Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: Dredd

dredd-posterEm 1995, Sylvester Stallone estrelou a adaptação da HQ Judge Dredd e desagradou a muita gente. O motivo era a velha e conhecida acusação de falta de fidelidade ao material original, criado por John Wagner e Carlos Ezquerra. Longe da obrigação de ser um blockbuster, eis que uma nova incursão do juiz pode fazer as pazes com os fãs. Dredd (Idem, Reino Unido/EUA/Índia, 2012) é violento, estiloso e divertido.

O roteiro de Alex Garland (de Extermínio e Sunshine – Alerta Solar) não quer reinventar a roda e numa rápida narração em off relembra a atividade dos juízes: policiais, promotores e magistrados ao mesmo tempo para tempos violentos. Logo após uma primeira missão é dada ao juiz Dredd a tarefa que vai lhe render o novo longa-metragem. Será de sua responsabilidade avaliar uma juíza novata com poderes psíquicos em uma chamada de triplo homicídio num gigantesco prédio de Mega City Um.

Aliás, a direção de Pete Travis é outro aspecto que mostra a que veio já nas primeiras cenas, mostrando uma cidade absurdamente grande, suja, cheia de concreto e realista em ângulos aéreos de grande amplitude. E mais: com menos de 10 minutos já há corpos no chão ensanguentados.

Estabelecidas essas bases, o diretor de fotografia Anthony Dod Mantle brinca à vontade com as paisagens urbanas e com os efeitos da droga usada no filme, o Slo-Mo, em seu 3D quase perfeito. Veja como em toda a cena do assassinato triplo capricha na “terceira dimensão”, mantendo o foco profundo e abusando do slow motion para realçar a profundidade dos quadros. Ponto ainda para a direção de Travis, que escolhe um bem-vindo plano subjetivo no momento em que uma pessoa é drogada e jogada do alto do prédio.

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Pena que para criar estilo e guiar o olho da plateia para determinado personagem em primeiro ou segundo plano, Mantle e Travis prefiram algumas cenas com pequena profundidade de campo, sabotando o 3D.

Claro que Dredd não quer ser um ensaio que discute sociologicamente a pressão que o crescimento urbano pode fazer sobre a Justiça. O objetivo é ser um espetáculo visual aproveitando a premissa criada com personagens como esses juízes (e a ação é onipresente). Contudo há espaço aqui e ali para uma pincelada no quanto tanto poder pode ser perigoso, ainda mais tendo que ser aplicado da maneira imediata. Vide a execução de um homem pela juíza em teste, que vai ter reflexos minutos depois, e, claro, na aparição da corrupção do poder público em algum momento.

Nada que seja sério demais e atrapalhe a atuação “de macho” de Karl Urban, na pele e no capacete de Dredd. Um bom trabalho, diga-se de passagem, já que seus olhos nunca estão expostos. Melhor até que Sly, em 1995, que tirava o capacete para mostrar seu famoso rosto.

Nota: 8

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