Go ahead, punk. Make my day.

(Não) Crítica: Battleship – A Batalha dos Mares

battleship_poster_02Não é difícil escrever sobre Battleship – A Batalha dos Mares (Battleship, EUA, 2012), afinal, não era nem para esse filme existir. O motivo? Veja bem, o argumento do roteiro de Erich Hoeber e Jon Hoeber é que foi descoberto um planeta com as mesmas condições da Terra: ele está próximo de uma estrela que garante calor e luminosidade, há água e uma atmosfera. E onde há tudo isso pode haver vida. OK, até aí tudo bem. Mas em determinado momento, após a chegada desses alienígenas em nosso planeta, o roteiro informa que os visitantes têm sérios problemas com a claridade do Sol. Pare e reflita: se o planeta deles é parecido com o nosso, mas eles não podem com luminosidade, como, diabos, essa forma de vida surgiu?

Mas você pode defender os Hoeber, dizendo que a estrela que banha o planeta recém-descoberto pode ter uma intensidade menor, ainda que o roteiro não nos informe disso. OK, que seja. Então, Erich e Jon merecem seu desprezo por criar predadores tão burros que tentam invadir um planeta absurdamente perigoso para a vida deles. E mais, procuram uma das regiões mais improváveis para pousar, o Havaí, local conhecido por qualquer ser humano por suas praias ensolaradas.

Pronto, posso parar por aí na crítica, né? Não tem filme, Battleship é uma história de guerra sem inimigo. Sem conflito não há como o insuportável protagonista imaturo, encrenqueiro e engraçadinho Alex Hopper (Taylor Kitsch) ter um arco “dramático” (se é que é possível usar essa palavra aqui) de redenção. E olha que para isso, você teria quer aguentar mais de 2h para ter esse lampejo de crescimento pessoal do rapaz.

battleship-batalha-dos-mares1

A plateia, inclusive, agradece pela não existência do longa para não ser taxada de idiota. Isso porque não haverá várias explicações de um mesmo evento como se quem estivesse na poltrona tivesse um cérebro menos evoluído e precisasse ouvir três vezes do que se trata o tal Projeto Beacon, que é descrito num letreiro, depois por um cientista e mais à frente é reafirmado por um membro do governo norte-americano – “Você está dizendo que mandamos um sinal para o espaço e recebemos uma resposta alienígena?”. E claro, os roteiristas guardam parte da própria dignidade, pois ninguém viu o artifício manjado que eles iriam usar para explicar os planos dos invasores: o toque do alien no rosto de um humano que transmite as ambições invasoras contra os terráqueos. Um artifício que já foi usado em Independence Day e até no trash Seres Rastejantes.

Podemos dizer também que o diretor Peter Berg (dos bons O Reino e Hancock) continua promissor, pois ele não passa vergonha com seus movimentos de câmera desnecessários, puxando a câmera para o alto durante a primeira batalha entre os contratorpedeiros humanos e as naves alienígenas. Ele ainda poderá guardar para o futuro, o plano-sequência no naufrágio do navio John Paul Jones e avisar aos montadores Colby Parker Jr., Billy Rich e Paul Rubell que se aquilo é uma tomada extensa, não tem motivo para um corte sabotador para um close em Taylor Kitsch no momento em que o navio está indo a pique.

Sorte também de J.J. Abrams, que continua o rei dos flares, já que a fotografia cheia de rastros luminosos que insiste atrapalhar a visualização dos alienígenas também não pode estar lá se os visitantes de outra galáxia não puderem nascer.

E, no fim de tudo, você que leu toda essa crítica pode apagá-la da mente, pois se não há filme, não há o que criticar.

Nota: 3

P.S. A nota acima também é fictícia

Taylor-Kitsch-battleship-batalha-dos-mares

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5 responses

  1. Aleishow

    Finalmente concordamos 100% em relação a algum filme. Bem bestinha mesmo!
    A única coisa que salvou (se é que podemos dizer assim) foi ter tocado um pedacinho de “The Funeral”. o/

    18 de Maio de 2012 às 2:28 AM

  2. Haha, adorei a observação sobre a nota 3.

    E concordo plenamente, lixo de filme.

    http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

    19 de Maio de 2012 às 3:57 AM

  3. Uma das melhores (não) críticas suas que li. Também, esperar o que de trama em um filme baseado no jogo “Batalha Naval”?

    30 de Maio de 2012 às 12:43 AM

    • Esse filme não existe…

      30 de Maio de 2012 às 1:37 AM

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