Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (2 a 6 mai)

3idiots3 Idiots* (Idem, 2009). De Rajkumar Hirani

Vindo da tradição bollywoodiana de musicais com grande metragem, 3 Idiots é um produto moderno da Índia que se desenvolve com rapidez e enriquece, ainda que as diferenças sociais sejam gritantes – coisa que brasileiro entende. É exatamente desse cenário que surgem os protagonistas do longa: universitários que lutam para garantir seus lugares entre os engenheiros que constroem esse país, mas que sofrem com as diferenças sociais e um país fortemente marcado pelo tradicionalismo. No meio de tudo isso, um personagem resolve se livrar das amarras do “sistema”, Rancho, o verdadeiro protagonista do longa. Interpretado com muito carisma por Aamir Khan, é ele que abre os olhos e corações dos outros dois idiotas do título para o que se passa na sociedade. Mantendo essa linha de rebeldias universitárias, o roteiro consegue uma boa desculpa para ser episódico, amarrando as passagens com a trajetória dos jovens. São desses recortes nas lembranças deles (outro bom recurso, pois se o filme é em flashback pode avançar pelos “episódios” com pequenas desculpas e uma grande motivação), que o filme consegue emocionar sem ser exatamente profundo, apelando para as emoções mais afloradas do ser humano, seja na relação pai e filho, seja na injustiça latente, passando, claro, pela amizade incondicional. Na mistura de Sociedade dos Poetas Mortos com Amélie Poulain, a produção vai de extremos como suicídio à comédia mais pastelão possível, sem se esquecer dos números musicais. Se é inevitável, a cantoria tem bom encaixe, comentando momentos do filme e, às vezes, aumentando a emoção da cena, a exemplo daquele envolvendo Rancho e Pia (Kareena Kapoor) – o qual, convenhamos, apesar de bonito, lembra muito o medley do Elefante de Moulin Rouge. Sinal dos tempos, o filme não tem só uma veia “rebelde”, mas também orçamento a ser investido em locações muito bonitas e equipamentos a serem usados com gosto pelo diretor Rajkumar Hirani, que faz movimentos largos com sua câmera e abusa das cores para mostrar as tais locações. Exibicionismos à parte, 3 Idiots é um ótimo cartão de visitas para a quebra do preconceito contra a filmografia indiana. Nota: 8

a-clockwork_orange-posterrLaranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971). De Stanley Kubrick

De bizarrice aflorada e subversão como motivo principal, Laranja Mecânica é aquela obra que dificilmente vai encontrar detratores, devido à força que tem para ir contra padrões. Os cenários são estranhos, velhos e destruídos. Os figurinos parecem gritar de tão escandalosos. As atuações são exageradas e, ao mesmo tempo, um delírio que apela ao subconsciente em suas mensagens secundárias – ou você ainda acha que Alex precisa dizer algo a mais naquele olho com cílios postiços? A direção segue essa mesma falta de obviedade ao incluir enquadramentos estranhamente largos com sua lente grande angular, que distorce as laterais dos ambientes e as pessoas que neles estão. Tudo para contar uma história sobre a opressão de uma sociedade deteriorada, como seus jovens reagem ao caos e a solução dada pelo Estado: a castração total do indivíduo. Visão desesperançada da sociedade, Laranja Mecânica não é só uma crítica do poder  estatal imbecil, mas também um cínico olhar para o homem e sua política. Alex DeLarge encarna tudo isso com maldade e ironia, numa atuação hipnotizante de Malcolm McDowell e sua violência, seja surrando alguém, seja sendo posto debaixo das botas de um zé-ninguém, seja no cinismo de seus minutos finais. Nota: 9,5

*Filme assistido pela primeira vez

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