Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (7 a 13 mai)

slither-posterSeres Rastejantes* (Slither, 2006). De James Gunn

Discípulo direto de Lloyd Kaufman, diretor do cult total O Vingador Tóxico, o cineasta James Gunn fez de Seres Rastejantes seu maior projeto trash depois de conseguir ótima repercussão com o remake Madrugada dos Mortos, do qual foi roteirista. O longa tem seus pontos positivos, conseguindo atingir um bom nível de nojeira e dimensão cômica para a história sobre um ser que viaja pelo Espaço Sideral tomando planetas ao, literalmente, absorver os seres vivos do lugar. Ele inclui nessa um bom arco dramático de um homem que, ao ser infectado, se torna uma criatura e perde o amor da esposa. As maquiagens de set e digital são os pontos altos do filme, trazendo momentos incríveis como o homem partido ao meio ou a mulher bolha, prestes a explodir. Contudo, o roteiro de Gunn atira para todos os lados fazendo com que seus vilões comecem com uma pessoa em mutação, passando para as tais criaturas rastejantes do título, chegando a zumbis comandados por elas. Falta foco e sobra preguiça ao fazer de uma menina a fonte de explicação de tudo o que acontece em cena, seja essa explicação simples ou complexa, indo do plano do alienígena à forma de reprodução do mesmo. Você pode até dizer que esta é uma exigência grande demais para um filme de “terrir”, mas obras como Evil Dead, com seríssimas restrições orçamentárias, conseguem ser mais tensas, coesas e engraçadas que esta. Nota: 6,5

spit1978A Vingança de Jennifer* (Day Of The Woman ou I Spit On Your Grave, 1978). De Meir Zarchi

Não é que o ponto de partida de A Vingança de Jennifer seja dos mais originais, mas sua realização é que merece certo respeito. Há problemas na direção e nos personagens, contudo há uma maldade que não poderia nem sonhar ser incluída em projetos mais “abastados” . O filme parte de um estupro e segue pela tal vingança e até chegarmos a ela há uns bons minutos de sofrimento e alguma criatividade. Tudo acontece meio de repente, com o rapto da mulher numa canoa e se transforma num grande pesadelo, que dura cerca de 30 minutos com abusos variados, seja violência sexual, psicológica, espancamento e outras humilhações. Passado um pequeno lapso de tempo temos a desforra da protagonista em cenas não menos espertas, ainda que exija certa aceitação do plateia, como no momento em que uma pessoa é enforcada. A montagem, ainda que sem grandes atrativos, não desliza e o roteiro é inteligente o bastante para subverter algumas expectativas, a exemplo da investida de Jennifer a um de seus estupradores, inicialmente com uma arma, mas que parece perecer ante ao discurso machista dele de que ela havia sido a culpada por ser “oferecida” demais. A direção de Meir Zarchi, ainda que consiga cenas icônicas como aquela da gaita, é comprometida por enquadramentos que só ele consegue entender a eficiência, como o movimento no início da produção, saindo da rua passando por um prédio e chegando ao carro da protagonista. Além disso, é de se questionar a caracterização de Matthew, um homem com problemas mentais, que poderia ser um ponto dramático, mas que é tratado de forma jocosa. A eficiência do filme, então, está no todo mau e seco, sem muitas firulas. Nota: 7,5

spitDoce Vingança* (I Spit On Your Grave, 2010). De Steven R. Monroe

A refilmagem de A Vingança de Jennifer só tem propósito: usar um filme B da década de 1970 para criar mais uma obra para o gosto do público de Jogos Mortais. A premissa é a mesma do filme de 1978, mas os planos de Jennifer são mais elaborados e sangrentos, fazendo dela uma verdadeira Jigsaw de saias – e nem isso é original, como a personagem Amanda já mostrou numa das continuações de Jogos Mortais. O filme, claro, melhora a fotografia do original, aqui com as cores intensas sendo substituídas por uma paleta mais sóbria e de luz branca, quase fria. A direção de Steven R. Monroe evita muita nudez, que antes era quase gratuita, e que comprova a minha teoria de que a maldade do longa original ficou perdida no tempo, assim como a liberdade de se filmar quando há orçamentos maiores. Monroe até paga tributo à obra refilmada, incluindo a boa sequência da gaita, mas a falta de motivação artística faz de Doce Vingança uma iniciativa vazia, o que, somado aos problemas de produção, deixa tudo ainda pior: frases de efeito sem efeito, gente morrendo por perder os olhos e “mortos” trazidos de volta apenas para morrerem de novo, só que de maneira mais chocante. Vale dar crédito ao roteirista Stuart Morse por criar um Matthew mais real e investir (um pouco) no drama do personagem. Nota: 5,5

carriers posterVírus* (Carriers, 2009). De David Pastor e Àlex Pastor

A maior qualidade de Vírus está em apostar no drama de seus personagens, mas para isso é preciso trabalho dobrado em relação aos conflitos necessários para que o roteiro tenha uma história  a ser contada. A aposta é alta e razoavelmente bem sucedida, pois aqui não há uma trama de zumbis, mas de algum agente infectante que tem dizimado a população da Terra, e para que as situações surjam, a ideia é criar um road movie. O filme acompanha a rotina de quatro sobreviventes, dois irmãos e suas namoradas que estabeleceram três regras que têm lhe garantido a vida, desinfetando tudo que tocam e não abrindo concessões a potenciais infectados. Falta um pouco de aproximação ao quarteto, cuja carga dramática investida fica mais entre os irmãos vividos por Lou Taylor Pucci e Chris Pine. É bem verdade que as mulheres interpretadas por Piper Perabo e Emily VanCamp ganham espaço aos poucos , mas elas nunca chegam a ter uma cena realmente forte sozinhas – Piper até passa perto, mas é o sentimento de Pine que guia o momento. Ainda que o roteiro não seja fiel às suas regras – afinal, os membros do grupo as violam parcialmente ao embarcarem infectados em sua viagem –, Vírus tem certa tensão e estabelece alguma maldade num ambiente hostil, vide cristãs pouco desapegadas. No mais, há uma bela fotografia em alto contraste. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez

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2 responses

  1. Helen Vilela

    Vini, que nojo esse filme aí, dos seres rastejantes. Enfim, adorei os comentários. Faz um sobre um filme super legal de 1953: A fera do forte bravo, ou Disque M para matar de 1954. Beijos, sou sua fã!

    15 de Maio de 2012 às 12:47 AM

    • Valeu pela visita, Helinha! Disque M para Matar é excelente, do Hitchcock. Vou rever para escrever aqui. Já A fera do forte bravo, não conheço, vou procurar!

      15 de Maio de 2012 às 12:51 AM

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