Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (13 ago a 2 set)

BebesBebês* (Bébé(s), 2010). De Thomas Balmès

Assistir a esse documentário é curtir uma das coisas que mais derretem corações de pedra nesse mundo: crianças em momentos ternos. Mas o filme vai além e ousa ser um longa-metragem de 80 minutos sem diálogos e que registra o primeiro ano de quatro recém-nascidos de quatro partes do mundo: Mongólia, Namíbia, Estados Unidos e Japão. Há uma série de imagens belíssimas e não apenas por conta das fofurinhas infantis. Quatro diretores de fotografia (Jérôme Alméras, Frazer Bradshaw, Steeven Petitteville e Eric Turpin) capricham na iluminação e nos flagrantes para tirar o máximo daqueles momentos. O destaque fica pelos segmentos na Mongólia, que exploram a paisagem de forma orgânica com as peripécias do pequeno nativo e sua criação. Os campos abertos, as barracas e o céu azul compõem um cenário maravilhoso para as implicâncias do irmão mais velho do bebê e até o pacote de cobertores feito pela enfermeira para que ele ganhe alta são o melhor de um filme terno, que tem personagens completamente diferentes: a montagem que faz um paralelo entre a linda e mimada japonesinha a brincar chorosa com dezenas de brinquedos e a simplicidade das brincadeiras na África no bebê namibiano cria um contraste óbvio, mas ver as crianças com tamanha espontaneidade parece estar acima do clichê. Nota: 8,5

rescue_dawn_ver3O Sobrevivente* (Rescue Dawn, 2006). De Werner Herzog

Tudo bem que a direção é do grande Werner Herzog, mas o filme é tomado pelo elenco, em particular por Christian Bale, Steve Zahn e Jeremy Davies. O trabalho mostra uma imersão tão profunda que é difícil acreditar que Bale já foi uma super-herói, que Zahn algum dia fez comédias e que Davies realmente não ficou louco. Se a direção de Herzog cria momentos de agonia e insanidade entre a sutileza e a mão forte, usando enquadramentos fechados na mata opressiva, verde e cheia de paredões, ou quadros abertos que ressaltam a missão complicada de Dieter Dengler (Bale) em sua fuga ousada. A trama do filme acompanha a captura e a agonia real do piloto americano durante a Guerra do Vietnã, numa missão no Laos. É na prisão que ele conhece os personagens de Steve Zahn e Jeremy Davies. O primeiro se torna seu verdadeiro escudeiro, enquanto o segundo, com sinais de Síndrome de Estocolmo, impressiona pela fragilidade corporal, até mais que o protagonista em mais um trabalho físico de Christian. Ao final, ainda que o roteiro de Herzog force a barra para arrancar lágrimas da plateia, não deixa de ser emocionante a expressão de genuína felicidade do ator. Todos eles só não são mais incríveis que a capacidade de esquecimento de muitos prêmios que ignoraram três das melhores atuações da década. Nota: 8,5

ichi_killer_posterIchi – The Killer* (Koroshiya 1, 2001). De Takashi Miike

Takashi Miike não fez um filme para ser coeso, mas cria imagens impactantes como poucos, misturando, ironicamente, cinema trash com apuro visual. Se você conseguir deixar de lado a exigência de uma história que siga uma linha minimamente reta e se entregar para o trabalho de violência estilizada e perversão de Ichi – Ther Killer é bem provável que faça como muitos já fizeram e eleve o filme ao status de cult total. Sinceramente me incomodou (e muito) a falta de uma coesão maior na trama, que tem zero de compromisso com a realidade. Ela conta a história de um mafioso da Yakuza, Kakihara, que precisa desvendar o desaparecimento do chefe de sua gangue. Logo ele vai descobrir que Ichi é o responsável pelo sumiço do patrão, mas não sem antes criar muitos problemas dentro do sindicato formado pelas várias gangues. A característica principal do trabalho é ser over em todos os tons possíveis, seja na cor do sangue, nas reações dos atores, na submissão das mulheres e na raiva dos personagens. O que cria momentos de humor quase não-intencionais, mas prontamente compensados pela montagem que, dos exercícios de estilo, é a melhor parte de Ichi. Agora, entender o motivo de um cadáver se mexer no momento em que o assassino vai fazer mais uma vítima, o porquê de uma mulher pedir para ser morta por um matador insano, como um homem busca ver o corte de alguém que alucinou com aquilo e de que forma um adolescente surge para se vingar no fim do filme (e quem realmente é ele) são questões que nem ao assistir ao filme você vai ter 100% de certeza de sua resposta ou como isso contribui com a trama. Um filme difícil, bizarro e perverso. Nota: 7

the_warriorsWarriors – Os Selvagens da Noite (The Warriors, 1979). De Walter Hill

Uma vitória do visual, essa distopia urbana vence por ser um tipo de versão glam de Laranja Mecânica, menos violenta, mas não menos rica estilisticamente. Começa pela absurda criatividade do roteiro do diretor Walter Hill ao lado de David Shaber, baseado no romance de Sol Yurick. Só a grande quantidade de gangues, seus uniformes e a ideia de seus nomes valem a conferida no longa, o qual vai além com um fiapo de trama: os Warriors têm apenas que ir para casa depois de serem acusados da morte de uma espécie de Martin Luther King misturado com Simón Bolívar do submundo criminoso que quer unir e conquistar. O longa se sustenta criando momentos de suspense e correria, entrecortados por sequências de pancadaria e uma pitada de violência gráfica. Ter razões para as atitudes daquelas pessoas não é a prioridade do longa, que ainda tem um tipo de Coringa fazendo brotar o caos para que trama ande, numa ótima e exagerada atuação de David Patrick Kelly, que antecipa um pouco da insanidade de Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas. Destaque ainda para o único momento sutil do longa, quando os anti-herois delinquentes do filme encontram “pessoas normais” no metrô e a jovem que entra para os Warriors tenta arrumar o cabelo, rapidamente impedida pelo líder da gangue que evita que ele se torne uma “normal”. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez

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