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Crítica: Imortais

imortais_cartaz_BRÉ incrível que uma produção criada para ser um blockbuster com batalhas épicas, heróis carrancudos e formato 3D se perca não na costumeira falta de roteiro, mas no acabamento cênico. Assim é Imortais (Immortals, EUA, 2011), que conta a história de Teseu, um mortal escolhido por Zeus para lutar contra Hyperion, rei em busca de uma arma que pode mudar o destino da Terra e do Olimpo.

A pobreza vista na tela é um verdadeiro conflito, já que em meio a tanta grandeza é possível encontrar elementos como espadas que parecem feitas de isopor, com cabos falsos e lâminas de plástico pintado, e até um importante arco de visual tão deslocado que parece ter saído da mão de um atleta olímpico e não de uma narrativa da Grécia antiga. Fora isso, alguns efeitos visuais não funcionam, vide o mar na encosta onde se passa boa parte da história de Teseu. Repare principalmente na “junção” entre os limites de terra onde as pessoas pisam e o fundo: a falta de “encaixe” da iluminação evidencia bem o problema.

É ainda mais gritante a falta de cuidado se ainda levarmos em conta que a direção do filme é de Tarsem Singh, o homem que criou um estilo fabuloso no clipe da música “Losing My Religion”, do R.E.M., e o elevou a enésima potência no fraco, mas visualmente bonito A Cela. Não há como negar que bom olho para composições ele tem, entretanto, nem os cenários feitos na mão dão conta do recado, a exemplo da Sala Vermelha do Tártaro, a qual está mais para Fúria de Titãs de 1981 em sua falta de recursos, do que para 300, ao qual o filme foi incansavelmente comparado.

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Aliás, se há dorsos à mostra e capas para provar que tal comparação tem razão de ser, Gladiador também foi fonte para Imortais, como prova o momento em que Teseu se encontra com  Hyperion e este o provoca relembrando como matou sua mãe, da mesma maneira que Commodus instiga Maximus no longa de 2000, ao falar sobre a morte da mulher e do filho do guerreiro.

É claro que existem bons motivos para que Imortais exista, mesmo que eles não ajudem a salvar o longa, contudo as estranhezas visuais são interessantes, seja nos Titãs presos pela boca a barras, na enorme variedade de elmos bizarros ou mesmo na beleza da batalha nos céus que encerra o longa. A montagem também foge do básico com ótimas transições, como aquela em que um elmo caído se transforma numa embarcação ou as minas de sal que se tornam mar. Também é de se elogiar a batalha entre Deuses e Titãs, na qual a câmera lenta é muito bem utilizada para evidenciar o banho de sangue e as ótimas coreografias – ainda que ver um deus ou um titã sangrando pareça estranho.

Nota: 6

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