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Crítica: Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras

sherlock-holmes-game-of-shadowsNão que Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes – A Game of Shadows, Estados Unidos, 2011) seja um filme de outro planeta, mas se tivesse um roteiro mais cadenciado, estaria, potencialmente, entre os melhores do ano. Do jeito que está, é uma divertida produção que segue bem o rastro do original.

A trama, enfim, inclui o arquinimigo do detetive inglês, Professor James Moriarty, vivido com gosto por Jared Harris (e parecendo mais velho). Enquanto toda a Europa liga atos terroristas a grupos anarquistas, Holmes desconfia do docente que parece estar acima de qualquer suspeita. Enquanto isso, o casamento de Watson parece fadado a não deslanchar.

O tratamento que o diretor Guy Ritchie dá à imagem de seus longas já não é novidade, mas parece que há uma inspiração a mais aqui. Há muita ajuda, claro. A fotografia de Philippe Rousselot é uma beleza, lavada e um tanto escura, e que só eleva o trabalho de direção de arte altamente “rococó”, sob a supervisão de Niall Moroney e Katie Spencer, apostando na profusão de elementos na mobília e nas ruas sujas. Inclua também os figurinos elegantes de Jenny Beavan, um tipo de especialista no estilo, vide Vestígios do Dia e O Discurso do Rei.

Mas voltando a Ritchie, a direção moderna parece ter retomado os áureos tempos de Snatch – Porcos e Diamantes, quando estabeleceu seu estilo. Como a boa exploração da cabine de um trem com ângulos baixos, médios, plongée e até usando uma elegante grua virtual, quando Holmes deixa a cabine antes de uma explosão e se pendura de fora do veículo com Watson.

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Contudo, é a montagem de James Herbert é o que dá o toque final à técnica estilosa de O Jogo de Sombras. Alternando cortes ultrarrápidos com inúmeros momentos em slow motion, a narrativa se desenvolve quase que uniformemente, sempre com momentos visualmente interessantes, a exemplo da ótima cena da fuga no bosque, na qual a câmera lenta dá ainda mais força ao balaço de um tal canhão Hansen, bem como reforça os planos-detalhes picotados quem compõem a carga desse mesmo canhão com rapidez incrível.

O que faz desse Sherlock Holmes um filme apenas simpático é seu roteiro, escrito por Michele e Kieran Mulroney, que simplesmente não conseguem manter o ritmo da história. Começando em alta rotação, voltando a enfocar o personagem-título junto ao seu fiel amigo Watson de maneira intensa, relembrando a excelente dinâmica entre Robert Downey Jr. e Jude Law, mais à frente, a trama pesa sobre eles. Nesse momento, o desenvolvimento ganha corpo, mas o melhor do filme perde espaço para que a história caminhe, o que baixa (e muito) o compasso. Isso sem contar no total desperdício de Noomi Rapace, que até parece não ser uma mocinha a ser salva, mas que revela ser apenas um atalho para a trama seguir adiante, sendo irmã de alguém importante para tal.

Excetuando pequenos flashbacks que mostram ações de Holmes para conter os inimigos, como a obstrução das armas no trem, o roteiro não vai muito longe com uma história que deveria ser complexa ao ponto das conexões do Professor Moriarty cobrirem toda a Europa – como bem mostra a teia elaborada por Holmes sobre uma mapa europeu.

Estilo de sobra, trama apenas OK.

Nota: 7,5

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