Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (5 a 11 nov)

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O Grande Truque (The Prestige, 2006). De Christopher Nolan

O grande truque de O Grande Truque (desculpem o trocadalho do carilho) é o roteiro intrincado, mas inteligível do também diretor Christopher Nolan e de seu irmão, Jonathan, baseado do livro de Christopher Priest. A trama segue a história de obsessão pelo número de mágica perfeito e a autodestruição dos mágicos vividos por Christian Bale e Hugh Jackman. Voltamos e saltamos à frente no tempo para saber o que aconteceu com aquela relação, o que vai explicar a prisão de um deles e o ódio do outro. Descobrimos, então, o amor pela profissão do mágico de Bale e o talento para os palcos de Jackman e somos surpreendidos a cada minuto por algo novo que envolve esses homens até um final apoteótico e que desafia a mais hábil das mentes cinéfilas a decifrar o maior dos segredos do roteiro. Até chegar lá, a dupla principal ainda dá uma aula de atuação dentro de um elenco quase irretocável, que ainda inclui o cantor David Bowie. Vale salientar que a montagem de Lee Smith tem papel fundamental na dinâmica de O Grande Truque, conseguindo não só esconder o que precisa ser escondido com cortes rápidos, como executa com maestria o que se tornou marca registrada dele junto a Nolan: revelações importantes mostradas em paralelo, as quais elevam a tensão e são de uma elegância ímpar. Fora que são poucos os filmes que têm os colhões de jogar na sua cara que só te enganou porque você quis que isso acontecesse. Como diria Michael Caine antes do fade para o preto no final do longa: “… Você está procurando o segredo. Mas você não vai encontrá-lo, porque, claro, você não está realmente olhando. Você realmente não quer trabalhar com isso. Você quer ser enganado”. Nota: 9

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O Último Exorcismo* (The Last Exorcism, 2010). De Daniel Stamm 

O que irrita nesse terror é a escolha inexplicável de ser um falso documentário. Primeiro porque ele não respeita “as regras” de tal formato, criando inúmeros momentos com cortes que indicam a presença de duas ou três câmeras onde só há uma – o que mostra a fragilidade da direção de Daniel Stamm, que não tem talento para criar tomadas longas ou simplesmente não está ligando para isso. Fora que o filme poderia usar de recursos de direção com a câmera no ombro para os momentos mais tensos sem ter que se amarrar a qualquer formato que não irá seguir e ainda sim conseguir bons resultados, como faz Paul Greengrass (O Ultimato Bourne), o rei da câmera nervosa. O longa até trabalha de maneira interessante a história de um pastor que perdeu sua fé e segue meio que no automático para tentar expor os problemas de sua religião e, claro, dos exorcismos. Para isso, faz o tal documentário, que o segue em mais um trabalho, o qual, claro, não vai sair como esperado. Se o roteiro não reinventa a roda, o falso final no celeiro seria um belo exemplo de anticlímax que dá certo. Porém, os roteiristas Huck Botko e Andrew Gurland não se satisfazem com a inteligente sacada que tiveram a respeito do mal que aflige a exorcizada. Dessa forma, inventam um desfecho absurdo e que vai contra tudo o que tentaram construir a respeito de ceticismo versus religião. Quiseram aproximar o final a produções como A Bruxa de Blair, que se trata de uma montagem feita a partir de “filmagens achadas” – mas um filme que tem o mínimo de inteligência de não incluir trilha sonora em algo que não foi feito como um longa-metragem comum. Nota: 5

*Filme assistido pela primeira vez

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