Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: 360

360Ainda que nós, brasileiros, possamos nos orgulhar de Fernando Meirelles esteja à frente de mais um projeto internacional de qualidade, depois O Jardineiro Fiel e Ensaio Sobre a Cegueira, a verdade é que 360 (Reino Unido/Áustria/França/Brasil) tem outro dono: Peter Morgan, roteirista desse drama de estrutura interessante e personagens idem.

A grande contribuição do brasileiro ao projeto é o equilíbrio que promove entre vários bons pontos da produção, seja o elenco, a montagen fantástica do também brasileiro Daniel Rezende ou a transposição do texto de Morgan.

O filme trata de uma grande quantidade de personagens ligados por pequenos pontos de cruzamento criados a partir de suas decisões. Daí temos o executivo que quer se encontrar uma prostituta e é descoberto, a brasileira que volta para casa, a esposa infiel, o criminoso sexual que acaba de deixar a prisão, o senhor que busca a filha, o motorista-capacho e outros tamtos. Suas histórias e relações criam uma linda estrutura cíclica que justifica o título.

Para isso, Morgan lança mão de artifícios arriscados, como apresentar personagens no terço final longa, o que demanda identificação rápida com a plateia. Algo que eles sempre consegue, em menor (uma esposa que cobra a presença do marido) ou maior grau  (esse marido que descobre como tomar as rédeas de sua vida, quase no fim do longa). O caso é que para todos os personagens há um arco com começo, meio e fim, dentro da estrutura macro do roteiro. Um trabalho fantástico de Morgan, que mesmo não sendo bem sucedido com todos os personagens, é corajoso e relativamente inovador.

A mão de Rezende, nesse sentido, é fundamental, já que monta o filme usando elementos sutis para mostrar as ligações daquelas pessoas em trânsito (físico ou no rumo de suas vidas). Repare como há sempre um avião ou ônibus cruzando a tela e de que forma eles se tornam atalhos para as escolhas daquelas pessoas e, assim, elementos fundamentais para o destino de cada um. E mais: os próprios veículos são usados pelo montador para criar fluidez nas transições, fazendo a trama ágil.   O que potencializa cada um dos dramas vividos pelas pessoas em cena.

O destaque fica para o arco que envolve Maria Flor, Anthony Hopkins e o (melhor de todos) Ben Foster. A partir da descisão da moça de voltar para o Brasil, conhecemos um pai que precisa de redenção e cria laços paternos com a brasileira durante a espero no aeroporto, enquanto ela se envolve perigosamente com um criminoso sexual sem se dar conta do passado dele.

Desse cenário saem uma atuação digna de prêmios de Foster, o momento mais tocante do filme com um monólogo de Hopkins e a personagem na qual o filme investe maior complexidade dramática num projeto que deixa claro, no início e no fim, suas pretensões. São duas falas que questinam inicialmente “como viemos parar aqui” e, sutilmente, deixa claro a estrutura da trama do filme com outra pessoas dizendo “pronto, demos a volta completa” – e repare como as pontas do desfecho e abertura se encontram.

Nota: 8

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