Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Novembro, 2012

O Brasil e o Oscar – O Palhaço

Com a Academia já tendo recebido os mais de 70 candidatos ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, aqui vai meu texto sobre o nosso concorrente.

O Palhaço

No início do ano, ele recusou um convite para fazer parte do elenco de Star Trek 2, mas parece que Selton Mello tem mais uma via até Hollywood. Seu segundo filme como diretor, O Palhaço, foi escolhido como o representante do Brasil à disputa de uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no mês passado. Um caminho que pode até ser mais digno do que um papel de terceira numa continuação de blockbuster. Mas a História brasileira no Oscar mostra que o caminho verde-amarelo na Academia não é dos mais frutíferos.

Desde 1944, quando Ary Barroso foi o primeiro brasileiro a receber uma indicação – com a música “Rio de Janeiro”, no filme Brazil –, nós corremos atrás desse bendito prêmio. Em tese, nós até temos um Oscar de Filme Estrangeiro por Orfeu Negro, uma co-produção entre Brasil, Itália e França que papou a estatueta em 1960. Mas ainda que tivesse parte do elenco brasileiro, o Rio de Janeiro como cenário, ser baseado na peça de Vinicius de Moraes e fosse falado em português, a Academia concedeu à França a honraria por conta do diretor, Marcel Camus, ter nascido por lá.

Com filmes tipo “raça pura”, nós já chegamos a quatro finais naquela categoria, com O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O que é Isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999). Nas quatro vezes vimos o Oscar aportando em outros países. E olha que Fernanda Montenegro ainda concorria como Melhor Atriz com Central. Só que a caseira Academia resolveu premiar a aguada Gwyneth Paltrow, em Shakespeare Apaixonado. Dor de cotovelo à parte.

O Beijo da Mulher-Aranha, dirigido por Hector Babenco, foi indicado a Melhor Filme de 1985 e rendeu ao americano William Hurt o prêmio de Melhor Ator. Mas, no fim das contas, era capitaneado por um argentino. Sim, Babenco nasceu em terras portenhas, ainda que tenha se radicado no Brasil – nem queríamos Oscar mesmo.

Os últimos brasileiros a serem indicados foram os músicos Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, autores da concorrente a Melhor Canção “Real in Rio”, tema da animação Rio. Perdeu para seu único concorrente, Os Muppets. Mesmo destino do indicado a Melhor Documentário, Lixo Extraordinário, co-produzido por Brasil e Reino Unido e co-dirigido por Karen Harley e João Jardim. Também tivemos boas chances com o curta Uma História de Futebol, que em 2001 esteve entre os indicados na categoria. Porém, nada veio na bagagem de Los Angeles.

O ápice brasileiro no Oscar veio com as nomeações de Cidade de Deus em quatro categorias, em 2002. Fernando Meirelles disputou como Melhor Diretor, César Charlone estava entre os melhores diretores de fotografia, Daniel Rezende concorreu entre os melhores montadores e Bráulio Mantovani correu atrás do prêmio de melhor roteiro adaptado. Foi um ápice sem Oscar.

Tudo bem, esse texto não foi nada animador quanto as chances de O Palhaço para 2013. Contudo, quando a Academia estiver apresentando os indicados ao prêmio mais famoso da indústria cultural, lembre-se que podemos até não ter nenhuma estatueta dourada daquelas, mas a Palma de Ouro, o Urso de Ouro, o Globo de Ouro, o Bafta e outros já estão em prateleiras brasileiras.

Agora, se Hollywood já premiou até Roberto Benigni, nosso Palhaço dá de 10 no italiano.

*Texto originalmente publicado na Revista Elite Business (ed. 1) – Outubro 2012


Crítica: Argo

argo-poster1Argo (Idem, EUA, 2012), mais cinematográfico, impossível, tanto no trocadilho, quanto em sua história fantasiosamente real. Veja bem: aqui há uma trama que envolve tensões políticas de alta voltagem entre Estados Unidos e Irã, no fim dos anos 70, e um resgate que seria absurdo se não fosse verdadeiro, ainda que baseado numa falsa ficção-científica de segunda categoria.

O filme começa em 1979, com a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi do governo iraniano e o asilo político dado pelos americanos ao ex-ditador. Insatisfeita, parte da população ligada ao aiatolá Khomeini invade a embaixada dos Estados Unidos em Teerã. Seis funcionários conseguem escapar e recebem abrigo na embaixada do Canadá. A retirada deles é a missão do personagem de Ben Affleck. Uma missão que será desenvolvida da maneira mais peculiar possível: forjar a busca de locações exóticas para as filmagens de um longa que se passa em outro planeta.

Também atrás das câmeras, o diretor Affleck é inteligente o bastante para criar dois polos para seu filme. Se de um lado filma a invasão à embaixada com câmera no ombro e lança mão de imagens “amadoras” para criar realismo, a partir do momento em que o plano de criar o falso filme é iniciado, o tom muda, a fotografia de Rodrigo Prieto fica mais viva e até a trilha sonora acompanha a virada, incluindo músicas menos dramáticas de grupos como Dire Straits e Van Halen.

Nessa hora, brilha a incrível atuação de Alan Arkin, como o produtor do Argo fajuto. Ele mistura sabiamente um tom debochado com relação ao plano e uma preocupação genuína com relação ao futuro dos envolvidos. Repare como ele responde a um repórter sobre do que se trata o filme, durante a coletiva de apresentação do projeto, transparecendo incredulidade em relação à proporção que aquilo vai tomando e caindo a ficha de que, mesmo sim, pode funcionar.

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Essa passagem também guarda o momento que melhor demonstra a ambiguidade da situação. Em um único movimento de câmera, o diretor deixa a festividade de lado e chega à cozinha do salão, onde a fotografia é fria e na TV passa a declaração de uma iraniana, enquanto, paralelamente, os reféns da embaixada são torturados.

Mas como já citado, Argo não é só cinematográfico por ter um filme dentro do filme. A metalinguagem vai mais longe e tem um prólogo que conta a história de ascensão e queda de ditadores por meio de storyboards. Os quais vão dialogar com um importante momento do longa no terço final. Ele ainda traz personagens reais do mundo do Cinema, como o maquiador John Chamers, vencedor do Oscar por O Planeta dos Macacos, de 1968. Ele é vivido muito bem por John Goodman.

E depois de tanto brincar entre o absurdo de tudo aquilo e ainda cutucar os Estados Unidos por ter criado aquela situação, Affleck ainda é capaz de amarrar uma série de situações para dificultar a remoção dos seis americanos que deixaram a embaixada antes da invasão. Não que esses percalços sejam todos orgânicos à trama, mas são tensos o suficiente para te levar a roer as unhas e funcionam como conflito para fazer a trama andar e render bons momentos.

Pena que o roteiro de Chris Terrio não consegue fazer muito pelo protagonista do filme. Affleck, de barba, dorme usando terno, aparenta desânimo e tem problemas de família. Tudo isso para criar certa simpatia com o personagem, mas com problemas que nunca são explorados como deveriam. No fim, você não sabe de onde surgiram e para onde foram. Sorte que o verdadeiro conflito do longa é muito maior e muito melhor que isso.

Nota: 8

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Resumo (12 a 25 nov)

hesher-ver3Hesher (ou Juventude em Fúria)* (Idem, 2010). De Spencer Susser

Dizer que o filme de Spencer Susser faz o melhor estilo independente do Cinema dos Estados Unidos fala muito sobre o tom “estou-pouco-ligando-para-o-que-você-pensa” do personagem-título. Vivido com uma naturalidade assustadora por Joseph Gordon-Levitt, Hesher agride uma criança, invade casas e ameaças pessoas. Mas ele tem mais algumas camadas: às vezes parece se importar com uma ou outra pessoa nesse mundo, o que não quer dizer que ele vai estar ao lado dessas mesmas criaturas quando estiverem sendo surradas por valentões ou não vai se aproveitar de sua carência para conseguir sexo. Um personagem corajoso, já que o roteiro não lhe dá características exatamente simpáticas em sua apresentação, na qual explode uma bomba e passa a perseguir um jovem que acaba de perder a mãe e a última lembrança dela. Como estilo e alguma maldade, a trama de Hesher vai nos apresentar uma família depressiva e como esse personagem bizarro vai se tornar num catalisador das mudanças necessárias para aquele ambiente torturante para um jovem que entra de vez na puberdade, seu pai que não levanta da cama e a avó que se sente inútil no meio desse turbilhão. Ao som de MetallicA e Motörhead, o filme flerta com o nonsense em momentos como o da psicina, é mau e termina de forma estranhamente emocionante – e você poderá chorar de verdade, sem exageros por parte desse blogueiro que vos escreve. Só não é perfeito em sua estranheza por resolver de forma rasa o caso envolvendo Natalie Portman e não conseguir determinar a idade de um valentão do filme, que parece um adolescente em alguns momentos e adulto em outros. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez


Scarlett Johansson faz 28 anos + Encontros e Desencontros

Hoje, Scarlett Johansson completa 28 anos e para homenagear aquela que, pra mim, é a mais bela atriz de todos os tempos, republico um texto sobre o filme Encontros e Desencontros, de 2003. Foi por causa dele que me apaixonei pela loira. Vale ressaltar: ela não é só um belo rosto, ainda que tenha feito algumas besteirinhas (Esqueceram de Mim 3), já foi digna de prêmios em duas ocasiões, pelo menos, como no próprio Encontros e Desencontros e Match Point.

Então, parabéns Scarlett.

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Distanciamento é tema da vida 

Quantos filmes falam sobre a solidão? Centenas, certo? Então vou me ater ao que tenho em minha cabeça nesse momento, Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola. A história da garota separada afetivamente de seu marido e que encontra um velho ator também longe de sua esposa é de arrepiar qualquer um em suas cenas mais sutis. Até mesmo a trilha sonora joga com essa solidão que parece ter encontrado um fim – ou uma pausa pelo menos. Da mesma forma que Charlotte e Bob Harris se tornam base um para o outro, fazendo de sua melancolia uma ligação terna, músicas como “Girls“, do grupo Death in Vegas, usada na abertura do longa, inicia-se em tons obscuros e vai ganhando força, paixão e volume até seu ápice. Aliás, o clímax de Encontros e Desencontros é marcado por “Just Like Honey”, do Jesus and Mary Chain, de maneira desconcertante. Do nada você se pega com lágrimas pelo rosto. Às vezes até sem entender muito bem o motivo.

Coppola lança mão de uma sutileza incrível, criando situações de riso e choro, momentos de pena e raiva. Quando Charlotte lança seu olhar para Bob durante um karaokê, não é necessário que se diga nada, da mesma maneira que em hora alguma escutamos uma declaração de amor daquelas açucaradas ou escandalosas. A câmera se encarrega de desnudar os sentimentos dos personagens. O marido fotógrafo de Charlotte quase não é visto durante a película, o que traz a dimensão da falta que ele faz à garota. Já da esposa de Harris só é conhecida a voz, através das inúmeras ligações que ela faz ao ator, sempre preocupada com coisas rotineiras e rasas. O fato de ainda se ter contato com a imagem de John – o cônjuge – e não de Lídia – a cônjuge – pode ser interpretado como os anos de distanciamento em que Bob vive e um possível futuro para Charlotte.

Ela está sempre só, explorando algum lugar novo. Ele anda acompanhado apenas de sua antiga fama. Quando se juntam, conseguem sorrisos mútuos. E no abraço dado no corredor de uma boate, mais uma vez, em silêncio, parecem gritar por socorro. Não existe nada carnal entre os personagens e quando Bob sucumbe ao desejo por uma cantora de jazz, uma conversa aguda durante o almoço soa como tapas nos rostos de ambos. Traição não é termo a ser usado. Talvez medo. Temem, quem sabe, um fim precoce.

E a câmera que acompanha de forma tão intrusiva o que se passa com aquelas duas pessoas solitárias o filme todo, nos minutos derradeiros simplesmente ignora o que Harris diz ao ouvido de Charlotte. Certos momentos são íntimos demais para serem revelados.

 Scarlett


Crítica: 360

360Ainda que nós, brasileiros, possamos nos orgulhar de Fernando Meirelles esteja à frente de mais um projeto internacional de qualidade, depois O Jardineiro Fiel e Ensaio Sobre a Cegueira, a verdade é que 360 (Reino Unido/Áustria/França/Brasil) tem outro dono: Peter Morgan, roteirista desse drama de estrutura interessante e personagens idem.

A grande contribuição do brasileiro ao projeto é o equilíbrio que promove entre vários bons pontos da produção, seja o elenco, a montagen fantástica do também brasileiro Daniel Rezende ou a transposição do texto de Morgan.

O filme trata de uma grande quantidade de personagens ligados por pequenos pontos de cruzamento criados a partir de suas decisões. Daí temos o executivo que quer se encontrar uma prostituta e é descoberto, a brasileira que volta para casa, a esposa infiel, o criminoso sexual que acaba de deixar a prisão, o senhor que busca a filha, o motorista-capacho e outros tamtos. Suas histórias e relações criam uma linda estrutura cíclica que justifica o título.

Para isso, Morgan lança mão de artifícios arriscados, como apresentar personagens no terço final longa, o que demanda identificação rápida com a plateia. Algo que eles sempre consegue, em menor (uma esposa que cobra a presença do marido) ou maior grau  (esse marido que descobre como tomar as rédeas de sua vida, quase no fim do longa). O caso é que para todos os personagens há um arco com começo, meio e fim, dentro da estrutura macro do roteiro. Um trabalho fantástico de Morgan, que mesmo não sendo bem sucedido com todos os personagens, é corajoso e relativamente inovador.

A mão de Rezende, nesse sentido, é fundamental, já que monta o filme usando elementos sutis para mostrar as ligações daquelas pessoas em trânsito (físico ou no rumo de suas vidas). Repare como há sempre um avião ou ônibus cruzando a tela e de que forma eles se tornam atalhos para as escolhas daquelas pessoas e, assim, elementos fundamentais para o destino de cada um. E mais: os próprios veículos são usados pelo montador para criar fluidez nas transições, fazendo a trama ágil.   O que potencializa cada um dos dramas vividos pelas pessoas em cena.

O destaque fica para o arco que envolve Maria Flor, Anthony Hopkins e o (melhor de todos) Ben Foster. A partir da descisão da moça de voltar para o Brasil, conhecemos um pai que precisa de redenção e cria laços paternos com a brasileira durante a espero no aeroporto, enquanto ela se envolve perigosamente com um criminoso sexual sem se dar conta do passado dele.

Desse cenário saem uma atuação digna de prêmios de Foster, o momento mais tocante do filme com um monólogo de Hopkins e a personagem na qual o filme investe maior complexidade dramática num projeto que deixa claro, no início e no fim, suas pretensões. São duas falas que questinam inicialmente “como viemos parar aqui” e, sutilmente, deixa claro a estrutura da trama do filme com outra pessoas dizendo “pronto, demos a volta completa” – e repare como as pontas do desfecho e abertura se encontram.

Nota: 8

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Clipando – James Franco

James Franco se mostrou bom ator e um cara com bons projetos (127 Horas) aliados a blockbusters (Planeta dos Macacos – A Origem) – e algumas besteiras, claro (Tristão & Isolda). Mas se engana quem pensa que o cara fica apenas na frente das câmeras, ele tem uma série de projetos como diretor, produtor ou roteirista – a maior parte curtas.

Um desses trabalhos foi em parceria com o grupo R.E.M. e o resultado foi mostrado nessa semana. O clipe da música “Blue” é feito de imagens urbanas desconexas e captadas, na maior parte, com câmeras de mão, digitais e em Super 8. As cores lavadas dão um tom “muderninho” e até o próprio Franco aparece em alguns momentos.

Não é exatamente o melhor vídeo do mundo, mas segue o tom estranho da música de Michael Stipe e companhia. E este é o Clipando da vez – e o segundo da banda por aqui.


Resumo (5 a 11 nov)

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O Grande Truque (The Prestige, 2006). De Christopher Nolan

O grande truque de O Grande Truque (desculpem o trocadalho do carilho) é o roteiro intrincado, mas inteligível do também diretor Christopher Nolan e de seu irmão, Jonathan, baseado do livro de Christopher Priest. A trama segue a história de obsessão pelo número de mágica perfeito e a autodestruição dos mágicos vividos por Christian Bale e Hugh Jackman. Voltamos e saltamos à frente no tempo para saber o que aconteceu com aquela relação, o que vai explicar a prisão de um deles e o ódio do outro. Descobrimos, então, o amor pela profissão do mágico de Bale e o talento para os palcos de Jackman e somos surpreendidos a cada minuto por algo novo que envolve esses homens até um final apoteótico e que desafia a mais hábil das mentes cinéfilas a decifrar o maior dos segredos do roteiro. Até chegar lá, a dupla principal ainda dá uma aula de atuação dentro de um elenco quase irretocável, que ainda inclui o cantor David Bowie. Vale salientar que a montagem de Lee Smith tem papel fundamental na dinâmica de O Grande Truque, conseguindo não só esconder o que precisa ser escondido com cortes rápidos, como executa com maestria o que se tornou marca registrada dele junto a Nolan: revelações importantes mostradas em paralelo, as quais elevam a tensão e são de uma elegância ímpar. Fora que são poucos os filmes que têm os colhões de jogar na sua cara que só te enganou porque você quis que isso acontecesse. Como diria Michael Caine antes do fade para o preto no final do longa: “… Você está procurando o segredo. Mas você não vai encontrá-lo, porque, claro, você não está realmente olhando. Você realmente não quer trabalhar com isso. Você quer ser enganado”. Nota: 9

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O Último Exorcismo* (The Last Exorcism, 2010). De Daniel Stamm 

O que irrita nesse terror é a escolha inexplicável de ser um falso documentário. Primeiro porque ele não respeita “as regras” de tal formato, criando inúmeros momentos com cortes que indicam a presença de duas ou três câmeras onde só há uma – o que mostra a fragilidade da direção de Daniel Stamm, que não tem talento para criar tomadas longas ou simplesmente não está ligando para isso. Fora que o filme poderia usar de recursos de direção com a câmera no ombro para os momentos mais tensos sem ter que se amarrar a qualquer formato que não irá seguir e ainda sim conseguir bons resultados, como faz Paul Greengrass (O Ultimato Bourne), o rei da câmera nervosa. O longa até trabalha de maneira interessante a história de um pastor que perdeu sua fé e segue meio que no automático para tentar expor os problemas de sua religião e, claro, dos exorcismos. Para isso, faz o tal documentário, que o segue em mais um trabalho, o qual, claro, não vai sair como esperado. Se o roteiro não reinventa a roda, o falso final no celeiro seria um belo exemplo de anticlímax que dá certo. Porém, os roteiristas Huck Botko e Andrew Gurland não se satisfazem com a inteligente sacada que tiveram a respeito do mal que aflige a exorcizada. Dessa forma, inventam um desfecho absurdo e que vai contra tudo o que tentaram construir a respeito de ceticismo versus religião. Quiseram aproximar o final a produções como A Bruxa de Blair, que se trata de uma montagem feita a partir de “filmagens achadas” – mas um filme que tem o mínimo de inteligência de não incluir trilha sonora em algo que não foi feito como um longa-metragem comum. Nota: 5

*Filme assistido pela primeira vez