Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (11 a 19 jun)

cilada-comCilada.com* (Idem, 2011). De José Alvarenga Jr.

Eu até entendo que Bruno Mazzeo tente entrar no mundo do Cinema usando o seu “produto” de maior repercussão – o humorístico de TV, Cilada. Também entendo a ideia de manter o protagonista de Cilada.com com seu nome, Bruno, buscando identificação imediata com a plateia – da mesma forma que faz com seu interesse amoroso, Fernanda (Paes Leme). Contudo, para que comédia funcione, as piadas devem ser boas. Isso, parece que Mazzeo não entendeu, pois além das piadas do longa serem absolutamente sem graça, são forçadas e em ritmo episódico. Um dos casos mais problemáticos abre o filme, quando Bruno está aos amassos com uma belezura qualquer atrás de uma tela iluminada e a sombra dos dois é projetada. Primeiro que os efeitos visuais do momento parecem ter saído de 1950, tamanha a precariedade da silhueta, segundo que esta é uma piada autoplagiada pelo diretor José Alvarenga Jr., que havia feito a mesma coisa em Os Normais, de 2003, e pior: na verdade, o “cineasta” copiou o momento de Austin Powers – O Agente ‘Bond’ Cama, de 1999. Mas a situação consegue ser piorada, pois se você reparar bem, as sombras dos pombinhos é projetada de tal maneira que elas vão se encaixando nos cenários preparados para o discurso do ator Marcos Caruso, como numa janela ou “atrás” de uma mureta, numa forçada de barra que não acrescenta nada a já sonolenta sequência. Isso sem contar que o imbróglio que dá origem a todo a trama, o tal vídeo que mostra Bruno numa ejaculação precoce, simplesmente é esquecido a certa altura da história e resolvido com uma frase que poderia ter sido dita no primeiro reencontro do protagonista com Fernanda. Por falar em ejaculação, assistir ao momento em que Bruno participa de uma terapia para ejaculadores precoces que sujam as próprias caras (mesmo de calças) ao falarem de mulheres é simplesmente constrangedor. Nota: 3

fifth-elementO Quinto Elemento (The Fifth Element, 1997). De Luc Besson

Esse é um filme que não tem nenhum compromisso com a realidade, afinal, a trama trava uma luta do bem contra o mal sem muitas explicações. Eles simplesmente existem e devem se digladiar para que o mundo seja ou destruído. O mal é uma massa quase amorfa e o bem uma mulher com as belas formas de Milla Jovovich, do alto de seus 22 aninhos. Há alienígenas, padres, um empresário inescrupuloso, um radialista escandaloso e um taxista. Dessa mistura incrivelmente estranha nasce um filme ultracolorido e divertido. Dizer que aqui existe um ficção científica é mera justificativa para o fato dele se passar no futuro e traquitanas tecno-bizarras aparecerem na tela. E na maioria das vezes ela serve muito bem, seja nos figurinos descolados de Jean-Paul Gaultier ou em toda a concepção visual do quadrinista Moebius para o filme. Dali, Luc Besson pisa forte no acelerador e cria cenas de ação vibrantes (um salto em meio a carros voadores, um tiroteio num cruzeiro interplanetário) ou momentos (quase) líricos como a recriação do Ser Supremo. A montagem com cortes rápidos e constantes só não é o melhor elemento do filme por causa dos personagens. Bruce Willis é o clichê dos clichês, mas de atuação charmosa, enquanto Milla tem o melhor trabalho de sua carreira, imprimindo empolgação quando precisa e olhar choroso para ganhar a plateia. No corner oposto, o vilão patético vivido por Gary Oldman é quase uma continuação de sua atuação agressiva/cômica de O Profissional. Nota: 8

cidade-de-deus-poster01Cidade de Deus (Idem, 2002). De Fernando Meirelles

O trunfo de Cidade de Deus é uma mistura fantástica de talentos bem dosados. Boa parte dos atores era amadora e foi trabalhada pela equipe de Fátima Toledo meses antes de entrar em cena, resultando em diálogos naturais e quase sempre com improvisos. Depois temos a direção de Meirelles, incrivelmente criativa e com um olhar esteticamente moderno que gerou muita controvérsia sobre a forma ter vencido a batalha sobre o conteúdo, gerando, inclusive o termo “cosmética da fome” em comparação à Estética da Fome de Glauber Rocha. Polêmica que por si já valeria a espiada no filme. Trabalhando muito próximo a Fernando Mirelles, o diretor de fotografia César Charlone faz não só um trabalho inteligente na divisão de cores nas diferentes fases do longa –  indo do avermelhado romântico da década de 60, aos coloridos anos 70, chegando à obscura década de 80 –, como ainda foi responsável pela viabilidade e até mesmo pela filmagem de cenas como a ótima perseguição à galinha na abertura do filme. Depois vem a montagem de Daniel Rezende, ágil e finalizador de um dos momentos tecnicamente mais impressionantes de Cidade de Deus: a história da Boca dos Apês, quando são contados anos de idas e vindas do local com apenas um enquadramento e a amarração milimétrica feita por Rezende. Por fim, guiando tudo, está o roteiro de Bráulio Mantovani, baseado no livro de Paulo Lins. Fragmentado e ainda sim inteligível, além de ter sido escrito através de uma logística complicada, absorvendo diálogos criados pelos atores durante sua preparação, o texto indicado ao Oscar é redondo, conseguindo amarrar as várias pontas que solta durante o longa. Em suma, perfeito. Nota: 10

*Filme assistido pela primeira vez

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