Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Maio, 2012

O Iluminado Santos

iluminado

Dica de Ana Luiza

Anúncios

Posteridade – 360

O novo longa-metragem de Fernando Meirelles ganhou um cartaz que tem tudo a ver com o título do filme. Usando uma técnica que junta os rostos de quatro dos prinicpais atores da produção – Anthony Hopkins, Jude Law, Rachel Weisz e Maria Flor -, é formada uma imagem de um único rosto. Foi o próprio comandante da empreitada que divulgou o primeiro pôster nessa quinta-feira, no site de sua produtora, a O2 Filmes.

O filme tem roteiro de Peter Morgan (indicado ao Oscar por A Rainha e Frost/Nixon) e é uma reunião de histórias, passadas em diversas partes do mundo, e foi inspirado na peça teatral de Arthur Schnitzler.

360 nem estreou em circuito comecial e já foi indicado ao prêmio de Melhor Filme no London Film Festival de 2011. Além, claro, de ganhar o Posteridade da vez, aqui no Blog Cinefilia.

360_af_cartaz_3x4-crop


Resumo (7 a 13 mai)

beaverposterUm Novo Despertar* (The Beaver, 2011). De Jodie Foster

Daqueles filmes que tem suas estranhezas, mas que na maior parte do tempo trata de maneira séria de um assunto idem. Um Novo Despertar salpica de humor a história de um homem em depressão profunda e que acha em um fantoche de castor um meio para se livrar de todo o peso de sua condição. E quando digo salpica não é à toa, pois ao mesmo tempo que a atuação de Mel Gibson é hilária com um sotaque britânico dado ao boneco, ele não deixa de mostrar o quanto está exausto com sua vida de tristeza. E assim o longa é contrabalanceado, enquanto você ri de algo, sente que existe outra coisa para te puxar para baixo. A direção de Jodie Foster é inteligente e consegue aflorar momentos cômicos – a exemplo da cena de “suicídio” de Gibson -, mas para manter as coisas fora da euforia, a montagem de Lynzee Klingman é mais calma e privilegia cenas como aquela em que o rosto de Mel está para baixo durante uma segunda despedida da família. Aliás, a atuação de Gibson é o ápice de Um Novo Despertar, repare como ele pula da completa felicidade quando mostra o smoking que pretende vestir no Castor para uma expressão de falta de vontade ao ouvir a negativa da mulher de “levar” o castor com eles a um jantar. O grande problema da produção está no roteiro, que vai de uma situação para outra, na maior parte das vezes, sem muita fluidez. Talvez o melhor exemplo seja a maneira pela qual o roteiro justifica a grande sacada do protagonista para a criação de um novo brinquedo e como sua fábrica prospera. Tudo acontecendo sem grandes preparações e se desenrolando apressadamente. Se o longa tem 91 minutos, com certeza ele poderia se beneficiar de alguns a mais, visto que há ainda um bom paralelo nos caminhos tomados por Mel Gibson e seu filho vivido por Anton Yelchin. O jovem quer evitar a qualquer custo, mas tudo em sua vida parece refletir o momento do pai. O final, ainda que atingido por um caminho tortuoso, é bem tocante. Nota: 7,5

*Filme assistido pela primeira vez


Curta: Mamá

Uma fórmula simples e até bem conhecida dos amantes dos filmes de terror: crianças + seres estranhos. Mas que no curta-metragem espanhol Mamá, de Andres Muschietti, funciona que é uma beleza, principalmente por causa do climão que ele estabelece desde a primeira cena, com muito do cenário desfocado, impossibilitando a descoberta de onde vai sair o mal, e movimentação dos atores em cena nada óbvia. Vá lá que temos aqui e ali alguns clichês, contudo o resultado final é bem satisfatório.

O filme é de 2008 e vai se transformar num longa-metragem com Jessica Chastain (de A Árvore da Vida) no elenco e com produção executiva de Guillermo Del Toro. Andres Muschietti é pouco conhecido, mas em 1996 foi assistente de produção na Argentina de Evita.


(Não) Crítica: Battleship – A Batalha dos Mares

battleship_poster_02Não é difícil escrever sobre Battleship – A Batalha dos Mares (Battleship, EUA, 2012), afinal, não era nem para esse filme existir. O motivo? Veja bem, o argumento do roteiro de Erich Hoeber e Jon Hoeber é que foi descoberto um planeta com as mesmas condições da Terra: ele está próximo de uma estrela que garante calor e luminosidade, há água e uma atmosfera. E onde há tudo isso pode haver vida. OK, até aí tudo bem. Mas em determinado momento, após a chegada desses alienígenas em nosso planeta, o roteiro informa que os visitantes têm sérios problemas com a claridade do Sol. Pare e reflita: se o planeta deles é parecido com o nosso, mas eles não podem com luminosidade, como, diabos, essa forma de vida surgiu?

Mas você pode defender os Hoeber, dizendo que a estrela que banha o planeta recém-descoberto pode ter uma intensidade menor, ainda que o roteiro não nos informe disso. OK, que seja. Então, Erich e Jon merecem seu desprezo por criar predadores tão burros que tentam invadir um planeta absurdamente perigoso para a vida deles. E mais, procuram uma das regiões mais improváveis para pousar, o Havaí, local conhecido por qualquer ser humano por suas praias ensolaradas.

Pronto, posso parar por aí na crítica, né? Não tem filme, Battleship é uma história de guerra sem inimigo. Sem conflito não há como o insuportável protagonista imaturo, encrenqueiro e engraçadinho Alex Hopper (Taylor Kitsch) ter um arco “dramático” (se é que é possível usar essa palavra aqui) de redenção. E olha que para isso, você teria quer aguentar mais de 2h para ter esse lampejo de crescimento pessoal do rapaz.

battleship-batalha-dos-mares1

A plateia, inclusive, agradece pela não existência do longa para não ser taxada de idiota. Isso porque não haverá várias explicações de um mesmo evento como se quem estivesse na poltrona tivesse um cérebro menos evoluído e precisasse ouvir três vezes do que se trata o tal Projeto Beacon, que é descrito num letreiro, depois por um cientista e mais à frente é reafirmado por um membro do governo norte-americano – “Você está dizendo que mandamos um sinal para o espaço e recebemos uma resposta alienígena?”. E claro, os roteiristas guardam parte da própria dignidade, pois ninguém viu o artifício manjado que eles iriam usar para explicar os planos dos invasores: o toque do alien no rosto de um humano que transmite as ambições invasoras contra os terráqueos. Um artifício que já foi usado em Independence Day e até no trash Seres Rastejantes.

Podemos dizer também que o diretor Peter Berg (dos bons O Reino e Hancock) continua promissor, pois ele não passa vergonha com seus movimentos de câmera desnecessários, puxando a câmera para o alto durante a primeira batalha entre os contratorpedeiros humanos e as naves alienígenas. Ele ainda poderá guardar para o futuro, o plano-sequência no naufrágio do navio John Paul Jones e avisar aos montadores Colby Parker Jr., Billy Rich e Paul Rubell que se aquilo é uma tomada extensa, não tem motivo para um corte sabotador para um close em Taylor Kitsch no momento em que o navio está indo a pique.

Sorte também de J.J. Abrams, que continua o rei dos flares, já que a fotografia cheia de rastros luminosos que insiste atrapalhar a visualização dos alienígenas também não pode estar lá se os visitantes de outra galáxia não puderem nascer.

E, no fim de tudo, você que leu toda essa crítica pode apagá-la da mente, pois se não há filme, não há o que criticar.

Nota: 3

P.S. A nota acima também é fictícia

Taylor-Kitsch-battleship-batalha-dos-mares


Resumo (7 a 13 mai)

slither-posterSeres Rastejantes* (Slither, 2006). De James Gunn

Discípulo direto de Lloyd Kaufman, diretor do cult total O Vingador Tóxico, o cineasta James Gunn fez de Seres Rastejantes seu maior projeto trash depois de conseguir ótima repercussão com o remake Madrugada dos Mortos, do qual foi roteirista. O longa tem seus pontos positivos, conseguindo atingir um bom nível de nojeira e dimensão cômica para a história sobre um ser que viaja pelo Espaço Sideral tomando planetas ao, literalmente, absorver os seres vivos do lugar. Ele inclui nessa um bom arco dramático de um homem que, ao ser infectado, se torna uma criatura e perde o amor da esposa. As maquiagens de set e digital são os pontos altos do filme, trazendo momentos incríveis como o homem partido ao meio ou a mulher bolha, prestes a explodir. Contudo, o roteiro de Gunn atira para todos os lados fazendo com que seus vilões comecem com uma pessoa em mutação, passando para as tais criaturas rastejantes do título, chegando a zumbis comandados por elas. Falta foco e sobra preguiça ao fazer de uma menina a fonte de explicação de tudo o que acontece em cena, seja essa explicação simples ou complexa, indo do plano do alienígena à forma de reprodução do mesmo. Você pode até dizer que esta é uma exigência grande demais para um filme de “terrir”, mas obras como Evil Dead, com seríssimas restrições orçamentárias, conseguem ser mais tensas, coesas e engraçadas que esta. Nota: 6,5

spit1978A Vingança de Jennifer* (Day Of The Woman ou I Spit On Your Grave, 1978). De Meir Zarchi

Não é que o ponto de partida de A Vingança de Jennifer seja dos mais originais, mas sua realização é que merece certo respeito. Há problemas na direção e nos personagens, contudo há uma maldade que não poderia nem sonhar ser incluída em projetos mais “abastados” . O filme parte de um estupro e segue pela tal vingança e até chegarmos a ela há uns bons minutos de sofrimento e alguma criatividade. Tudo acontece meio de repente, com o rapto da mulher numa canoa e se transforma num grande pesadelo, que dura cerca de 30 minutos com abusos variados, seja violência sexual, psicológica, espancamento e outras humilhações. Passado um pequeno lapso de tempo temos a desforra da protagonista em cenas não menos espertas, ainda que exija certa aceitação do plateia, como no momento em que uma pessoa é enforcada. A montagem, ainda que sem grandes atrativos, não desliza e o roteiro é inteligente o bastante para subverter algumas expectativas, a exemplo da investida de Jennifer a um de seus estupradores, inicialmente com uma arma, mas que parece perecer ante ao discurso machista dele de que ela havia sido a culpada por ser “oferecida” demais. A direção de Meir Zarchi, ainda que consiga cenas icônicas como aquela da gaita, é comprometida por enquadramentos que só ele consegue entender a eficiência, como o movimento no início da produção, saindo da rua passando por um prédio e chegando ao carro da protagonista. Além disso, é de se questionar a caracterização de Matthew, um homem com problemas mentais, que poderia ser um ponto dramático, mas que é tratado de forma jocosa. A eficiência do filme, então, está no todo mau e seco, sem muitas firulas. Nota: 7,5

spitDoce Vingança* (I Spit On Your Grave, 2010). De Steven R. Monroe

A refilmagem de A Vingança de Jennifer só tem propósito: usar um filme B da década de 1970 para criar mais uma obra para o gosto do público de Jogos Mortais. A premissa é a mesma do filme de 1978, mas os planos de Jennifer são mais elaborados e sangrentos, fazendo dela uma verdadeira Jigsaw de saias – e nem isso é original, como a personagem Amanda já mostrou numa das continuações de Jogos Mortais. O filme, claro, melhora a fotografia do original, aqui com as cores intensas sendo substituídas por uma paleta mais sóbria e de luz branca, quase fria. A direção de Steven R. Monroe evita muita nudez, que antes era quase gratuita, e que comprova a minha teoria de que a maldade do longa original ficou perdida no tempo, assim como a liberdade de se filmar quando há orçamentos maiores. Monroe até paga tributo à obra refilmada, incluindo a boa sequência da gaita, mas a falta de motivação artística faz de Doce Vingança uma iniciativa vazia, o que, somado aos problemas de produção, deixa tudo ainda pior: frases de efeito sem efeito, gente morrendo por perder os olhos e “mortos” trazidos de volta apenas para morrerem de novo, só que de maneira mais chocante. Vale dar crédito ao roteirista Stuart Morse por criar um Matthew mais real e investir (um pouco) no drama do personagem. Nota: 5,5

carriers posterVírus* (Carriers, 2009). De David Pastor e Àlex Pastor

A maior qualidade de Vírus está em apostar no drama de seus personagens, mas para isso é preciso trabalho dobrado em relação aos conflitos necessários para que o roteiro tenha uma história  a ser contada. A aposta é alta e razoavelmente bem sucedida, pois aqui não há uma trama de zumbis, mas de algum agente infectante que tem dizimado a população da Terra, e para que as situações surjam, a ideia é criar um road movie. O filme acompanha a rotina de quatro sobreviventes, dois irmãos e suas namoradas que estabeleceram três regras que têm lhe garantido a vida, desinfetando tudo que tocam e não abrindo concessões a potenciais infectados. Falta um pouco de aproximação ao quarteto, cuja carga dramática investida fica mais entre os irmãos vividos por Lou Taylor Pucci e Chris Pine. É bem verdade que as mulheres interpretadas por Piper Perabo e Emily VanCamp ganham espaço aos poucos , mas elas nunca chegam a ter uma cena realmente forte sozinhas – Piper até passa perto, mas é o sentimento de Pine que guia o momento. Ainda que o roteiro não seja fiel às suas regras – afinal, os membros do grupo as violam parcialmente ao embarcarem infectados em sua viagem –, Vírus tem certa tensão e estabelece alguma maldade num ambiente hostil, vide cristãs pouco desapegadas. No mais, há uma bela fotografia em alto contraste. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez


Clipando – Paul Thomas Anderson

Paul Thomas Anderson é, na minha humilde opinião, um dos únicos diretotes surgidos na década de 1990 a rivalizar com David Fincher na criatividade e competência em criar um obra cinematográfica com assinatura. O currículo do cara fala por si: Boogie Nights – Prazer Sem Limites, Magnólia e Sangue Negro são apenas seus filmes mais conhecidos – todos com indicações ao Oscar.

Ele também se embrenhou nos caminhos dos videoclipes e com uma sutileza sem tamanho e um longo plano de mais de um minuto ele abre o belíssimo vídeo para “Across The Universe”, cover da então namorada Fiona Apple para a famosa canção dos Beatles.

Usando a mesma lógica de detalhes em cores em meio a uma linda fotografia em P&B de A Vida em Preto em Branco, cuja trilha sonora inclui a música, ele segue com sua câmera de movimentos fluídos e estranhos enquanto o caos é libertado na cidadezinha de Pleasantville.

Detalhe para a aparição de John C. Reilly,  no fim do clipe, costumeiro colaborador de P. T. Anderson.

Uma ótima versão, uma voz de veludo, imagens de vandalismo e direção sutil é o que o Clipando tem para hoje.