. Um absurdo que você percebe facilmente, só que feito com tanto charme e diversão que não há como cobrar que o longa seja de outra maneira, pois é no meio desse tipo de cena deliciosamente mentirosa que se desenrola um filme em alta velocidade e que prende a atenção. Baseado na série homônima da década de 80, ele conta ainda com um elenco ultra-carismático – destaque para o maluco Murdock, de Sharlto Copley. Fora a boa montagem, que não só dá conta do ritmo alucinante, como ainda o faz acelerar ao criar vários momentos em que ações paralelas são desenroladas, a exemplo do plano citado acima, enquanto ela é elaborada. Tirando o exagero nas explosões de contêineres ao final (veja Super 8 e entenda o motivo da cena aqui ser tão fraca), há uma obra de ação quase completa e despretensiosa para aquelas horas em que o cérebro quer um descanso. Nota: 8

suckerpunch_1Sucker Punch – Mundo Surreal* (Sucker Punch, 2011). De Zack Snyder

A estreia de um roteiro original de Zack Snyder nas telas não deixa de ter ambição, misturando psicologia, referências pop e plástica. De qualquer maneira trata-se de um filme de contrastes. A história é difícil de resumir, mas numa sinopse é possível dizer que trata-se da narrativa de Babydoll, menina abusada pelo padastro, que perdeu a mãe, matou a irmã involuntariamente e foi presa num sanatório e de onde vai arrumar uma saída por meio da introspecção total. Dali partem sequências de ação espetaculares introduzidas por meio de mulheres-fetiche, saídas de um show burlesco. E aí está posto o cenário da contradição, já que a trama pesada na temática (estupro e prisão) nunca tem uma cena verdadeiramente violenta e as mulheres erotizadas nunca passam dos figurinos voluptuosos. O que vai contra o longa, afinal, quem viu as os trabalhos anteriores do cineasta (Madrugada dos Mortos, 300 e Watchmen) sabe que ele não tem muitos pudores. Fica a cargo do visual salvar o longa, o que é prontamente cumprido – mesmo que com algumas ressalvas. A fotografia irretocável e os planos em câmera lenta continuam lindos, enquanto a ação ganha ares de Matrix ao reverter as leis da física no mundo particular de Babydoll. Destaque para o falso plano-sequência na invasão para desativar uma bomba, no qual vários robôs são destruídos com apetite pelas protagonistas ao mesmo tempo em que a câmera baila por meio de efeitos visuais e de montagem, escondendo os cortes da cena. Boa trilha sonora, mas que perde pontos por se tratar, na maior parte das vezes, de versões de clássicos como “Sweet Dreams”, do Eurythmics, e “Tomorrow Never Knows”, do Beatles. Vale ressaltar a boa utilização de “Army of Me”, de Björk. Nota: 7,5

*Filmes assistidos pela primeira vez

2 responses

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