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Crítica: Argo

argo-poster1Argo (Idem, EUA, 2012), mais cinematográfico, impossível, tanto no trocadilho, quanto em sua história fantasiosamente real. Veja bem: aqui há uma trama que envolve tensões políticas de alta voltagem entre Estados Unidos e Irã, no fim dos anos 70, e um resgate que seria absurdo se não fosse verdadeiro, ainda que baseado numa falsa ficção-científica de segunda categoria.

O filme começa em 1979, com a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi do governo iraniano e o asilo político dado pelos americanos ao ex-ditador. Insatisfeita, parte da população ligada ao aiatolá Khomeini invade a embaixada dos Estados Unidos em Teerã. Seis funcionários conseguem escapar e recebem abrigo na embaixada do Canadá. A retirada deles é a missão do personagem de Ben Affleck. Uma missão que será desenvolvida da maneira mais peculiar possível: forjar a busca de locações exóticas para as filmagens de um longa que se passa em outro planeta.

Também atrás das câmeras, o diretor Affleck é inteligente o bastante para criar dois polos para seu filme. Se de um lado filma a invasão à embaixada com câmera no ombro e lança mão de imagens “amadoras” para criar realismo, a partir do momento em que o plano de criar o falso filme é iniciado, o tom muda, a fotografia de Rodrigo Prieto fica mais viva e até a trilha sonora acompanha a virada, incluindo músicas menos dramáticas de grupos como Dire Straits e Van Halen.

Nessa hora, brilha a incrível atuação de Alan Arkin, como o produtor do Argo fajuto. Ele mistura sabiamente um tom debochado com relação ao plano e uma preocupação genuína com relação ao futuro dos envolvidos. Repare como ele responde a um repórter sobre do que se trata o filme, durante a coletiva de apresentação do projeto, transparecendo incredulidade em relação à proporção que aquilo vai tomando e caindo a ficha de que, mesmo sim, pode funcionar.

Argo7

Essa passagem também guarda o momento que melhor demonstra a ambiguidade da situação. Em um único movimento de câmera, o diretor deixa a festividade de lado e chega à cozinha do salão, onde a fotografia é fria e na TV passa a declaração de uma iraniana, enquanto, paralelamente, os reféns da embaixada são torturados.

Mas como já citado, Argo não é só cinematográfico por ter um filme dentro do filme. A metalinguagem vai mais longe e tem um prólogo que conta a história de ascensão e queda de ditadores por meio de storyboards. Os quais vão dialogar com um importante momento do longa no terço final. Ele ainda traz personagens reais do mundo do Cinema, como o maquiador John Chamers, vencedor do Oscar por O Planeta dos Macacos, de 1968. Ele é vivido muito bem por John Goodman.

E depois de tanto brincar entre o absurdo de tudo aquilo e ainda cutucar os Estados Unidos por ter criado aquela situação, Affleck ainda é capaz de amarrar uma série de situações para dificultar a remoção dos seis americanos que deixaram a embaixada antes da invasão. Não que esses percalços sejam todos orgânicos à trama, mas são tensos o suficiente para te levar a roer as unhas e funcionam como conflito para fazer a trama andar e render bons momentos.

Pena que o roteiro de Chris Terrio não consegue fazer muito pelo protagonista do filme. Affleck, de barba, dorme usando terno, aparenta desânimo e tem problemas de família. Tudo isso para criar certa simpatia com o personagem, mas com problemas que nunca são explorados como deveriam. No fim, você não sabe de onde surgiram e para onde foram. Sorte que o verdadeiro conflito do longa é muito maior e muito melhor que isso.

Nota: 8

Argo-Affleck-Irã

6 responses

  1. Aleishow

    Ah nem, queria tê-lo assistido.😦

    27 de Novembro de 2012 às 11:00 PM

  2. Aleishow

    Nem há. Meu namorado já foi e não quis me levar.

    29 de Novembro de 2012 às 12:30 AM

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  5. Um merecido prêmio, mas o começo é chato mas depois melhora, e eu acho que o interesse gerado no assunto discutido, mas para ser honesto, eu sinto um pouco elitista, porque nem todo mundo entende. Definitivamente vale a pena assistir Argo é um filme contou com inteligência, bom ritmo e um elenco muito atraente. É um fato de que é a melhor produção de Ben Affleck e conseguiu consolidar como diretor.

    31 de Outubro de 2014 às 10:50 PM

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