Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (8 a 21 out)

lethal_weaponMáquina Mortífera (Lethal Weapon, 1987). De Richard Donner

Trabalhando com a nada original (mas eficiente) fórmula “good cop bad cop”, Richard Donner criou um pequeno clássico oitentista que vence pela boa dinâmica entre a dupla central, Mel Gibson e Danny Glover. A discrepância entre os personagens rende bons momentos de humor e tensão. Os melhores envolvem o desejo suicida de Gibson, que perdeu a amada e agora se lança em ações sem qualquer cuidado com as vidas dele e (algumas vezes) alheia, só que o parceiro tem família e é um veterano na corporação que quer sossego. A trama é simplista e envolve um esquema de drogas, mas tem algumas pequenas reviravoltas para segurar a atenção da plateia, ainda que no último terço seja um tanto apressada. Há sempre algo para cobrir as pequenas falhas do longa. Quando não é a dinâmica entre os protagonistas, é a direção de Donner, como no desencaixado momento em que todos os policiais deixam Gibson sair na mão com o vilão, apenas como forma de vingar o orgulho da corporação. Por causa da boa mão do diretor, o momento se torna eletrizante e bonito plasticamente, com silhuetas e chuva. Nota: 8

lethal_weapon2Máquina Mortífera 2 (Lethal Weapon 2, 1989). De Richard Donner

A continuação perde pontos por não haver a mesma motivação em relação ao personagem de Mel Gibson, afinal, ao que parece, pelo menos, a morte da ex-esposa está melhor resolvida e as loucuras parecem ter se entranhado no personagem, o que deve ser aceito pela plateia. Só que outra vez o bom trabalho da dupla central, o essencial para a liga do filme, salva qualquer problema de concepção dos personagens. O que estranha mesmo é o uso do Apartheid como elemento da trama e que não faz qualquer diferença para tal, uma vez que o dinheiro do tráfico é o verdadeiro combustível dos vilões. No mais, Máquina Mortífera 2 segue os passos de seu original no quesito simpatia e aprofunda a amizade entre os policiais, como na hilária e intimista cena da bomba na privada. Sim, intimista, já que certamente esse é um dos momentos cujos diálogos e atuações mostram maior simtonia entre personagens e intérpretes em toda a quadrilogia. Fora que o local não poderia ser melhor escolhido como forma de expôr aqueles homens. Ah! E o longa ainda tem o divertido Joe Pesci. Nota: 8

shame-poster-01Shame* (Idem, 2011). De Steve McQueen

Esse é um filme sobre alguém que não consegue se relacionar de maneira profunda com outras pessoas. Esse é o personagem de Michael Fassbender, um homem viciado em sexo que mantém distância emocional (e física) da irmã e que no único momento em que tenta um relacionamento com alguém que lhe fala sobre a seriedade de estar com uma pessoa acaba nem conseguindo uma ereção. Um momento estranhamente constrangedor, potencializado por uma tórrida cena de sexo com outra mulher que parece ser uma prostituta que acontece logo em seguida. Fassbender tem uma vida bem metódica e fria, que gira em torno da satisfação do impulso sexual. Quando sua irmã aparece, essa rotina é abalada e os problemas familiares são escancarados. É claro que existe um problema no passado dos dois irmãos, no entanto o roteiro do diretor Steve McQueen (que não é o ator de Bullit) e de Abi Morgan é sutil quanto a isso, não revelando muita coisa. Tudo é filmado com esmero fotográfico, na montagem e na direção. No primeiro caso, Sean Bobbitt trabalha com tons azulados e esverdeados que tiram parte da cor do mundo do protagonista. Já a montagem de Joe Walker é cadenciada e logo na abertura do filme cria uma bela (e fria) elipse que expõe os relacionamentos de alcova rápidos que Fassbender tem. Enquanto isso, McQueen cria planos ao mesmo tempo elegantes e expositivos, sem medo de mostrar nudez. E é incrível que você possa se emocionar numa cena em que o protagonista se joga numa espiral de sexo e degradação no último terço da trama. Nota: 8,5

Chernobyl DiariesChernobyl* (Chernobyl Diaries, 2012). De Bradley Parker

Esse é o verdadeiro muito barulho para (quase) nada. Não que o filme seja ruim, mas seu desenvolvimento, com boa direção e tensão bem construída, beira o desperdício ante a um final quase prosaico e filmado displicentemente. Não mostrar a face do inimigo e apostar no desenvolvimento dos personagens é algo incomum nesse tipo de produção, que costuma preferir o gore para conquistar o público. OK, o filme tem sua parcela de violência, entretanto separa alguns minutos em sua abertura para tentar aproximar o público daqueles que vão enfrentar a situação extrema numa cidade esvaziada por conta do vazamento de radiação da usina de Chernobyl e que hoje serve como ponto turístico meio macabro. O que eles não contavam é que há sobreviventes no local, só que no melhor estilo Quadrilha de Sádicos. Usando câmeras no ombro, o diretor Bradley Parker consegue um clima de urgência e documental, se aproveitando do truque para evitar ao máximo os vilões em questão. Mas quando chegamos à reviravolta à la Extermínio, envolvendo militares, as coisas andam de forma tão rápida e tão óbvia, que nem parece o mesmo filme que vinha sendo construído. Nota: 6,5

The Devil Inside posterFilha do Mal* (The Devil Inside, 2012). De William Brent Bell

Filmado como se fosse um documentário, Filha do Mal consegue um imersão interessante mesmo quando o recurso já dá sinais de esgotamento. O início é ótimo, com falsas imagens de arquivo da polícia e de reportagens, criando bem o clima de todo o longa. Mas lá pelas tantas, a trama é seguida por meio de filmagens feitas pela filha da mulher que desencadeou toda a história. Ela quer saber mais sobre o caso da mãe, acusada de ter matado três pessoas em um possível exorcismo. E aí começam os problemas. Primeiro de direção, que nunca sai do trivial com cenas que tentam assustar por meio de gritos e imagens que você já viu em longas como O Exorcismo de Emily Rose e O Exorcista – nada mais anticlimático. Repare ainda como William Brent Bell comete um grave erro na cena em que a protagonista encontra sua mãe pela primeira vez: ao mostrar que a sala onde elas estão há apenas as duas numa câmera de circuito interno, mas, a todo tempo, há cortes para as imagens captadas pelo cinegrafista do documentário no mesmo local – ele chega a comentar que conseguiu um bom material num momento mais tenso. O roteiro também não sabe para onde atirar e não resolve seu conflito inicial, deixando para fechar o filme de forma abrupta, como se aquele material tivesse sido “encontrado” e editado para que conheçamos a história. Nota: 5,5

*Filme assistido pela primeira vez

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2 responses

  1. Aleishow

    Filha do Mal tosquérrimo, Chernobyl very nice!

    31 de Outubro de 2012 às 12:28 AM

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