Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Julho, 2012

The Lion King Rises – Paródia de Batman

Um dos filmes que recebeu o maior número de paródias pré-lançamento, que eu me lembre, foi O Cavaleiro das Trevas.  Ainda não tinha visto muita coisa brincando com Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, até que me deparei com a pérola deste post: um brincadeira fantástica e muito bem montada fazendo parelelo entre O Rei Leão e o trailer do terceiro filme de Christopher Nolan para o Homem-Morcego.

Fez do clássico Disney até mais sombrio.

Dica de Gabriel Ferreira


Batman Dead End

Já que o Cavaleiro das Trevas  ressurgiu, nada como lembrar de um dos melhores filmes do mascarado. E olha que não foi pelas mãos de Christopher Nolan!

Batman Dead End foi apresentado na Comic Con de 2003 e dirigido por Sandy Collora,  que faz uma ótima e improvável mistura dos universos de Batman, Alien e Predador.

 

 

 


Resumo (17 a 22 jul)

three_ages_xlgA Antiga e a Moderna* (ou As Três Idades) (Three Ages, 1923). De Edward F. Cline e Buster Keaton
Postulando que o amor é a única verdade imutável da Humanidade, Keaton faz boas piadas mostrando que o Homem acabou não evoluindo muito no quesito desde a Idade da Pedra. Na competição pelo amor de uma bela fêmea, o ator/diretor passa pela Pré-História, em que a força bruta era a vantagem, depois vai ao Império Romano e vê os bem colocados militares deixando os concorrentes para trás e, por fim, chega ao então presente de 1923 e mostra que um boa conta bancária diz tudo sobre você. Aqui há uma piada tão inocente quanto engraçada, no momento em que Keaton disputa a mão de um donzela e seu rival mostra a conta no Primeiro Banco Nacional, forçando o protagonista apresentar sua conta no “Último Banco Nacional”. E não deixa de ser impressionante o momento no qual um calhambeque se desfaz quando o ator se dirige à casa da garota e passa sobre um buraco. O mais bacana, contudo, é o humor físico que chega no terço final da produção. É aí que Keaton reserva saltos com vara improvisados e outros malabarismos que se encaixam como uma luva na narrativa, nunca parecendo forçados. Incrível como o estilo não envelhece e nos faz entender de onde vem a fascinação das lutas de Jackie Chan em nossos tempos – é clara a inspiração do ator de Hong Kong no astro mudo americano. Ainda que o ritmo varie um pouco em relação às histórias, você não deixa de rir durante os rápidos 63 minutos do filme. Nota: 8
*Filme assistido pela primeira vez

Teaser de Man of Steel e a Maldição Zack Snyder

Zack Snyder ainda não fez um filme exatamente ruim, mas também não conseguiu nenhum longa extraordinário. Mesmo 300 e Madrugada dos Mortos, seus melhores, não passam de um trabalho estético superior, mas sem a vida necessária para elevar o filme como um todo. Por isso, o meu grande medo em relação a Snyder é ver os trailers de seus próximos lançamentos. Além dos filmes citados, o frio Watchmen e o sem alma Sucker Punch, se vendiam lindamente e elevavam as expectativas a um grau nunca alcançado pela obra principal.

Digo tudo isso por conta dos teasers divulgados pela Warner da nova tentativa de colocar o Superman no panteão dos bons filmes de super-heróis: Man of Steel. Com duas narrações diferentes – um de Jonathan Kent (Kevin Costner) e outra de Jor-El (Russel Crowe) – os trailers acertam mais uma vez, com um tom intimista e belas imagens – a do garotinho de capa e seu cachorro são especialmente bonitas.

Mas quando vêm os créditos da direção acordo do transe e espero que a “maldição Zack Snyder” seja desfeita.

Teaser versão Jonathan Kent (Kevin Costner)

Teaser versão  Jor-El (Russel Crowe)


Curta: O Justiceiro – #DirtyLaundry

Eu não gosto dos filmes que adaptaram as histórias em quadrinho de O Justiceiro para o Cinema – nem vou contar o longa de 1989. Mas não dá pra dizer que Thomas Jane não tenha carisma. O filme estrelado por ele em 2004 tem vários problemas, contudo o ator sai ileso de um roteiro fraco e uma direção que tenta forçar a mão na violência sem muito retorno.

O fracasso de crítica que foi a continuação de 2008, Zona de Guerra, deixou um gosto para a volta do personagem aos cinemas. Jane, então, encarnou o Punisher em um curta-metragem altamente elogiado na Comic-Con desse ano – trazendo na bagagem também Ron Perlman.

O resultado é violento e um tanto amargurado, mas, claro, com a catarse que os fãs esperavam. Com vocês, #DirtyLaudry, a volta de Frank Castle.

P.S. – Repare na trilha sonora de Batman – O Cavaleiro das Trevas.


Resumo (2 a 16 jul)

crash-no-limite-poster02Crash – No Limite (Crash, 2004). De Paul Haggis

Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por Menina de Ouro no ano anterior – mas com o filme faturando o prêmio na categoria principal –, Paul Haggis escreveu e dirigiu o ambicioso Crash – No Limite. O resultado foi uma improvável vitória sobre O Segredo de Brokeback Mountain na premiação da Academia e a consagração dos laços amorosos entre as partes (Oscar & Haggis). Crash é um mosaico do preconceito racial e da xenofobia nos Estados Unidos, mais especificamente em Los Angeles, onde, segundo o personagem de Don Cheadle, as pessoas não se tocam, mas colidem. O resultado dessas colisões, diz o filme, é uma série de problemas dos quais ninguém escapa, sejam esses problemas de ordem criminal ou de personalidade, afinal, ninguém no longa é puro. Negros que reclamam do estereótipo de bandidos, mas que roubam. Brancos que dizem evitar fazer comentários do tipo, mas que se afastam de negros quando estão perto. Persas que lamentam o fato de serem confundidos com árabes, mas que agridem latinos, que por sua vez são odiados por brancos ricos. E a roda não para de girar explorando o conceito prévio certo ou errado que o ser humano não se cansa de elaborar por conta do tom de pele do outro. O roteiro cria coincidências e cruzamentos entre o elenco estelar para provar sua teoria de que o preconceito é algo tão humano que, ao mesmo tempo, é tão imbecil, quanto difícil de arrancar da humanidade. Em pouco menos de 2h, os personagens não mostram grande crescimento, ainda que todos passem por situações-limite, chegando ao ápice num tiro disparado contra um inocente, numa cena desesperadora e emocionante. Deveria servir como catarse, contudo sua qualidade não esconde que a cena final tenta emular um final feliz, quando, pouco antes um dos personagens passa por uma lição, só que se mostra pouco arrependido do que fez, para, aí sim, ter uma atitude nobre. Mas aí já é tarde, ele não tem o crédito da plateia e a porta de um furgão aberta no que parece ser um bairro asiático se torna forçada. Fotografia interessante, flutuando entre o granulado sujo e o iluminado. Nota: 8


Crítica: E aí… Comeu?

E aí... Comeu?O roteiro de Lusa Silvestre e Marcelo Rubens Paiva, baseado na peça do último, para E aí… Comeu? (Idem, Brasil, 2012) tem uma liberdade de expressão que se contradiz com a direção de Felipe Joffily. Enquanto os diálogos são cheios de palavrão e zero de pudor para falar sobre sexo, o máximo de nudez no filme é um segmento em que Emilio Orciollo Netto aparece sem camisa com uma mulher estrategicamente posicionada e da qual se vê apenas as costas descobertas.  Mas se engana quem acha que o problema do filme é a direção. A trama, ao final, só reforça os velhos clichês das comédias românticas norte-americanas.

O caso é que E aí… Comeu? começa num monólogo machista (mas engraçado) de Marcos Palmeira, como se estivesse falando com a plateia, contando que o mundo mudou e que os homens se transformaram em caça, porém uma presa que se prepara para virar o jogo e predar o caçador na “fincada da manhã” e ver as solteironas se estapearem em busca de seu corpo. Feito isso, a narrativa vai ser saturada de diálogos nada sutis sobre as preferências sexuais de mulheres asiáticas, loiras ou ruivas, mas ao lidar com os próprios problemas, o trio de protagonistas formado por Palmeira, Orciollo Netto e Bruno Mazzeo, chega à conclusão de que todas as suas certezas são menores que uma coisinha chamada amor – do mais meloso possível.

O caso de Netto é o mais notório. Escritor de histórias sobre amor que não consegue publicar nada por causa da falta de verdade em seus textos, pois sua vida de solteirão que gosta de mulheres casadas e surubas em prostíbulos não tem nada de romântica. Contudo, você pode ter certeza de que ele vai encontrar quem o fará perceber as belezas do amor monogâmico e ter direito àquela cena em que rasga o peito após chegar, literalmente, à sarjeta.

E olha que o longa tinha potencial para se tornar um irmão brasileiro temático de Se Beber, Não Case!. Mas enquanto o americano se esbalda, por exemplo, nas fotos desavergonhadas da noite de bebedeira, aqui a cena de sexo entre Netto e uma mulher casada é tão artificial, que não há uma peça de roupa fora do corpo. Enquanto isso, Mazzeo, amargurado com o fim do casamento, evita ir para cama com uma ninfeta de 17 anos que lhe dá bola, algo que Lolita, em 1962, resolveu sem muitos problemas. Mais: o casamento de Palmeira e Dira Paes poderia render uma discussão a respeito dos desejos femininos que são apenas levantados num monólogo hilário de Mazzeo sobre casadas viciadas em pênis alheios.

Entre problemas de ritmo, com piadas diluídas na trama, e de recursos mal explorados, como as intervenções de Palmeira, talvez o maior defeito de E aí… Comeu? é teorizar, fazer piada e não provar do que fala.

Nota: 6

E aí... Comeu? foto