Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (19 mar a 1º abr)

suspiria_posterSuspiria* (Idem, 1977). De Dario Argento

Uma orgia medonha em verde, vermelho e azul, Suspiria foge do comum em praticamente tudo, deixando convenções do terror como o ambiente lúgubre para se fazer num tom opressivo e, ao mesmo tempo, altamente colorido com a excelente fotografia de Luciano Tovoli, que inclui focos de luz que dão clima às cenas e saem do óbvio. A direção de Argento também é interessantíssima, por vezes econômica – com uma tomada que apenas se aproxima de um cão e antecipa o ataque a uma criança sem precisar mostra-lo –, por vezes virtuosa – movimentos de câmera como aquele em que o enquadramento busca a lâmpada que vai ser apagada ou a grua que voa sobre as bailarinas que dormem no salão de dança avermelhado e cheio de lençóis. A trilha sonora do grupo Goblin, com acordes insistentes e sussurros, além da direção de arte extravagante e viva fecham o pacote claustrofóbico de Suspiria, que, apesar das atuações nem sempre das melhores e da trama de final anticlimático, explora o gore competentemente, com exageros calculados e aura pesada para incomodar e criar um grande horror. Nota: 8,5

Carrie_custom_posterCarrie, A Estranha* (Carrie, 1976). De Brian De Palma

Calcado numa atuação insuperável de Sissy Spacek, além de um inteligente andamento da trama, Carrie é daqueles terrores da vida real: apesar da telecinese, o horror vai sendo construido no cotidiano, aos poucos, chegando no ápice que justifica a reação da protagonista, num final de baile catártico – e mau. Não à toa a cena que abre o longa, com o banho de Spacek e sua menstruação chegando pela primeira vez, seja tão importante para o filme: ali está a base de tudo, uma menina reprimida ao extremo, que não consegue entender que a puberdade chegou, filmada de modo absolutamente terno por De Palma, que explora o corpo branco e puro com fotografia iluminada e montagem slow motion contrastando em 100% com a mulher coberta de sangue vermelho vivo e olhar furioso ao final do longa, um ícone cinematográfico perturbador. Com uma boa dose de crítica ao fanatismo religioso na estranhíssima figura da mãe de Carrie, vivida por Piper Laurie, o longa pode estranhar aos mais desavisados que procuram carnificina, mas está entre as produções que melhor desenvolvem um personagem e dão sentido às ações que se senguem, mesmo quando elas são atos impensados de adolescentes inconsequentes. Nota: 8,5

2006-lucky_number_slevin-1Xeque-Mate (Lucky Number Slevin, 2006). De Paul McGuigan

Partindo de um mistério, passando por aquele estilo solto e engraçadinho e chegando num final até certo ponto obscuro, Xeque-Mate tem nessa guinada um de seus trunfos, conseguindo abarcar a violência estilizada de um Tarantino num roteiro fragmentado, mas que une muito bem as pontas que vai largando no andamento do longa. Ao final, a estilização é deixada de lado para que os conflitos sejam resolvidos, o que acontece mais rapidamente do que a plateia espera e isso infla o choque quando os mistérios são desvendados. Mas até lá, é possível até pensar que Josh Hartnett é um cara com carisma elevado e ainda se derreter com a fofura de Lucy Liu, num de seus melhoes papéis. Destaque ainda para a montagem esperta e de soluções inteligentes – repare num momento em que Hartnett deve contar a Lucy o que se passou em dois encontros com dois chefões da máfia e tudo o que acabamos de ver é mostrado novamente em fast foward. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

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2 responses

  1. Sandra Prata

    Acho que assisti Carrie, eu tinha uns 10 anos … e nunca mais esqueci. Mais tarde, já adulta, revi várias vezes …
    Gostava muito desse estilo de filme. Assisti todos os Pesadelos, QQ coisa sobre mortos vivos … Me lembro que em tempos beeeem remotos na Band tinha sessão, uma vez por semana, só de filmes de terror.. os de vampiros eram meus prediletos, A dança dos Vampiros tb vi nessa época, de Carrie … são clássicos!

    3 de Abril de 2012 às 7:28 PM

    • Carrie é um grande drama que se transforma num terror, com atuação fantástica de Sissy Spacek. Aquele olhar e aquelas mãos durante o baile são medonhas!

      4 de Abril de 2012 às 12:50 AM

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