Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (3 a 9 set)

fargoFargo* (Idem, 1996). De Joel e Ethan Coel

Obviedade é algo impossível de se atribuir aos irmãos Coen e exatamente por isso, em 1996, Fargo elevou os cineastas a um novo nível na carreira já cultuada. Alguns exageros a parte – como colocar o longa entre os melhores de todos os tempos –, os elogios foram bem merecidos (na minha humilde opinião, é claro). Unindo violência ao humor destrinchados de maneira cadenciada, quase preguiçosa, Fargo é sobre gente normal querendo dar um passo maior que a perna (um golpe), criminosos entrando num jogo sem qualquer preparo para tal e uma policial grávida investigando o caso enquanto come muitas porcarias em restaurantes e lanchonetes do Estado americano de Dakota do Norte. A originalidade já começa na escolha do cenário para a história policial, um grande campo de neve, independentemente da cidade por onde os personagens passam. Depois vamos para a caipira investigadora vivida com sotaque fortíssimo por Frances McDormand, que, ainda que pareça ser o contrário, é sagaz e vai a fundo para buscar a solução de um suposto sequestro, que rende três assassinatos – inicialmente. E a inteligência do roteiro em mostrar essa esperteza da protagonista no momento em que ela reconstitui o triplo homicídio arrebata a plateia de vez. Mas o filme ainda vai além, seu humor negro surge do mar de sangue derramado, passa pela mensagem de que o dinheiro é o mal do mundo – a qual eles viriam repetir no muito mais sério Onde os Fracos Não Têm Vez – e chega ao cerne da questão: o filme não é uma história de polícia, mas um atestado familiar em que a heroína pede para o marido ajudá-la a empurrar o carro, tem tempo para comer alguns ovos no café-da-manhã e, ao final, se deita na cama quente junto do pai de seu(a) futuro(a) filho(a). Para rir e se espantar. Nota: 8,5

dear_zacharyDear Zachary – A Letter to a Son About His Father* (Idem, 2008). De Kurt Kuenne

Um documentário que vai da mais terna cena à mais revoltante das reviravoltas que a vida pode dar. Sem querer dizer muito sobre essa verdadeira declaração de amor a uma família, é fácil entender o motivo do filme causar tantas reações: não basta a história ser assustadoramente real, o documentarista Kurt Kuenne filme tudo de muito perto, conhecendo cada detalhe da vida da família Bagby depois que o filho Andrew é assassinado. O doc seria uma recordação e uma mensagem para o pequeno Zachary, que acabaria não conhecendo pai, morto enquanto ele era gestado. Entretanto o filme, por força dos acontecimentos, transcende essa (boa) ideia inicial e relata algo muito mais forte: o amor de um verdadeiro clã. Mais pesado que qualquer roteiro, a trama real do longa-metragem faz chorar e indignar e acha soluções visuais para levar esses sentimentos para a tela, sendo jocoso ao fazer personagens mexendo a boca como bonecos de ventríloquo ou sendo pungente ao devassar planos de assassinatos e de mentiras traçados pelas vítimas nos momentos de maior desespero. Não se trata de um filme divertido, nem de uma fita hermética, é um retrato dolorido de alguém que sente essa mesma dor e consegue compartilhar isso por meio da tela. Buscar o choro de alguém que perdeu uma pessoa querida pode ser apelativo, mas não quando a impunidade se mistura à humilhação. Não falar dos detalhes só vai ajudar na apreciação de Dear Zachary, que tem seus defeitos – montagem, por vezes, exageradamente rápida e roteiro que aponta para onde o filme seguirá –, só que grita com todas as forças que os fatos mostrados tomam uma proporção impossível de não ser notada: seja falando de impunidade ou de amor. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

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