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Crítica: MIB – Homens de Preto 3

men-in-black-3-poster1Em 1997, o primeiro MIB foi uma grande brincadeira com a ficção-científica, adaptada das histórias de Lowell Cunningham para a Malibu Comics. Deu certo, fez moda com seus ternos pretos e óculos escuros e a continuação era inevitável. Cinco anos depois, MIIB – Homens de Preto II usou uma boa embalagem de homenagem aos clássicos trash do gênero, mas a trama era puro repeteco com piadas nem sempre engraçadas. MIB – Homens de Preto 3 (Idem, EUA, 2012) veio, uma década depois, para corrigir todos os erros de seu antecessor.

Começa pelo roteiro de Etan Cohen, que trabalha viagens no tempo, elemento comum na ficção, de forma criativa. Aqui o Agente J (Will Smith) tem que voltar à década de 1970 para evitar a morte de  K (Tommy Lee Jones). Tudo por conta de uma estratégia esperta do vilão mais interessante que a série criou até aqui, Boris, O Animal (Jemaine Clement), o qual dá a entender que realmente traz perigo à dupla de protagonistas desde a sua fuga de uma prisão na Lua.

Contudo é o maluquinho Griffin (Michael Stuhlbarg) que se torna a peça mais fascinante do filme. Ele é a parte criativa do roteiro, com seus poderes de antever instantaneamente o que o futuro reserva, levando em consideração acontecimentos que podem modifica-lo radicalmente. Se em determinado momento ele cria uma visão compartilhada com K e J muito empolgante com seu belo visual em um estádio, na sua apresentação parece um louco, até que se pode entender seus poderes. A atuação de Stuhlbarg, de olhos grandes e expressão iluminada, só deixa o personagem melhor.

Só não ganha da excelente emulação que Josh Brolin faz de Lee Jones no K setentista. Quando ele aparece pela primeira vez, sua expressão é fechada e as falas contidas, mas ao longo da história Brolin vai mostrando um lado mais descontraído, como no diálogo dentro do carro, o qual faz Smith se perguntar o que teria acontecido para que, com o passar dos anos, K se tornasse tão mal humorado.

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A resposta vem com um elemento extra, ainda não explorado pela série, a emoção. Por todo o filme é possível perceber salpicadas de drama, inclusive nas piadas – sim, nas piadas. Os discursos de despedida a Zed, por exemplo, são para rir, mas os gritos e as poucas palavras do momento deixam uma sensação incômoda no adeus a um personagem importante nos longas anteriores. Depois vem a relação entre K e J, muito mais próxima e que exige de seus intérpretes pelo menos uma cena dramática de verdade. A morte de Lee Jones no presente é antecipada por uma tensão crescente, culminando num quadro em que Smith está sozinho e recebe a última ligação do parceiro, que se vai também sozinho. A sequência é única nos três longas e só comparável ao final, que pode arrancar algumas lágrimas da plateia facilmente.

Outra novidade em MIB 3, a terceira dimensão, parece ter sido incluída apenas para a ótima cena de viagem no tempo, quando J despenca de um prédio e viaja por eras entre dinossauros e até entre os suicidas do crash da bolsa de Nova York, de 1929. De resto, o 3D é totalmente dispensável, apelando para os batidos objetos sendo arremessados contra a tela.

O pacote de MIB 3 é fechado com as boas e velhas piadas entre as diferenças de época e suas tecnologias – um neuralizador gigante, outro ligado à bateria num cinturão –, além de quebra de expectativas como um Andy Warhol questionando a arte de sua época – assista e entenda.

Nota: 8,5

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2 responses

  1. ótima crítica

    4 de Julho de 2012 às 6:27 PM

    • Obrigado, estamos aqui para isso.

      4 de Julho de 2012 às 7:57 PM

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