Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Dezembro, 2012

Feliz Ano Novo com Forrest Gump e Tenente Dan

Feliz 1972!

 

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Resumo Final de 2012

the-breakfast-club-1985-hughesClube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985). De John Hughes

Agrupar cinco estudantes de grupos variados em um sábado tedioso de castigo e dali tirar histórias humanas e não apenas as costumeiras besteiras adolescentes é o grande trunfo dessa comédia divertida e ao mesmo tempo emocionante de um dos diretores que melhor conseguiu tocar a juventude e dela extrair material de qualidade para o Cinema, John Hughes. Não à toa esse é o ápice da carreira do cineasta, ao lado de Curtindo a Vida Adoidado. Ele usa aqueles velhos estereótipos colegiais para iniciar sua história: um jovem deliquente, um nerd, um esportista, uma popular e uma freak. Mas todos têm algo além da aparência e até a forma como chegam à escola, seja andando só ou na companhia dos pais, fala muitos sobre os dramas que cada um enfrenta. Não existe nada de muito profundo, mas muito do que atormenta aqueles jovens esteve em cada um de nós naquela idade. A cobrança familiar, a falta de comunicação com essa mesma família ou inaptidão para ser aceito em um grupo, do qual, em tese, deveria fazer parte. O roteiro bem dosado faz graça da situação, cria pequenos conflitos e vai intercalando humor e drama para criar um filme completo sobre jovens. Talvez os dois momentos que definem a trama sejam a reunião entre os jovens sentados ao chão e a dança que se segue, ao som de “We Are Not Alone”, de Karla DeVito. Fora, claro, o discurso final de Brian (Anthony Michael Hall), que termina na mão erguida de John (Judd Nelson), emoldurada pela sempre excelente “Don’t You (Forget About Me)”, do Simple Minds. Nota: 9

warrior-posterGuerreiro* (Warrior, 2011). De Gavin O’Connor

O mais incrível não é você curtir um filme com uma história tão batida como a de lutadores que superam suas dificuldades, mas você chegar ao final de um longa-metragem sobre MMA e chorar feito criança. Sim, meus amigos, eu chorei. Mas me explico. A trama gira em torno de uma família de lutadores esfacelada pelo álcool. De um lado está o caladão Tommy, vivido por Tom Hardy. Do outro está o professor de física carismático Brendan, na pele de Joel Edgerton. Entre eles está Paddy (Nick Nolte), um alcoólatra em tratamento, que é pai de ambos e que causou a divisão da família por conta de seu vício. A tentativa de aproximação de Tommy para ser treinado pelo pai e ir a um torneio e o vislumbre da antiga família por pare do patriarca, que procura o outro filho, Brendan, vão catalisar a história. O ápice é o tal torneio que, obviamente, vai ter os irmãos disputando em lados contrários. Enquanto o primeiro terço do filme se encarrega de estabelecer os personagens, no segundo ato, vemos seus dramas e o terceiro terço vai colidi-los, literalmente. A partir daí, o inteligente roteiro de também diretor Gavin O’Connor, junto a Anthony Tambakis e Cliff Dorfman, explora ao máximo a dificuldade do professor que resolveu lutar de novo, criando um tipo de clímax antecipado logo em seu primeiro embate. A torcida será genuína, ajudada pela nossa natural tendência de torcer pelos mais fracos. Enquanto isso, as lutas rápidas e arredias de Tommy  são ajudadas  pelos relances de humanidade daquele homem de coração partido – assista e descubra as motivações dele. Para potencializar o chororô, Nick Nolte como o pai dos brucutus implora pelo amor perdido de ambos em cenas de cortar o coração, tamanha a humilhação pela qual se submete. Talvez o açúcar seja diluído pela testosterona da pancadaria que é jogada aqui e ali na trama até o torneio principal. O que posso dizer é que os minutos finais de Guerreiro reservam uma das cenas mais bonitas que um filme de macho (com coração) pode conceber. E olha que as lutas, muitas vezes, têm algo de telecatch em suas quedas, e o roteiro apela descaradamente para a criação de um inimigo para cada um dos protagonistas à lá Apollo Creed e Ivan Drago. Mas não tem jeito, depois de cuidar tanto do drama dos dois, é impossível ser indiferente ao futuro deles. Ajuda muito a fotografia granulada, com efeito dramático  e as atuações do trio principal. Nolte ganhou uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. E eu chorei. Nota 8,5

*Filme assistido pela primeira vez


Fuck Me, Santa!

Os nossos bolsos já sofrem com isso anualmente, Lauren Graham apenas personifica a situação no filme Papai Noel às Avessas.

Feliz Natal!

Lauren Graham: Eu sempre tive uma coisa com o Papai Noel. No caso de você não ter notado (…) 
Billy Bob Thornton: Como a minha coisa por tetas…


O Palhaço fora da disputa pelo Oscar

O Palhaço

Bom, lamentavelmente, o ótimo O Palhaço está fora da disputa pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Ontem a Academia soltou uma lista de nove pré-indicados, dos mais de 70 inscritos, e o longa se Selton Mello não estava lá. Pena. Os indicados serão anunciados no dia 10 de janeiro.
Confira a lista dessa sexta-feira:

Amour, de Michael Haneke (Áustria)
War Witch, de Kim Nguyen (Canadá)
No, de Pablo Larraín (Chile)
A Royal Affair, de Nikolaj Arcel (Dinamarca)
Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano (França)
The Deep, de Baltasar Kormákur (Islândia)
Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega)
Além das Montanhas, de Cristian Mungiu (Romênia)
Sister, de Ursula Meier (Suíça)


Crítica: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada

thehobbit-teaserposterComo a comparação é inevitável e até necessária para que aquele mundo seja entendido em sua plenitude, não, O Hobbit – Uma Jornada Inesperada (The Hobbit – An Unexpected Journey, EUA/ Nova Zelândia, 2012) não está no mesmo patamar que O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel como representante de mais uma trilogia saída da Terra Média criada por J.R.R. Tolkien. O que não o impede de ser um filme de qualidade técnica quase irretocável e que diverte que é uma beleza.

O ponto de partida aqui não é muito diferente daquele vivido há mais de dez anos com Frodo, um hobbit que é recrutado pelo mago Gandalf para uma aventura inimaginável para um ser tão pequeno e pacato. A nova saga acontece décadas antes dos eventos de O Senhor do Anéis e o hobbit recrutado é Bilbo Bolseiro, tio de Frodo, que vai formar um grupo com anões e com o próprio mago cinzento para reaver o reino anão de Erebor, tomado pelo dragão Smaug.

Com um tom um pouco mais leve que seus antecessores, Uma Jornada Inesperada tem a maior parte da comédia reservada para os minutos iniciais, quando os anões invadem a casa de Bilbo para a reunião que vai definir a missão até a Montanha Solitária, onde está Erebor, e a retomada do reino.

É nesse momento também que se vê o melhor do ator Martin Freeman, que interpreta Bilbo de forma sutil e com grande simpatia. Repare na qualidade do trabalho dele no primeiro diálogo com Gandalf, pontuado por reações minimalistas e que causam muita graça. Pronto, em minutos, Freeman faz a plateia esquecer o (também) excelente trabalho de Ian Holm, que o interpretou anteriormente.

O cineasta Peter Jackson, que não é bobo, não deixa de dar familiaridade ao projeto, afinal, ele sabe que muitas pessoas estarão nas salas de cinema para reencontrar um mundo que as encantou e salpica a produção de referências cinematográficas à adaptação de Tolkien anterior, inserindo vários trechos de temas conhecidos de O Senhor dos Anéis na trilha de O Hobbit ou mesmo deixando claro o grande fascínio de Bilbo quando de sua passagem por Valfenda. E nada como rever as pequenas e charmosas casas dos hobbits no Condado para se sentir em casa na volta à Terra Média. Jackson as mostra mais belas do que nunca, por meio da fotografia suavizada de Andrew Lesnie.

Sim, o filme tem um quê sentimental para muita gente que é impossível ser dissociado durante a apreciação de Uma Jornada Inesperada, o que, de forma alguma, atrapalha no reconhecimento de problemas de roteiro, como no excesso de flashbacks para que a história de vários personagens seja contada – lembre-se o filme inteiro é um flashback saído do diário de Bilbo já envelhecido.

E mais: num dos momentos mais importantes da trama, o protagonista encontra o Gollum mais uma vez interpretado por Andy Serkis – e seu precioso. O momento isolado da narrativa não apresenta um problema sequer, com o pequeno monstro se mostrando já com a personalidade dividida (como os fãs aprenderam a amá-lo) e mais assustador que nunca (ainda que encantador em certos pontos). Mas se o jogo de charadas com o Bilbo diverte, toda a passagem escancara como a sequência anterior envolvendo a captura de hobbits por orcs é problemática por não dar uma sequência lógica para o encontro com Gollum e, pior, para a fuga que acontece logo em seguida. Faça um teste e imagine como toda a sequência dos orcs ficaria apressada sem a intervenção da cena das charadas.

E olha que Jackson até tenta esconder o problema com um movimento de câmera que acompanha certo personagem mergulhando na escuridão próxima do buraco onde Bilbo e Gollum se encontram. Nem assim aquela transição da narrativa consegue naturalidade.

Mas como dito anteriormente, ainda que os sentimentos pelas histórias da Terra Média levadas ao Cinema não atrapalhem uma análise mais fria, são eles que dão outra dimensão a uma solução um tanto mandrake para um momento crucial no terceiro terço do filme. Ações de coragem e honra de certos personagens somadas à aparição das águias invocadas por Gandalf emocionam, como já aconteceu outras vezes em O Senhor dos Anéis – mesmo que aqui a demora para que isso aconteça seja milimetricamente calculada para o instante mais dramático.

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48fps

Apesar dos pesares, talvez O Hobbit – Uma Jornada Inesperada deixe para a história do Cinema a ousadia de ser o primeiro grande lançamento comercial a apostar no formato de 48 frames por segundo (fps). A taxa de quadros que é o dobro do habitual do Cinema (24 quadros por segundo) pode não ser apreciada por muita gente, mas ninguém poderá negar a qualidade que isso traz à imagem – e alguns efeitos colaterais.

O poder técnico da produção ganha muito com os 48fps, pois o 3D se torna mais nítido e a imersão em cenas grandiosas é um absurdo. Repare como o embate entre os gigantes de pedra se torna vertiginoso tamanho o grau de detalhamento dos seres. Momento que só perde para a perfeição da invasão de Smaug à Montanha Solitária, que ainda ganha um som poderoso.

A nova tecnologia, claro, exige mais dos efeitos visuais e os problemas são evidenciados como a falta de naturalidade dos pratos sendo jogados de um lado para o outro pelos anões na casa de Bilbo e nos vários momentos em que o mago Radagast, O Marrom, pilota sua carruagem de coelhos. Assim como a movimentação dos wargs, nessas passagens a câmera parece acelerada e artificial.

A textura da imagem “mais limpa” pode incomodar e ser estranha inicialmente, mas não há como negar que leva as produções à frente e a novas possibilidades.

Nota: 8,5 the-hobbit-an-unexpected-journey-ian


Globo de Ouro 2013 – Os indicados

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Saíram, então, os indicados ao Globo de Ouro de 2013. Como esse é um blog sobre Cinema (e seu dono não consegue acompanhar nem as séries que ele gosta), vou me ater aos nomeados no mundo Cinema, uma vez que produções americanas para a TV também são contempladas pelo prêmio.

Lincoln, de Steven Spielberg, é o que sai na frente, com sete indicações, seguido de Argo, de Ben Affleck, e Django Livre, de Quentin Tarantino, que concorrem a cinco prêmios cada um. Vale ainda salientar que a ótima música de Adele para Skyfall também foi lembrada pelos membros da imprensa estrangeira em Hollywood. E mais: Alan Arkin está lá como um dos nomeados a melhor ator coadjuvante com seu papel em Argo (merecidamente).

Os vencedores serão revelados no dia 13 de janeiro.

Vamos à lista:

Melhor Filme – Drama

Argo

A Hora Mais Escura

As Aventuras de Pi

Lincoln

Django Livre

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Melhor Atriz – Drama

Rachel Weisz – The Deep Blue Sea

Helen Mirren – Hitchcock

Naomi Watts – O Impossível

Marion Cotillard – Ferrugem e Osso

Jessica Chastain – A Hora Mais Escura

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Melhor Ator – Drama

Richard Gere – A Negociação

Denzel Washington – O Voo

Daniel Day Lewis – Lincoln

Joaquin Phoenix – O Mestre

John Hawkes – As Sessões

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Melhor Filme – Comédia ou Musical

O Exótico Hotel Marigold

Os Miseráveis

Moonrise Kingdom

O Lado Bom da Vida

Amor Impossível

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Melhor Atriz – Comédia ou Musical

Judi Dench – O Exótico Hotel Marigold

Meryl Streep – Um Divã Para Dois

Maggie Smith – Quartet

Emily Blunt – Amor Impossível

Jennifer Lawrence – O Lado Bom da Vida

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Melhor Ator – Comédia ou Musical

Bradley Cooper – O Lado Bom da Vida

Jack Black – Bernie

Bill Murray – Um Final de Semana em Hyde Park

Hugh Jackman – Os Miseráveis

Ewan McGregor – Amor Impossível

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Melhor Filme – Animação

Valente

Frankenweenie

Hotel Transilvânia

A Origem dos Guardiões

Detona Ralph

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Melhor Filme em Língua Estrangeira

Amour

Intocáveis

Kon-Tiki

A Royal Affair

Ferrugem e Osso

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Melhor Atriz em Papel Coadjuvante

Anne Hathaway – Os Miseráveis

Sally Field – Lincoln

Amy Adams – O Mestre

Nicole Kidman – The Paperboy

Helen Hunt – As Sessões

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Melhor Ator em Papel Coadjuvante

Alan Arkin – Argo

Tommy Lee Jones – Lincoln

Philip Seymour Hoffman – O Mestre

Christoph Waltz – Django Livre

Leonardo DiCaprio – Django Livre

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Melhor Diretor

Ben Affleck – Argo

Kathryn Bigelow – A Hora Mais Escura

Ang Lee – As Aventuras de Pi

Steven Spielberg – Lincoln

Quentin Tarantino – Django Livre

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Melhor Roteiro

A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow e Mark Boal

Lincoln, de Tony Kushner

O Lado Bom da Vida, de David O. Russell

Django Livre, de Quentin Tarantino

Argo, de Chris Terrio

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Melhor Trilha Sonora Original

Alexandre Desplat – Argo

Dario Marianeli – Anna Karenina

Tom Tykwer, Johnny Klimek, Reinhold Heil – A Viagem

Mychael Danna – As Aventuras de Pi

John Williams – Lincoln

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Melhor Canção Original

Keith Urban – “For You”, de Ato de Coragem

Taylor Swift – “Safe & Sound”, de Jogos Vorazes

Hugh Jackman – “Suddenly”, de Os Miseráveis

Adele – “Skyfall”, de 007 – Operação Skyfall

Jon Bon Jovi – “Not Running Anymore”, de Amigos Inseparáveis

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Crítica: Ted

ted_posterTed (Idem, EUA, 2012) não é só um filme polêmico, é uma fábula hilária que desconstrói a expectativa de qualquer ser humano criado com a ideia de que as histórias mágicas com bichinhos fofinhos são só para crianças. Hanna fez o mesmo, mas como um filme de ação. Aqui temos um verdadeiro e hilário assalto às memórias infantis e inversão de expectativas. Contudo não serei a pessoa que vai se aprofundar em análises complexas e por um único motivo: o filme não está nem aí pra isso. O negócio aqui é te fazer rir da forma mais apelativa que conseguir.

Exatamente por isso, Ted nasce de um desejo mágico de que se torne um ser vivo quando John acaba de sair das fraldas. Mas ambos se tornam adultos e descobrem o que esse mundo oferece. De xingamentos a mulheres e drogas.

Sim, você vai passar mais de 100 minutos rindo da mesma piada: um ursinho bonitinho se metendo em situações inimagináveis para seu estereótipo. A diferença aqui é o quão profundo a criação de Seth MacFarlane vai. E eu digo: se você achou a cena erótica de Howard The Duck um ultraje, não sabe o que lhe espera aqui no momento em que o personagem-título vai para o depósito de um mercado com sua namorada humana.

Mas calma lá, existe ainda uma festa absurda na qual ele e seu dono vivido por Mark Wahlbergh quando crescido se encontram com o herói de suas vidas: Sam Jones, o Flash Gordon. É aquele tipo de momento em que você se pergunta se existe um limite a ser atingido no quesito incorreção social para um filme – isso depois de rir muito.

E nada como contrabalancear as coisas com uma piadinha mais criativa e menos suja como aquela em que John relembra como conheceu Lori (Mila Kunis) e os sons infantis e o estilo exagerado da lembrança dizem muito sobre a imaturidade do personagem. Aliás, bela atuação de Mark Wahlbergh para compor o personagem como um adulto com cara de meninão.

Só que aí a trama se encaminha para um final previsível e até certo ponto edificante e você pode sedimentar a ideia de que ainda que politicamente incorreto, Ted não quer estar totalmente fora dos padrões sociais e manda a plateia para casa sabendo que ele tem bom coração (ainda que humano demais).

Nota: 8

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