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Crítica: A Entidade

sinister-movie-posterSe imagens estranhas e das quais podemos ver pouco são garantia de medo e arrepio, A Entidade (Sinister, EUA, 2012) perdeu uma chance de ouro ao começar bem os trabalhos, mas descambar para os sustos fáceis e um amontoado de clichês.

A cena de abertura do longa é um trinfo da maldade. Numa gravação em super 8, vemos quatro pessoas de uma mesma família sendo enforcadas aos poucos. O som do momento é cheio de ruídos, o que leva a um efeito ainda mais macabro. Em seguida, o longa entra de vez na trama, que envolve o personagem de Ethan Hawke, um escritor de livros-reportagem que busca a fama de anos atrás no caso dos enforcados e o desaparecimento da criança mais jovem daquela família. Obviamente o mistério vai além do imaginado e você entenderá o título nacional da fita.

A ideia do diretor longa, Scott Derrickson, e do diretor de fotografia, Chris Norr, é trabalhar a sensação de estranheza na plateia e ao invés de filmar algo de longe, por exemplo, diminuem a qualidade da imagem nos momentos de maior horror, como nos rolos em 8 mm, ou trabalham a escuridão para criarem tensão – repare como a maior parte do tempo, A Entidade se passa dentro da casa do protagonista e à noite.

Ao estabelecer esse clima, o filme ganha os espectadores, principalmente quando Hawke acha mais filmagens de crimes bárbaros e estes seguem a boa fórmula do clássico A Tortura do Medo, de Michael Powell – colocando o espectador como testemunha da desgraça alheia. Ainda nesse início há uma passagem que envolve uma caixa e o filho do escritor,  indicando que o processo de investigação pode estar afetando o jovem, que sofre de terror noturno. A cena vale a pena por apostar no realismo e não ser cortada no momento em que o susto acontece, dando prosseguimento até que seja entendido o que se passa ali. Pena que os conceitos estabelecidos em seguida sejam minados.

Sinister pic

Primeiro vem a explicação do pai para aquilo: stress da mudança. Quer dizer que se fosse stress por conta de um ataque de cachorro o moleque se colocaria na casinha do cão? Uma explicação ridícula para os ataques do filho, mas que poderia ser esquecida caso os surtos fossem bem usados na trama. Só que depois de estabelecidos, os terrores noturnos do garoto têm a função de pista falsa para o real mistério.

Junto a esse problema, Derrickson soma um grande volume de clichês do gênero, desde sombras que cruzam a tela até a surreal névoa que surge em certo momento no quintal da casa. Isso e mais as inúmeras aparições no escuro do imóvel que poderiam dar conta do trabalho medonho sozinhas, mas que inevitavelmente são acompanhadas por acordes altíssimos da trilha para tirar o sossego da plateia e assusta-los como se alguém gritasse do seu lado. Desperdiçando a boa fotografia soturna sem qualquer sutileza.

E se a reviravolta final poderia garantir um programa razoável, no melhor estilo da maldição de O Chamado, as atuações daqueles que deveriam protagonizar o momento ao lado de Hawke são péssimas e criam risadas involuntárias – o que nunca é bom para um filme de terror. Ainda mais quando a montagem de Frédéric Thoraval poderia salvar o momento cortando a gordura da sequência, mas que alonga e alonga a cena.

Nota: 6

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