Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (2 a 8 abr)

meia-noite-em-paris-woody-allenMeia-Noite em Paris* (Midnight in Paris, 2011). De Woody Allen

Woody Allen é econômico e inteligente, exatamente por isso guarda os primeiros minutos de Meia-Noite em Paris para filmar a capital francesa nos seus detalhes mais belos, através de uma fotografia iluminada, em tons quentes, criando o mesmo fascínio que o personagem de Owen Wilson não se cansa de falar durante a viagem com a esposa para o lugar – e ainda que passe o recado, a insistência dele se torna um pouco pedante em determinados momentos. Romântico e nostálgico, Wilson é um roteirista de Cinema que quer se habilitar na Literatura e vai achar a melhor consultoria de todas no início das madrugadas parisienses encontrando autores como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald milagrosamente. O filme é divertido e construído de maneira que tudo o que se passa fora dessa viagem ao passado do protagonista seja apenas motivo para que também queiramos voltar para lá com ele, seja no chato personagem Paul, de Martin Sheen, seja na gracinha que é Marion Cotillard e sua Adriana, meio desligada, mas charmosa em alto grau. Tirando a pressa do roteiro em chegar à conclusão de que o bom do passado são as nossas expectativas, ao visitar a amada Belle Époque de Adriana, o longa é despretensiosamente saboroso por incluir cenas como a que Salvador Dalí, na pele de Adrien Brody, está obcecado por rinocerontes e aquela em que o cineasta Luis Buñuel tenta entender o argumento dado por Wilson sobre um de seus filmes mais conhecidos (o qual ele ainda não filmara): afinal, por qual motivo as pessoas não conseguiriam deixar a sala em O Anjo Exterminador? Nota: 8

The FlyA Mosca (The Fly, 1986). De David Cronenberg

Da série de filmes aos quais assisti quando era criança e preciso rever, A Mosca me causou ainda mais impacto nessa segunda visita. Se antes me chamava atenção a transformação grotesca do cientista vivido por Jeff Goldblum, agora adulto consigo fazer uma associação a Kafka e sua Metamorfose, a repulsa que ambos criam em relação aos personagens e de que forma desenvolvem os dramas deles. A Mosca, no entanto, é baseado na história criada por George Langelaan e que já havia sido adaptada para o Cinema em A Mosca da Cabeça Branca, de 1958. Além disso, o filme de Cronenberg tem essa pegada mais moderna e mistura ficção-científica, terror e drama como em obras do calibre de um Alien. A mea culpa fica por conta dos personagens de Geena Davis e John Getz, jornalistas que se interessam pelo projeto inicial de Goldblum, mas que depois não conseguem vê-lo apenas como uma pessoa passando por uma situação limite, mas também como objeto de curiosidade da própria profissão. Geena em menor intensidade, já que no meio do percurso se apaixona pelo cientista. Claro que a ótima atuação de Jeff Goldblum – como um sujeito meio aparvalhado, mas que ascende e desce ao mais profundo poço – e também a maquiagem sensacional de Chris Walas e Stephan Dupuis são os chamarizes mais evidentes. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez

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