Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Março, 2012

Crítica: Fúria de Titãs 2

Há dois anos, no remake que deu origem a Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans, 2012, EUA), Perseu ganhou um background um pouco mais digno que no Fúria original, de 1981: saía o “amor que vence qualquer barreira” para a entrada de uma vingança pela morte do pai adotivo. Pois as histórias familiares renderam e pavimentaram toda a trama dessa continuação.

Perseu agora é pai e quer a todo custo proteger o filho dos riscos de qualquer conflito, por outro lado é posto à prova por conta dos deuses mais uma vez: a fé por eles vem desaparecendo e sem as preces dos humanos, os habitantes do Olimpo se enfraquecem e titãs como Cronos planejam, assim, despertar e espalhar o caos. No meio de tudo, Zeus (Liam Neeson) é capturado e sua força vital será a fonte para o despertar do titã. Para salvar o pai e tentar manter o mundo pacífico ao filho, Perseu empunha a espada mais uma vez.

Mas antes de parecer que se trata de um drama familiar mitológico, em poucos minutos Fúria 2 deixa claro que nada mais é do que um divertido filme de ação/fantasia. Baseado nos muitos efeitos visuais e na direção vigorosa de Jonathan Liebesman, a produção simplesmente não tenta ser mais do que é, desenvolvendo os personagens no mínimo possível para que sirvam à trama, a exemplo de Agenor, o filho de Poseidon. Vivido por Toby Kebbell, sua importância é ser um alívio cômico, além de indicar um caminho ao herói, que volta na pele de Sam Worthington, mas com menos olhares ameaçadores. Acima daquilo, Agenor não tem grande função em cena, ainda que cumpra o papel com louvor –  e humor.

Contudo, essa estratégia do roteiro de Dan Mazeau e David Johnson deixa algumas baixas, como Andromeda (Rosamund Pike), que não passa de uma rainha-guerreira e interesse amoroso de Perseu, além do poderoso Hades (Ralph Fiennes), cuja função aqui é só capturar Zeus e passar 90% do resto de seu tempo em cena olhando para o irmão-Deus sem ter muito o que fazer.

Fúria de Titãs 2 - 1

Enquanto a direção de Liebesman exige fisicamente dos atores – vide plano longo em que o protagonista sobe em telhados em seu primeiro combate contra uma quimera que invade sua vila –, em alguns momentos ele parece se esquecer do próprio espaço que criou para as cenas, fazendo com que movimentações absurdas aconteçam, a exemplo do momento em que Perseu cai na câmara do Minotauro. Ele segura uma parede que se fechava para livrar Andromeda do esmagamento, ela passa sobre ele, contudo, no momento em que não consegue mais manter a parede parada, cai sem grandes explicações de onde teria surgido tal vão, mesmo que segundos antes outra personagem pisara ali.

Fora que partindo dali há um tremendo anticlímax: um dos momentos mais empolgantes do longa é justamente quando as paredes de um labirinto pelo qual passam os protagonistas começa a se fechar, com imagens claustrofóbicas e montagem ágil, mas que vai achar desfecho num combate apressado com o Minotauro, o qual mal é visto, ficando escondido em cortes acelerados e na fotografia escura. Além de se tornar um tipo de chefe de fase, como num videogame, que dá o passe ao próximo e mais desafiador inimigo.

Em contraponto, Cronos não é o quase desperdício que foi o Kraken no longa anterior, ainda que o desafio de Perseu montado em seu Pégaso seja muito parecido com o do titã original. Tudo bem, o 3D é usado com intensidade e o ótimo efeito criado pelo ser de lava e pedra dão origem a um bom espetáculo – o qual exige um pouco de compreensão, mas entretém e, em última análise, é família.

Nota: 7

Fúria de Titãs 2 - 2


Trilha – À Prova de Morte

À Prova de Morte é facilmente o pior filme já feito por Quentin Tarantino – pelo menos em sua segunda metade, que desanda todo o bolo. Porém, enquanto está apresentando o personagem Stuntman Mike e do que ele é capaz, o cineasta ajeita a cena mais sexy de sua carreira até aqui: uma lap dance executada com gosto por Vanessa Ferlito e com Kurt Russell à vontade.

O bacana é que nem atriz, nem diretor se preocupam em esconder imperfeições físicas (vide barriguinha saliente – um pouco), mas ficam ligados no clima da cena e na coreografia altamente estimulante. Não sei se dublês de corpo foram usadas, mas o 3 minutos de bocas e coxas de Vavessa dão uma surra nos 90 de Demi Moore em Striptease, por exemplo.

Então, amigo, ao som de “Down in Mexico”, de The Coasters, damos os parabéns a Quentin Tarantino pelo seu aniversário nesse 27 de março e por nos proporcionar tal momento.


Posteridade – 8 Bits

Versões 8 bits são quase sempre bacanas e o blog Sedentário trouxe alguns bons exemplos de cartazes de filmes como V de Vingança, Matrix, Titanic, O Cavaleiro das Trevas e 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Não é nada genial, mas bem divertido. Clique no pôster 300 abaixo, com uma “quantidade 8 bits” de inimigos, e veja mais.

300 - 8 bitsDica da Jess Block


Fora do script – 25 improvisos

Nesse vídeo, 25 frases (ou momentos) famosas(os) de filmes são listadas (os) como improvisos, ou  seja, não estavam no roteiro, mas nasceram por meio do talento de seus executores. Algumas realmente me impressionaram, como “Warriors, come out to play!”, que basicamente define Os Selvagens da Noite, “Here’s Jhonny!”, de O Iluminado, e “Like tears in the rain”, de Blade Runner, que é uma das falas mais lindas do Cinema na minha opinião e, se for verdade o improviso, já me faz protestar: cadê o Urso de Prata, o Oscar ou o Troféu Imprensa para Rutger Hauer?


Resumo (16 a 19 mar)

labyrinth_ver1Labirinto – A Magia do Tempo (Labirinth, 1986). De Jim Henson

Com a assinatura de Jim Henson, o criador dos Muppets, era natural que os bonecos em cena em Labirinto fossem de primeiríssima, mas não é só isso, a complexidade com que as cenas são criadas também chama a atenção, pois a não ser que o momento exija que a jovem vivida por Jennifer Connelly esteja só, dificilmente você verá apenas ela em cena, sem que haja pelo menos um “ser vivo” pelas redondezas. E mais: há uma grandiosidade na cena de contenção da invasão da moça na Cidade dos Duendes por parte da guarda de Jereth, o rei dos Duendes, vivido por David Bowie. Dezenas de bonecos interagindo entre eles e com atores de carne e osso que beira a genialidade pela naturalidade e fluidez dos movimentos. Ademais, para contar a história da jovem que precisa resgatar o irmão das garras de  Jereth –  após ela mesma ter pedido que o bebê fosse levado – existe um trabalho de direção de arte também excelente, principalmente na Cidade dos Duendes, uma vila que tem alguns traços expressionistas em suas angulações. No mais, o roteiro, se não é original, sabe prender a atenção num caldeirão de referências fantasiosas, muito bem apontada pela câmera de Henson que passa por livros na estante da jovem  Jennifer. Peca por números musicais nada orgânicos e que só chamam a atenção por serem escritas e executadas por Bowie. Nota: 8


Spielberg não é indicado por Tubarão em 1976

Você tem 30 anos e está em seu segundo filme. Ainda que ele seja o precursor dos blockbusters e tenha grandes expectativas de ser indicado a vários Oscars, inclusive te dando sua primeira nomeação, há na sua frente gente do calibre de Federico Fellini, Stanley Kubrick e Milos Forman. Seu filme se chama Tubarão, o ano é de 1976 e não, Steven Spielberg não foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor. É essa decepção e as dores de cotovelo dos amigos puxa-saco que você no vídeo abaixo. Ótimo!


Resumo (13 fev a 15 mar)

where-the-wild-things-posterOnde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, 2009). De Spike Jonze

Trabalhando com limites, o diretor Spike Jonze vai fundo na psiquê de um garoto e ainda consegue criar uma bela fábula sobre aprendizado e egoísmo infantil. O filme é limítrofe por, primeiro, conseguir extrair 100 minutos de uma história que tem 338 palavras no material original, o livro homônimo de Maurice Sendak. Depois pela forma com que o longa se divide entre a fofura de um menino que parece ter 10 anos e seus monstros felpudos, mas que ambos guardam problemas de caráter, seja egoísmo, insegurança ou inércia. É clara a divisão de personalidade do jovem Max entre os monstros que ele encontra numa ilha depois de fugir de casa num acesso de fúria contra a mãe. Mais impressionante é que o filme seja tão tocante e delicado, abordando questões claras de amadurecimento, sem se esquecer de um visual arrebatador, seja os das criaturas, seja o ambiente árido, mas que é estranhamente aconchegante na fotografia de Lance Acord, um tanto descolorida e, ao mesmo tempo, destacando os monstros. A trilha sonora de Karen O. e Carter Burwell dá o toque final ao clima de intimidade com os personagens, por vezes expansivos ou flagrados em seus momentos mais particulares ternos. O uivo de um dos monstros e o olhar de uma mãe ao final do longa são duas das coisas mais lindas do Cinema da década passada. Nota: 9

Kick_Ass_Poster_38Kick Ass – Quebrando Tudo (Kick Ass, 2010). De Matthew Vaughn

Se a maior parte dos filmes baseados em quadrinhos tenta ter ligação com o mundo real, se tornando mais sérios e menos coloridos, dois deles foram na contramão e se deram bem: um é Scott Pilgrim Contra o Mundo e o outro é esse, Kick Ass. O longa de Matthew Vaughn, baseado nas histórias de Mark Millar e John Romita Jr., tem uma violência surreal para uma produção desse tamanho, mas também é uma beleza de assistir. Primeiro que boa parte daquela violência sai das mãos de Hit Girl, interpretada com um carisma anormal de Chloë Grace Moretz, então com apenas 13 anos. Segundo que a história é esperta o bastante para criar vigilantes de verdade no mundo real, treinados e com corpos que se machucam. Além, claro, de ter uma contraponto a isso, que aqui se chama Kick Ass, uma heroi que veste uma roupa de mergulho verde como uniforme, combate o crime em janelas de horários nas quais não tem outras obrigações de um adolescente e que apanha muito. Tanto que o único superpoder do longa é a diminuição da dor de Kick Ass, depois que seu sistema nervoso é afetado em um atropelamento. Para dar liga à mistura entre o realista e o puramente exagerado, vem a fotografia de Ben Davis, iluminada e colorida, contrastando com o sangue que jorra sem grande problemas no longa. Nota: 8,5

horrible_bosses_ver4Quero Matar Meu Chefe* (Horrible Bosses, 2011). De Seth Gordon

Contando com uma fauna estranha – mas hilária – de personagens, o longa é daquelas comédias desbocadas que vêm aparecendo há alguns anos em Hollywood, a exemplo de Superbad e Se Beber, Não Case!. E isso é bom, pois evita o bom-mocismo e ainda garante algumas gargalhadas sem grande pretensão. O fino (se é que pode dizer que essa palavra se encaixe) são os seis protagonistas, três chefes medonhos e três funcionários amedrontados. Kevin Spacey é um cara cruel, que alimenta esperanças em Jason Bateman quanto a uma promoção. Colin Farrell é um cheirador maluco e preconceituoso que pega no pé de Jason Sudeikis. Uma perseguição que parece ser nada perto das investidas sexualmente agressivas de Jennifer Aniston ao fiel Charlie Day. Sem muito espaço para sutileza, mas com um elenco que ainda conta com um Jaime Foxx à vontade, o longa vence pelas piadas sujas e sem culpa. E uma produção que consegue fazer rir com um gato assustando seu elenco, o maior dos clichês, merece meu respeito. E só lembrando que você nunca verá Jennifer Aniston tão à vontade e poucas vezes tão linda. Quer mais? Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez