Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (23 jul a 12 ago)

bang_bang_clubRepórteres de Guerra* (The Bang Bang Club, 2010). De Steven Silver

Um filme baseado em fatos reais, mas com a particularidade de mostrar fatos que já foram registrados por meio das lentes de outros profissionais da imagem: os fotógrafos do chamado Bang Bang Club. Esse grupo formado em meio aos conflitos no fim do Apartheid, ainda na primeira metade da década de 1990, tinha como missão buscar os flagrantes mais crus dos conflitos nos quais estavam para depois venderem as fotos para publicações mundo afora. As imagens pesadas do grupo renderam dois prêmios Pulitzer a dois de seus integrantes, uma discussão sobre o papel jornalístico versus o lado humano daqueles homens e duas mortes. Vindo do mundo dos documentários, não é à toa que o diretor Steven Silver tenha se interessado pelo projeto. Um boa escolha, já que ele consegue criar um ambiente realista e fazer com que suas imagens desemboquem nas fotos mais famosas do grupo. O caminho tomado pelo roteiro (também de Silver) é irretocável, indo da adrenalina e fascinação por toda aquela situação, passando pelo medo de um novato, chegando ao questionamento ético da profissão daqueles homens e, enfim, o desgaste máximo do grupo. Contudo falta à produção a discussão profunda que a foto de um menino sudanês faminto fitado por um abutre, de Kevin Carter, desencadeou mundo afora. O longa até tenta emular a polêmica, mas parece ter pouco tempo para isso. Talvez se investisse alguns minutos a mais nessa história, sem se preocupar com a duração da fita, tivesse se tornado uma pequena pérola. Não que tenha se sabotado, afinal, as boas atuações, o ritmo e a direção competente de Repórteres de Guerra faz dele um bom registro dos registros do Bang Bang Club. Nota: 8

batman-beginsBatman Begins (Idem, 2005). De Christopher Nolan

Com a tarefa de criar um nova cara para o Homem-Morcego, Christopher Nolan não só o fez com louvor como influenciou todo o Cinema, mostrando que era possível recontar histórias de personagens famosos do zero. Contudo, nem bons filmes como 007 – Cassino Royale ou besteiras tipo X-Men Origens – Wolverine, com objetivos parecidos aos de Batman Begins, conseguiram fazer sombra à capa usada por Bruce Wayne. O motivo é simples: Nolan deu seu primeiro passo para fazer com que os fãs do herói se habituassem a um roteiro com muita história, montada aos poucos, ao estilo de um quebra-cabeça com encaixe perfeito, e extremamente satisfatório ao mirar alto e conseguir dar background a um personagem perturbado em meio a um ambiente tipicamente hollywoodiano, com explosões e ação. É bem verdade que tudo isso vai aparecer depois de 60 minutos de trama transcorrida, mas a direção elegante de Nolan (vide primeira aparição de Batman), a fotografia ainda melhor de Wally Pfister (cheia de tons frios) e a trilha sonora marcante de James Newton Howard e Hans Zimmer, tudo empacotado com a atuação competente de Christian Bale, à frente do elenco, dão qualidade ao longa, que só falha por não ser eletrizante na ação e forçar a barra em alguns voos de Batman. Um reinício pra lá de promissor que “daria vida” a um obra ainda maior. Nota: 8,5

joker-poster-for-the-dark-knightBatman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008). De Christopher Nolan

Tudo bem, não há como negar que estamos diante de um dos grandes filmes de todos os tempos. Uma adaptação em história de quadrinhos que vai além dos nichos, um verdadeiro longa-metragem policial tenso e com maldade em dose certa para que possamos sentir a necessidade e a urgência de haver um herói quase “anti”, de parafuso a menos, mas que ainda está longe da insanidade que lhe é imposta. Mas é justamente o catalisador dessa história o responsável por levar o filme a outro patamar. O Coringa de Heath Ledger é uma atuação digna de muitos elogios, mas não só isso, é um marco moderno de entrega a um personagem, com resultados monumentais. Um vilão caótico cujo propósito é mostrar que a maldade é indissociável do mundo e que para provar seu ponto de vista cria um pandemônio pouco inteligível, mas de planos altamente inteligentes. Com falas marcantes, o antagonista rouba a cena de Batman por meio do trabalho intenso de Ledger, o qual busca sempre a nota mais medonha entre aquelas que, em tese, deveriam ser piadas (de mau gosto). Novamente Nolan capricha no volume de história e vai além, criando um jogo de gato e rato trágico, que pega a plateia e os próprios personagens desprevenidos e termina com sacrifícios difíceis de serem digeridos de uma vez, mas com a coragem fazer de seu herói um falso vilão como única forma de criar algum tipo de paz. Nota: 9,5

the-woman-in-black-posterA Mulher de Preto* (The Woman in Black, 2012). De James Watkins

Espécie de Ringu/O Chamado vitoriano, A Mulher de Preto evita sobressaltos e se sai muito bem com espíritos rancorosos e maldições impregnadas em casas amaldiçoadas. Tendo Daniel Radcliffe como protagonista e de rápida identificação com a plateia, o longa ganha pontos por evitar um papel juvenil para o eterno Harry Potter e exigir dele uma boa atuação séria e até certo ponto contida. “Certo ponto” devido à situação na qual o personagem está: pressionado pelo chefe, sofrendo com a perda da mulher e enfrentando a, para ele, nada plausível crença de que a figura de uma mulher morta trajando roupas de luto vem trazendo morte a um vilarejo, é incrível que ele dê um grito mais afoito sequer.  Não que o diretor James Watkins não faça com que haja motivos para tal. Filmando com calma, usando sombras, locações em tomadas abertas e closes em objetos bizarros para criar um clima aterrorizante, o filme ganha corpo. E aqui é obrigatório que os nomes do diretor de fotografia Tim Maurice-Jones e dos diretores de arte Paul Ghirardani e Kate Grimble sejam citados dando-lhes o devido valor, uma vez que as sombras opressoras e a casa luxuosamente medonha são obra dos três. Contudo, possivelmente sem os objetos soturnos com os quais Niamh Coulter decora a mansão – principalmente os brinquedos –, o diretor Watkins talvez não ganhasse tantos pontos em suas imagens. A Mulher de Preto, porém, tem em seu desfecho pretensamente lírico o ponto mais fraco, se tornando covarde e tentando fazer com que a plateia vá para casa um tipo de final feliz. Perde pontos valiosos, claro, mas não tantos que tirem o impacto de sequências como aquela em que um ser se levanta da lama e se dirige até a mansão. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

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